ROTUNDA


"A Capital Federal", de Arthur Azevedo



ATO I
Quadro III
CENA II

BENVINDA (Aproximando-se com uma pequena trouxa na mo.) Aqui estou.
FIGUEIREDO (Disfarando o olhar para o cu.) Disfara, meu bem. (Pausa.) Ests pronta a acompanhar-me?
BENVINDA (Disfarando e olhando tambm para o cu.) Sim, sinh, mas eu quero sab se verdade o que o sinh disse na sua carta...
FIGUEIREDO (Disfarando por ver um conhecido que passa e o cumprimenta.) Como passam todos l por casa? As senhoras esto boas?
BENVINDA (Compreendendo.) Boas, muito obrigado... Sinh Miloca que tem andado com enxaqueca.
FIGUEIREDO ( parte.) Fala mal, mas inteligente.
BENVINDA O sinh me d memo casa pra mim mor?
FIGUEIREDO Uma casa muito chique, muito bem mobiliada, e uns vestidos muito bonitos. (Passa outro conhecido. O mesmo jogo de cena.) Mas por que esta demora com a minha roupa lavada?
BENVINDA porque choveu munto... no se pde cor... (Outro tom.) No me fartar nada?
FIGUEIREDO Nada! No te faltar nada! Mas aqui no podemos ficar. Passa muita gente conhecida, e eu no quero que me vejam contigo enquanto no tiveres outra encadernao. Acompanha-me e toma o mesmo bonde que eu. (Vai se afastando pela direita e Benvinda tambm.) Espera um pouco, para no darmos na vista. (Passa um conhecido.) Adeus, hein? lembranas baronesa.
BENVINDA Sim, sinh, farei presente. (Figueiredo afasta-se, disfarando, e desaparece pela direita. Durante a fala que se segue, Rodrigues a pouco e pouco se aproxima de Benvinda.) Ora! Isto sempre deve s mi que aquela vida enjoada l da roa! Ah! Seu Borge! Voc abusou porque era feit l da fazenda; fez o que fez e me prometeu casamento... Mas casar ou no? Sinh e nhnh ondem fic danada... Pois que fique!... Quero a minha liberdade! (Vai afastar-se na direo que tomou Figueiredo e abordada pelo Rodrigues, que no a tem perdido de vista um momento.)
RODRIGUES Adeus, mulata!
BENVINDA Viva!
RODRIGUES (Disfarando.) D-me uma palavrinha?
BENVINDA Agora no posso.
RODRIGUES Olhe, aqui tem o meu carto... Se precisar de um homem srio... de um homem que todo famlia...
BENVINDA (Tomando disfaradamente o carto.) Pois sim. (Saindo, parte.) O que no farta home... Assim queira uma mui... (Sai.)
RODRIGUES (Consigo.) Sim... l de vez em quando... para variar... no quero dizer que... (Outro tom.) E o maldito bonde que no chega! (Afasta-se pela direita e desaparece.)

Escrito por Mauro Fernando s 18h59
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"A Mandrgora"



O florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi um arguto observador de sua poca. Escreveu a obra terico-poltica O Prncipe em 1513 e a comdia A Mandrgora em 1520. Dirigido por Eduardo Tolentino de Arajo, o grupo Tapa cumpre temporada de A Mandrgora no Teatro Arthur Azevedo, em So Paulo, at 26 de maro, de sextas-feiras a domingos. Haver sesses especiais na segunda e na tera de Carnaval (dias 27 e 28), s 21h.
Ao enredo: o velho, rico e ingnuo Messer Ncia (Guilherme Sant'Anna, premiado pela APCA) e sua esposa, a virtuosa Lucrcia (Samantha Caracante), no conseguem ter filhos. Atrado pela proverbial beleza de Lucrcia, Calmaco (Andr Garolli) resolve conquist-la. Disfarado de mdico, ganha a confiana de Sstrata (Nani de Oliveira), me da jovem, de Frei Timteo (Paulo Marcos) e do prprio Messer Ncia e prescreve a mandrgora como soluo para o problema. Mas h um porm: a mandrgora mata. Contudo, o primeiro homem que tiver contato sexual com a mulher, aps a administrao da poo, puxa para si o veneno. Calmaco, ento, se veste de mendigo e trata de ser o primeiro a atravessar o caminho de Lucrcia.
Maquiavel faz uma metfora da conquista do poder no incio do sculo XVI, perodo da descoberta do Brasil. Para ele, na conquista do poder no pode haver s brutalidade, a astcia tem de estar presente. Maquiavel lidou com uma sociedade corrupta, e mais ou menos esse pensamento que fundou a sociedade brasileira, diz Tolentino. Est a, pois, a conexo com a atualidade: J que o Pas no tem formas anteriores de pensamento poltico para contrastar com o moderno, a pea permite uma leitura pertinente ao nosso tempo.
O diretor refuta a teoria de que A Mandrgora seja uma comdia pessimista. uma comdia cnica. Seria pessimista se alguns personagens ganhassem em detrimento de outros, mas o marido at concorda com o adultrio da mulher [para ter um filho]. Para Maquiavel, o bem tem de ser comum, todos saem lucrando, afirma.
Maquiavel utilizou a estrutura ficcional da comdia latina (ou romana), inserindo nela a postura corrosiva da comdia grega, mas h em A Mandrgora dois elementos novos em relao aos latinos Plauto (254?-184? a.C.) e Terncio (185?-159? a.C.) e ao grego Aristfanes (446?-385? a.C.). Uma das novidades representada por Lucrcia. Ela , talvez, a primeira mulher que passa de objeto a sujeito, aprende as regras e passa a jogar. Maquiavel captou a intriga da comdia romana, mas no a moral, atesta Tolentino. A outra o peso da presena religiosa na sociedade, configurado no Frei Timteo. um pensamento que no tem a ver com a f, mas com a estrutura scio-poltica. Maquiavel percebeu a chegada de uma nova mentalidade e a colocou, sutilmente, na pea.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 18h02
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"A Mandrgora"



O grupo Tapa montou A Mandrgora em 1988. O diretor Eduardo Tolentino de Arajo explica as diferenas: Hoje temos uma leitura mais brutal da pea. Vemos na TV uma grande exposio de pessoas, um uso sexual desenfreado delas. Soma-se a isso a corrupo, que j faz parte do cotidiano, e notamos que o mundo est voltando para a Idade Mdia. H nas ruas muita sujeira e misria, o que antes era mais camuflado. A montagem de 1988 era mais elegante, esta mais suja. Naquela, o dinheiro era manipulado mais fria e cinicamente. Agora pegamos menos o Maquiavel cientista poltico e mais o Maquiavel observador de costumes. Trata-se, enfim, de divertir-se sem deixar de pensar sobre o que se enxerga nas esquinas ou mesmo dentro de casa.


A Mandrgora. De Nicolau Maquiavel. Direo de Eduardo Tolentino de Arajo. Com o grupo Tapa. No Teatro Arthur Azevedo. Avenida Paes de Barros, 955, So Paulo, SP. Fone (11) 6605-8007. Sextas-feiras e sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 10. At 26 de maro. Sesses extras na segunda e na tera (dias 27 e 28).

Escrito por Mauro Fernando s 17h58
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"Peas"



Com abordagens mltiplas e resultados variados , muito se tem escrito sobre o fascnio do teatro, desde apaixonados relatos de quem milita na rea at frios compndios acadmicos. Em funo desse encantamento, a metalinguagem um dos assuntos mais caros ao teatro. Em cartaz no Teatro Faap, em So Paulo, o espetculo solo Peas, da estadudense Gertrude Stein (1874-1946), trata desse universo.
O texto expe conceitos em torno da emoo que toma o espectador diante da cena, como clmax da excitao, arremate e alvio, e pergunta sobre a utilidade de se contar uma histria, questionando a dependncia do teatro de uma histria bem contada. Assim, instalar a encenao no palco, atrs da cortina, surge mais como uma necessidade que como uma soluo.
Um dos mais talentosos diretores brasileiros premiado por Plvora e Poesia (Shell) e Agreste (APCA), para citar apenas as mais recentes , Marcio Aurelio assina a encenao. Como todo espetculo solo, Peas tem no ator seu sustentculo neste caso, Luiz Petow.
Ao no se comprometer com o naturalismo, Petow tem o mrito de no deixar fluir uma atmosfera de conferncia enfadonha. Faz uso de vasto repertrio gestual combinado com silncios e alternncia de ritmo e de entonaes.
Contudo, esse o tipo de espetculo que coloca armadilhas no caminho do ator pode faz-lo chafurdar no terreno movedio do exibicionismo puro, associando tcnica corporal vazia a malabarismos vocais incuos. Petow cuida de escapar das arapucas, mas o risco do escorrego est sempre presente, esperando pelo vacilo do intrprete.
O problema est no embarque do pblico na viagem proposta, embora o trabalho do diretor e do ator seja cuidadoso. A pea se reveste do despojamento que incorpora a sofisticao, mas notadamente no final permite escapar a impresso de solilquio para expertos em artes cnicas.
Subscrita pelo diretor e por Silviane Tichei, a iluminao uma aula sobre como se extrair de meia dzia de lmpadas nuances do jogo claro-penumbra-escuro. Longe, porm, de se sobressair ao ator, a luz o apia, proporcionando-lhe mais subsdios para trabalhar.


Peas. De Gertrude Stein. Encenao de Marcio Aurelio. Criao e atuao de Luiz Petow. No Teatro Faap. Rua Alagoas, 903, So Paulo, SP. Fone (11) 3662-7233. Quartas e quintas-feiras, s 21h. R$ 30. At 16/3.

Escrito por Mauro Fernando s 18h59
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"Eles no Sabem o que o Brasil"



O Teatro de Asfalto no sabe o que o Brasil. Mas possui idias para o Pas. E vai mostr-las a partir de 5 de maro, quando a pea Eles no Sabem o que o Brasil estrear na sede do grupo, em Santo Andr. um espetculo sobre o Brasil, um musical com cenas baseadas em msicas compostas pelos atores, informa o diretor Antnio Rogrio Toscano, que assina o roteiro ao lado dos atores. Brbara Zampol, Camila Cristina, Carlos Michelon, Dad Cordeiro, Felipe Gomes Moreira, Flvio de Oliveira, Jorge Pezzolo, Mrcia Furtado e Roberta Marcolin Garcia integram o elenco.
Como ponto de partida da pesquisa, que durou dois anos, o grupo pinou uma atitude cotidiana do povo: tomar nibus. Concluiu que o nibus a metfora do navio negreiro, conta o diretor. Isso nos levou a pensar na favela como metfora da senzala. Ento paramos para estudar mais. Pensadores como Caio Prado Jr., Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Marilena Chau, Milton Santos e Srgio Buarque de Holanda embasaram a pesquisa. So textos que mapeiam a construo histrica do povo brasileiro, diz. Outro apoio veio das filmografias de Eduardo Coutinho, Glauber Rocha e Srgio Bianchi.
Inexiste no espetculo uma narrativa nica. Nesse aspecto, o espetculo brechtiano. No h personagens [na concepo tradicional], ele trabalha com alegorias. As cenas cmicas sobre o cotidiano convivem com as alegricas no aspecto glauberiano, que buscam uma representao maximizada de idias que so imagens, msicas, revela Toscano.
Isso sugere que a montagem seja de difcil assimilao. O diretor, porm, contesta: O roteiro no indica uma trajetria nica de personagens, mas o espetculo fcil de ser lido. Havia o medo do hermetismo, mas nos ensaios abertos percebemos que a pea pega o pblico pelo vis afetivo.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 17h21
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"Eles no Sabem o que o Brasil"



Acima de tudo, Eles no Sabem o que o Brasil procura refletir sobre o Pas. O espetculo no alardeia certezas peremptrias publicadas em alfarrbios maniquestas, garante o diretor Antnio Rogrio Toscano. No sabemos o que o Brasil, mas queremos coisas para o Pas. O espetculo expressa o desejo de que o Brasil seja aquilo que ainda no .
Importante foi confrontar o presente com o passado e estabelecer o vnculo de um com o outro. Conforme o diretor, a nova pea do Teatro de Asfalto no toma a forma de um passeio histrico pelo Pas, mas sim de uma tentativa de entender o que o Pas a partir do seu passado. As contradies do presente so filhotes daquelas do passado.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 17h19
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"Eles no Sabem o que o Brasil"



Eles no Sabem o que o Brasil o primeiro trabalho do Teatro de Asfalto gerado fora da Escola Livre de Teatro (ELT), de Santo Andr. Por dois anos, o grupo apresentou profissionalmente Osvaldo Raspado no Asfalto, montagem nascida na ELT, em diversos palcos, incluindo o do paulistano Tusp.
A companhia rasgou alguns roteiros antes de definir forma e contedo da montagem. A coisa mais rica do espetculo a dificuldade do parto. Houve dvidas sobre a potncia potica do trabalho, os atores tiveram de se confrontar consigo mesmos, afirma o diretor Antnio Rogrio Toscano.


Eles no Sabem o que o Brasil. Roteiro de Antnio Rogrio Toscano e Teatro de Asfalto. Direo de Antnio Rogrio Toscano. Com o Teatro de Asfalto. No Teatro de Asfalto. Rua Distrito Federal, 84, Santo Andr, SP. Fone: 6112-9309. Domingos, s 20h30. R$ 10. Estria em 5/3. Em cartaz por tempo indeterminado.

Escrito por Mauro Fernando s 17h17
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"O Porco"



Na iminncia do abate, um solitrio porco reflete sobre sua condio. Evoca o tratador (algoz?), revolta-se, amolda-se, relembra episdios de sua vida e de colegas de chiqueiro. O que se nota me primeiro lugar em O Porco, espetculo solo em cartaz no Centro Cultural So Paulo, na capital paulista, o excelente (e raro) trabalho do ator Henrique Schafer, indicado ao Prmio Shell. Cada entonao, cada olhar, cada gesto, cada pausa possui o alcance dramtico capaz de enlevar, surpreender e catalisar a ateno do pblico. Schafer acerta ao no cair na linha pouco imaginosa, porm muito cmoda, da imitao do animal que d o ttulo pea.
Aos poucos, descortinam-se variadas possibilidade de leituras, o que enriquece o espetculo. Certamente, uma no anula a outra como em todo texto interessado em oferecer a imaginao livre de grilhes como prato principal para o gourmet. Quer puxar a brasa para a sardinha existencial? Perfeitamente possvel. Esto no tablado os desejos, as contradies, as dvidas, enfim, aquele conglomerado que no se faz de matria. Quer esticar a corda para o lado scio-poltico? D, tranqilamente. O personagem busca uma sada para seu
confinamento fsico e espiritual ressaltado pelo ambiente cnico, o poro do Centro Cultural para depois se dedicar a um discurso algo conformista, suscitando acaloradas discusses ideolgicas.
O diretor Antonio Januzelli escolheu o caminho da simplicidade. Feliz aposta. O foco, naturalmente, est voltado para o ator. A intensidade com que Schafer se entrega ao papel trespassa o ar. Isso permite platia embarcar com o ator na viagem proposta, que no outra seno a aventura do homem seja ela rocambolesca, pungente, espartana, etc. pelas veredas que o mundo apresenta.
Como que a coroar a montagem, sutil como o boxe e violenta como o xadrez, h a metfora que se constri sobre o ofcio do ator. O personagem pede desculpa se pareceu desagradvel, dizendo, por outro lado, que sua existncia est ligada alimentao do ser humano. Ora, obras de arte s atingem essa condio porque dialogam diretamente com o esprito do homem, dando de comer e beber a ele, ainda que primeira vista sugiram ao paladar uma prudente distncia.

O Porco. De Raymond Cousse. Traduo de Eliana Teruel para a verso espanhola (de Antonio Andres Lapea) do original francs. Direo de Antonio Januzelli. Com Henrique Schafer. No Centro Cultural So Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, So Paulo, SP. Fone (11) 3277-3611. Quartas e quintas-feiras, s 21h. R$ 12. At 2/3.

Escrito por Mauro Fernando s 19h32
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Lei de Incentivo Cultura do Estado de So Paulo



O governador de So Paulo, Geraldo Alckmin, assinou hoje (20/2) a Lei Estadual de Incentivo Cultura, denominada Programa de Ao Cultural (PAC). Segundo o Artigo 3 da lei, a receita do PAC ser proveniente de recursos fixados pela Secretaria da Fazenda, do Fundo Estadual de Cultura e do Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS). Alm de artes plsticas, cinema, circo, dana, literatura, msica e teatro, a lei abrange atividades culturais como eventos carnavalescos e escolas de samba, patrimnio histrico e artstico e pesquisa e documentao.
Na cerimnia, realizada na Estao das Artes, na capital, Alckmin declarou que se trata de um grande projeto de incluso social, de transformao e educao atravs da arte: Cultura emprego e renda, mas acima de tudo uma viso de mundo. Tambm disse que ficaro disponveis R$ 45 milhes neste ano R$ 20 milhes referentes ao Fundo de Cultura e R$ 25 milhes, ao ICMS. Empresas podero deduzir at 3% do ICMS devido ao investir em produo cultural a chamada renncia fiscal. No total, os investimentos no podem ultrapassar 0,2% da arrecadao anual do Estado com esse tributo.
O secretrio de Cultura, Joo Batista de Andrade, afirmou que preciso incentivar a produo cultural independente. Estiveram presentes, entre outros artistas, os diretores de teatro Antonio Abujamra, Jos Renato e Srgio Ferrara, o ator Juca de Oliveira e a diretora do Ballet Stagium, Marika Gidali. A atriz Regina Duarte foi apresentada pelo Cerimonial como representante da classe artsica.
O ator Oswaldo Mendes chama ateno para a necessria regulamentao da lei o Poder Executivo tem 60 dias para faz-lo. A regulamentao que definir como ser a lei. preciso deixar a lei para os produtores culturais, diz. Quanto tendncia que as leis de renncia fiscal tm de privilegiar nomes j conhecidos do grande pblico e palatveis para a imagem das empresas, em detrimento da experimentao de linguagens, o ator no v problema: No se pode excluir o Paulo Autran. Acho perigosa a ditadura do novo. s vezes, ao querer redescobrir a roda, o novo se torna retrgrado. Como falou Vianinha [o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho], o novo nem sempre revolucionrio.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 23h19
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Lei de Incentivo Cultura do Estado de So Paulo

Houve, desde 2003, discusses (que agregaram diversas entidades de artistas de vrias linguagens) para o desenvolvimento do Fundo Estadual de Cultura que geraram projeto de lei de autoria coletiva, assinado por 66 deputados estaduais. O Governo do Estado investiu em outra proposta, a que se transformou hoje em lei depois de aprovada pela Assemblia Legislativa, que desalojou da pauta de votaes o projeto anterior.
Autor de Adorvel Criatura Frankenstein, A Mquina Peluda e Zona Branca, o escritor Ademir Assuno participou das discusses e se mostra desapontado com a nova lei. Essa uma lei de renncia fiscal. O Governo embutiu nela um Fundo de Cultura inconsistente, que no tem dotao oramentria. Pela proposta que discutimos, seriam destinados R$ 100 milhes anuais para a cultura. A lei sancionada no fixa valores, o governador destina o quanto quer. E quando muda o governo, como fica?, questiona.
Esse debate engloba, principalmente, opinies opostas sobre polticas pblicas para a cultura. Pelo sistema da renncia fiscal, empresas deixam de pagar impostos para investir em projetos culturais. Para Assuno, isso uma distoro. As leis de renncia fiscal outorgam iniciativa privada o direito de decidir o que fazer com dinheiro pblico. Se o dinheiro pblico, quem deve control-lo, por meio de comisses amplas, a sociedade. O ideal quando se abre um edital que estabelea critrios. Se aprovado o projeto, o Fundo repassa o dinheiro diretamente para o produtor cultural, no necessrio que este bata porta de uma empresa, ele no precisa buscar dinheiro pblico na iniciativa privada, afirma o escritor.

Escrito por Mauro Fernando s 23h17
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Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes



Memria das Coisas o ttulo provisrio. A nova montagem da Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes estria em 13 de maio no Teatro Fbrica So Paulo, na capital paulista, onde os atores ensaiam com o diretor Ednaldo Freire e fazem aulas de canto (com Carlos Zimbher) e corpo (com Vivien Buckup).
O dramaturgo Lus Alberto de Abreu terminou o canovaccio (roteiro de cenas), mas os dilogos ainda no esto prontos, j que o processo passa por improvisos com os atores Aiman Hammoud, Edgar Campos, Luti Angelelli e Mirtes Nogueira e o diretor. O texto est em processo de construo, no se sabe para onde vai caminhar, qual o tom, se vai ser comdia, diz Freire.
Algumas certezas, porm, j existem. O grupo explora a cultura urbana brasileira. A nova pea, assim, d um tempo pesquisa sobre os universos populares profano-religioso e rural que originaram as comdias Auto da Paixo e da Alegria, Borand e Eh, Turtuvia!.
Outra certeza o trabalho, como nos espetculos anteriores, com o teatro pico narrativo. Isso significa a presena de personagens narradores que promovam uma ampliao do repertrio de imagens dos espectadores, proporcionando-lhes mais possibilidades de elevar a emoo ao racionnio. Mais uma inteno solidificada: a procura por uma concepo cnica que contemple uma maior aproximao entre atores e pblico.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 18h33
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Fraternal Cia. de Arte e Malas Artes

A Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes desenvolve a pesquisa de Memria das Coisas desde agosto. O ponto de partida a percepo de que objetos suscitam memrias que, por sua vez, remetem a histrias. A idia fazer com que as pessoas vejam aquela determinada coisa com outros olhos, revela Mirtes.
Aps visitar vrios lugares em So Paulo a fim de coletar subsdios para a pea, fixaram-se no Arco do Presdio Tiradentes, monumento localizado na Avenida Tiradentes. O Arco o que restou do Presdio Tiradentes, inaugurado em 1852 como Casa de Correo (uma priso para escravos) e demolido em 1972. Depois passou a ser chamado de Presdio Tiradentes e, mais tarde, de Casa de Deteno.
Alm de escravos, passaram por l presos comuns, como o chamado ladro romntico [Gino] Meneghetti, e polticos, como [o escritor] Monteiro Lobato e [a diretora de teatro] Heleni Guariba. Chegamos a estrevistar [o escritor e dramaturgo] Izaas Almada, preso pela ditadura militar [1964-1985], explica Hammoud. O diretor enfatiza que o objetivo no fazer uma reconstituio histrica nem uma espcie de arqueologia biogrfica, mas tocar nas memrias que o Arco traz: H um resgate das histrias no conhecidas dos grandes personagens annimos do dia-a-dia, mas dentro do vis ficcional, no do documental.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 18h31
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Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes

Conforme o diretor da Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes, Ednaldo Freire, as pessoas esto perdendo a conexo com a prpria cultura. Da a vontade de trabalhar em 'Memria das Coisas' em cima da mitologia paulista, de trazer tona essa coisa meio abandonada. Ir atrs de conhecimento traz luz, reflexo.
Na montagem nova, portanto, importa menos a memria em si de objetos e locais que a reconstituio da nossa cultura, como ela vem se descaracterizando, como ela esquecida e substituda, por imposio, por outras.
Freire reconhece que existe no trabalho, ainda que no esteja explcito, um componente ideolgico. Mas no do ponto de vista da poltica partidria: no h defesa de tese, no queremos expor rtulos. Na viso do ator Aiman Hammoud, abordar a memria um ato poltico porque se fala de contradies, ambies e necessidades humanas e tambm se discutem grandes questes sociais.
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Escrito por Mauro Fernando s 18h30
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Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes

O convencional palco italiano j no satisfaz mais a Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. Pretendemos envolver o pblico de outra forma, tentar trazer a platia para dentro do espetculo, anuncia o ator Aiman Hammoud. A narrativa pica pede olhar no olho do outro, enquanto no palco italiano h um distanciamento, emenda a atriz Mirtes Nogueira.
Para o diretor Ednaldo Freire, incomoda um pouco essa histria de a luz toda ficar para o ator e no para a platia. Queremos incluir o pblico na cena, e no nos fecharmos em uma redoma. Essa cumplicidade com a pletia uma inquietao nossa. Fala-se aqui em envolvimento, o que diferente de atirar o espectador no palco para uma em boa parte dos casos indesejada participao especial.
As apresentaes, para 150 pessoas, tero lugar no poro do Teatro Fbrica So Paulo. Em nome da consonncia com o pblico, possvel que a companhia o deixe estebelecer a rea de representao ao distribuir as cadeiras no lado de fora da sala de espetculos e permitir que cada um se sente onde quiser l dentro. Sempre fazemos questo de brincar um pouco, arremata o diretor.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 18h28
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Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes

A Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes conta com R$ 340 mil provenientes da Lei 13.279, que instituiu o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de So Paulo, para colocar Memria das Coisas de p. A contra-partida: entrada franca para deficientes visuais e auditivos, que tambm podem acompanhar ensaios.
O grupo promove encontros nos quais realiza leituras de peas e apresentaes de cenas prontas da nova montagem para deficientes. Acaba por se tornar um trabalho de incluso social, j que eles se consideram excludos, falam que a cidade no feita para eles por causa das dificuldades com, por exemplo, o transporte, afirma o diretor Ednaldo Freire.
As reunies tambm so utilizadas como aprimoramento da preparao dos atores. Temos feito descobertas interessantes quanto ao peso das palavras e importncia do ritmo, diz Freire. Com deficientes auditivos, pode-se desenvolver a linguagem corporal. A comunicao com o pblico amplia o repertrio do ator, atesta o ator Edgar Campos.

Escrito por Mauro Fernando s 18h24
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