ROTUNDA


"Aroma do Tempo"



Conforme o professor de literatura dramtica da USP Joo Roberto Faria registra em Idias Teatrais O Sculo XIX no Brasil livro premiado pela Associao Paulista de Crticos de Artes (APCA) , Arthur Azevedo (1855-1908) foi acusado em sua poca de ser o maior responsvel pela decadncia do teatro brasileiro, isto , pelo desaparecimento de uma dramaturgia com preocupaes literrias.
Azevedo sabia que a opereta e a revista de ano, as vertentes do teatro cmico e musicado mais presentes em sua obra, tinham o apelo popular que tanto agrada s caixas registradoras dos empresrios, mas defendia ser possvel haver arte nelas o que confirma a qualidade da pea no o gnero a que pertence, mas a forma como escrita. Como tambm desejava a evoluo do teatro brasileiro, debateu-se fervorosamente pela construo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (inaugurado no ano seguinte sua morte) e pela criao de uma companhia subsidiada pelo governo que estimulasse a dramaturgia nacional.
Em cartaz para o pblico a partir de hoje (10/3) no Teatro dos Arcos, em So Paulo, Aroma do Tempo apresenta um Arthur Azevedo abolicionista, generoso com colegas de teatro e absolutamente apaixonado pelas artes cnicas, alm de extremamente prolfero. Como assinala o diretor Jos Renato no programa da comdia musical assinada por Ern Vaz Fregni, trata-se de uma homenagem memria desse autor, pois sua obra absolutamente inestimvel e injustamente relegada ao fundo das gavetas das bibliotecas e das escolas. Arthur sabia como ningum satirizar os deslizes da poltica nacional, escreve a prpria Ern no programa.
Exaltaes parte, Aroma do Tempo tambm revela conflitos pessoais do comedigrafo maranhense. O jovem Azevedo (Luiz Arajo) e velho Azevedo (Carlos Cappeleti) ficam frente a frente em vrios momentos do espetculo, questionando ambies, amores, sonhos. trajetria do autor mesclam-se trechos de algumas de suas peas, como Amor por Anexins (escrita aos 15 anos), a comdia-opereta A Capital Federal e o drama abolicionista O Escravocrata.
Produo da Casa da Comdia, ncleo da Cooperativa Paulista de Teatro, Aroma do Tempo ainda d conta de discusses polticas entre personalidades como Jos do Patrocnio (Alberto Lima) e Olavo Bilac (Mrcio Yaccof). Momentos importantes como a assinatura da Lei urea e a Proclamao da Repblica, no entanto, surgem sem a preocupao de uma reconstituio histrica, mas como efervescentes passagens da vida brasileira testemunhadas por Azevedo.
Com 22 atores-cantores no elenco, a pea mantm a atmosfera alegre e descontrada das operetas e revistas de ano de Azevedo, sem que isso, obviamente, descambe para a esculhambao cnica. Fundador do Teatro de Arena, que renovou a paisagem teatral brasileira a partir de 1953, Renato um profundo conhecedor dos meandros que levam boa encenao Eles no Usam Black-Tie (1958), de Guarnieri, e Rasga Corao (1979), de Vianinha, so exemplares. A direo musical de Dyonisio Moreno e o figurino de Carlos Colabone resgatam o esprito divertido e colorido da obra do comedigrafo.


Aroma do Tempo. De Ern Vaz Fregni. Direo de Jos Renato. Com Carlos Cappeleti, Luiz Arajo, Albeto Lima, Alessandra Vertamatti, Dani Calichio, Dora Bueno, Joice Jane Teixeira, Mrcio Yacoff, Paula Flaiban, Tiago Abravanel. No Teatro dos Arcos. Rua Jandaia, 218, So Paulo, SP. Fone (11) 3101-7802. Quintas a sbados, s 21h, e domingos, s 20h. R$ 25. At 11/6.

Escrito por Mauro Fernando s 12h43
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"A Incrvel Confeitaria do Sr. Pellica"



Dono de uma confeitaria decadente em um reino em guerra no sculo XVIII, Pellica quer entrar num concurso de tortas para reerguer seu empreendimento. Mas no tem recursos para isso. Um burgus, ento, oferece dinheiro em troca da mo de sua filha. Escrita e dirigida por Pedro Brcio, a comdia A Incrvel Confeitaria do Sr. Pellica estria no Sesc Santana neste sbado (11/3). A produo da Zeppelin Cia. chega capital paulista depois de temporada carioca recomendada por cinco indicaes ao Prmio Shell: autor, direo, figurino (Rui Cortez), iluminao (Toms Ribas) e msica (Felipe Rocha).
A inspirao para escrever surgiu de uma necessidade, conta Brcio: Precisava escrever a sinopse de uma pea para um workshop do Royal Court Theatre. Pensei como seria fazer arte em um pas em guerra. Resolvi escrever uma fbula do sculo XVIII, um momento fundamental para a humanidade, com o Iluminismo e a revoluo burguesa.
Para isso, tomou emprestado princpios da comdia da poca, inserindo nela elementos atuais. H um dilogo com o teatro clssico de Molire [1622-1673] e de [Carlo] Goldoni [1707-1793]. Mantive a estrutura de atos, mas, apesar do vocabulrio da poca, dramaturgicamente a pea atual. H uma certa fragmentao e uma rapidez nos dilogos contemporneas.
Alm disso, h uma brincadeira com os tipos criados pelos dois comedigrafos, herdeiros diretos e renovadores da commedia dell'arte, originria da Renascena italiana e popular em toda a Europa do sculo XVII. A mocinha enamorada das comdias de Molire na minha pea custica e irnica. Portanto, h uma quebra com os tipos estabelecidos. 'A Incrvel Confeitaria do Sr. Pellica' propicia um distanciamento do tempo e tem um olhar crtico, fala do passado e do presente, afirma Brcio.
O autor e diretor levanta tambm a questo das mscaras sociais. H na pea a idia de que a aparncia socialmente fundamental, e hoje vemos uma preocupao excessiva com a moda. Brcio ainda critica determinados valores atuais: Antigamente, famlia e profisso eram mais importantes que dinheiro. Hoje, para sair na [revista] 'Caras' preciso ser famoso. Se voc tem dinheiro, todas as portas so abertas.
Quanto direo, Brcio diz ter dado ateno questo rtmica: O ritmo das falas e as pausas definem a comdia. O importante achar o tom certo, as marcaes [de cena] tm de ser geis. H uma certa mistura de gneros na montagem. H momentos naturalistas, diz. No quero copiar o modelo europeu, fazer Molire La Comdie-Franaise [companhia francesa cujo surgimento remonta ao sculo XVII].


A Incrvel Confeitaria do Sr. Pellica. Texto e direo de Pedro Brcio. Com a Zeppelin Companhia. No Sesc Santana. Avenida Luiz Dumont Villares, 579, So Paulo, SP. Fone (11) 6971-8700. Sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 4 a R$ 10. At 2/4.

Escrito por Mauro Fernando s 16h06
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"Pai"




Alzira Pontes Pastore uma mulher comum, na faixa dos 45 anos. O pblico poder conhec-la bem a partir de sexta-feira (10/3), quando Pai, pea de Cristina Mutarelli dirigida por Marcelo Lazzaratto, estria no Sesc Pinheiros, em So Paulo. A prpria Cristina interpreta essa mulher que escancara em um monlogo interior, como define o diretor, sua complexa relao com o pai.
um monlogo interior porque se trata de uma oportunidade de entrar na cabea da personagem em um momento de mxima intimidade. Como num jorro, ela bota tudo para fora, diz Lazzaratto. Pelo fluxo de pensamentos trafegam imagens que a platia se encarrega de costurar em sintonia com Alzira. No h um pensamento linear, lgico, cartesiano. As imagens invadem, se sobrepem, so fragmentos se entrecruzando.
Nesse obsessivo acerto de contas fluem tormentos, ironia, sarcasmo. Entre as situaes aladas por Alzira esto um flagrante de adultrio, quando surpreende o pai com uma amiga dela, e o velrio do av materno, este tratado com graa. A pea transita do dramtico denso comicidade. divertido para quem v, mas a personagem sente dor. O humor uma forma de purgar a dor, afirma o diretor. J que Alzira uma mulher comum, passa por dilemas e expectativas como todos ns: H vrios pontos de identificao com o espectador. A pea rompe qualquer tipo de parede porque, ao vermos as relaes dela, pensamos nas nossas.
H no texto uma carga psicolgica forte, admite Lazzaratto. A personagem no resolve seus problemas de maneira tranqila. uma experincia doda. O pai que no se materializa no palco , uma figura arquetpica, smbolo do masculino, da autoridade, um obstculo a transpor na busca pelo autoconhecimento. A mulher, enfim, passa a vida a limpo.
O cenrio, de Ulisses Cohn, foi concebido como um espao da memria de Alzira. Ela est cercada de objetos pessoais, como se eles puxassem as lembranas, envoltos em sacos plsticos. Assim, a personagem se torna sujeito e objeto de si mesma, conta o diretor. A est uma das diferenas para a montagem de 1999 estrelada por Bete Coelho e dirigida por Paulo Autran, a que Lazzaratto no assistiu. Vi uma foto na qual havia gavetas fechadas onde os objetos ficavam guardados. No nosso processo, eles so revelados. Como a autora est em cena, j existe 'a priori' uma exposio.
No prprio dia da estria de Pai, ser aberta a exposio Inventrio, sob curadoria de Ktia Canton, e lanado o livro com o texto da pea, que tem prefcio de Maria Adelaide Amaral e apresentao de Paulo Autran. A sesso de autgrafos acontecer depois da apresentao. Inventrio, que invade o cenrio do espetculo, exibe quase mil objetos colecionados ao longo da vida de Cristina.


Pai. Texto e atuao de Cristina Mutarelli. Direo de Marcelo Lazzaratto. No Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, So Paulo, SP. Fone (11) 3095-9400. Sextas-feiras, s 20h, e sbados, s 19h. R$ 5 a R$ 10. At 8/4.

Escrito por Mauro Fernando s 20h13
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"Carcias"



O ttulo do espetculo, Carcias, soa como ironia. Em cartaz no Sesc Belenzinho, em So Paulo, a pea do espanhol Sergi Belbel dirigida por Marcia Abujamra aborda a dificuldade do contato afetivo nas relaes pessoais. As pequenas crueldades cotidianas sustentam as aes, embora tambm haja espao para a ternura em algumas das 11 cenas curtas interdependentes.
No se trata de discusso de relao, seja entre casais ou entre familiares. O texto vai alm do div de resultados, com hora marcada e secretria pronta para recolher o cheque o teatro, evidentemente, se presta a outra funo. Mas as entrelinhas permitem transparecer uma profundidade aqum do desejvel quando se pensa em rimar diverso com reflexo.
Belbel configurou um texto sem protagonistas todos os personagens tm a mesma importncia diante da idia desenvolvida, a da metrpole que cobra um alto preo emotivo de quem se dispe a usufruir do sedutor aparato da ps-modernidade. E colocou os 11 personagens em um ambiente urbano contemporneo, o que d pea ares universais.
Os personagens surgem aos pares. Equacionada ou no, h os casos em que as coisas se resolvem em reticncias, sugerindo a continuidade da questo a situao em cena, um dos personagens deixa o palco para que o outro comece nova refrega particular no quadro seguinte, at que se feche o ciclo.
H uma uniformidade no elenco os 11 atores trabalham com dignidade, fugindo de esteretipos. Cludia Missura, por exemplo, interpreta uma idosa sem recorrer a corpo encurvado nem a voz caracterstica. O pblico compreende os cdigos e entra facilmente no jogo.
A diretora criou um coro de nove atores aqueles cujos personagens no esto em cena que comenta as relaes, acentuando a dramaticidade ou a comicidade das aes sem interromp-las. No se trata de novidade o coro apareceu no teatro grego h 26 sculos , mas sempre bom ver um recurso cnico utilizado com inteligncia no teatro contemporneo.


Carcias. De Sergi Belbel. Direo de Marcia Abujamra. Com Cludia Missura, Jiddu Pinheiro, Malu Bierrenbach, Marcelo Varzea, Patricia Gaspar, Paula Cohen, Renato Wiemer, Ricardo Rathsam, Rodrigo Lopez, Sergio Rufino e Tatiana Thom. No Sesc Belenzinho. Avenida lvaro Ramos, 915, So Paulo, SP. Fone (11) 6602-3700. Sbados e domingos, s 20h. R$ 7,50 a R$ 15. At 26/3.

Escrito por Mauro Fernando s 20h13
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"Esperando Godot"



O irlands Samuel Beckett (1906-1989) nunca desfez o enigma de Esperando Godot, pea escrita em 1946 e encenada pela primeira vez em 1953 deixou no ar, para os que quiserem discutir, quem , afinal, essa figura que provoca a interminvel espera dos clowns-vagabundos Estragon (Gog) e Vladimir (Didi). O texto se posicionou, de imediato, entre os mais fortes e encantadores de toda a histria do teatro, um autntico patrimnio da humanidade.
Ao esperar Godot, Gog e Didi nos mostram a busca de sentido para a existncia humana no custa lembrar que Beckett escreveu a pea no Ps-Guerra, com as imagens das duas bombas atmicas e da Europa arrasada ainda frescas na retina. Asssim como em Fim de Partida, A ltima Gravao de Krapp e Dias Felizes, as indagaes existenciais inerentes efmera condio humana e riqueza e misria nela contidas so a matria-prima do autor. A falta de esperana d o tom em Esperando Godot. Mas, se a solido e a letargia de Gog e Didi jogam no time das misrias humanas, o companheirismo entre eles (soluo para o desalento?) atua no escrete das riquezas do homem.
Nessa tragicmica (ou comitrgica) jornada, os dois personagens passam o tempo (dias, meses ou anos?) numa tentativa de tornar aceitvel a ausncia de sentido de suas (nossas?) vidas. Durante a espera inexistncia de ao por quem nunca aparece (o inatingvel), surgem Pozzo e Lucky, que representam a velha e abominvel relao explorador-explorado. Interessante notar que o senhor Pozzo depende da anuncia do escravo Lucky para manter a relao.
A montagem dirigida por Gabriel Villela em cartaz no Sesc Belenzinho, em So Paulo, com Bete Coelho (Gog), Magali Biff (Didi), Lavnia Pannunzio (Pozzo) e Vera Zimmermann (Lucky) no elenco, encontra no texto de Beckett uma referncia devastao da natureza. Dessa forma, a rvore necessria no cenrio est ressequida, sem vida, smbolo das malcriaes do homem, do seu desapego ecolgico. O belo desenho de luz, de Domingos Quintiliano, se apresenta coerente com a proposta do diretor (e com o texto), notadamente no fim do espetculo.
O jogo teatral se d no picadeiro demarcado por giz, uma vez que Gog e Didi so definidos como clowns. O texto abre generosa janela para o intrprete trabalhar a elaborao do personagem, e quem melhor se vale disso Bete, ao extrair com expressivos trabalhos facial e corporal, como filigranas, as possibilidades que Gog oferece. Villela confere a Pozzo e Lucky uma esttica de teatro de bonecos, sepultando, pelo aparente paradoxo, qualquer indcio de iluso quanto relao entre os dois.


Esperando Godot. De Samuel Beckett. Direo de Gabriel Villela. Com Bete Coelho, Magali Biff, Lavnia Pannunzio e Vera Zimmermann. No Sesc Belenzinho. Avenida lvaro Ramos, 915, So Paulo, SP. Fone (11) 6602-3700. Sextas a domingos, s 21h. R$ 7,50 a R$ 15. At 26/3.

Escrito por Mauro Fernando s 15h36
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"O Hspede Atrevido" ou "O Brilhante Escondido", de Qorpo Santo



CENA SEGUNDA

ERNESTO (entrando por uma porta e Eullia por outra) - Como vai, minha querida Eullia? J sei que est muito zangada comigo. Andei passeando hoje; fui ao Riacho, rua... de...
EULLIA (como zangada) - J sei, j sei onde o senhor foi; no precisa mais nada!
ERNESTO - No se zangue, no se zangue, minha queridinha! Sabe que sou todo seu..., que por mais que a roda do mundo ande e desande sempre a senhora e ser a menina dos meus olhos. E, quando assim no fosse, por simpatia o seria, porque a senhora tem inspiraes, a senhora tem sugestes que transformam os coraes!
EULLIA - Bravos! Veio poeta! Agradeo-lhe muito a comparao.
ERNESTO - Eullia, s capaz?
EULLIA - De qu?
ERNESTO - Ora de qu?! De me lembrar os versinhos que produzi hoje antes de sair. Que revoluo se opera, minha querida Eullia.
EULLIA - Onde?
ERNESTO - Na minha imaginao.
EULLIA - Essas revolues nada valem.
ERNESTO - Para mim, muito. Transformam-me s vezes as idias, perturbam-me, interrompem-me e fazem-me muitas outras: mudar de pensar e de parecer.
EULLIA - Pois tenha mais firmeza em si, no seja to volvel.

Escrito por Mauro Fernando s 13h43
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