ROTUNDA


"Os Dous ou o Ingls Maquinista", de Martins Pena





[ATO NICO

O teatro representa uma sala. No fundo, porta de entrada; esquerda, duas janelas de sacadas, e direita, duas portas que do para o interior. Todas as portas e janelas tero cortinas de cassa branca. direita, entre as duas portas, um sof, cadeiras, uma mesa redonda com um candeeiro francs aceso, duas jarras com flores naturais, alguns bonecos de porcelana; esquerda, entre as janelas, mesas pequenas com castiais de mangas de vidro e jarras com flores. Cadeiras pelos vazios das paredes. Todos estes mveis devem ser ricos.


CENA I

CLEMNCIA, NEGREIRO, MARIQUINHA, FELCIO. Ao levantar o pano, ver-se- CLEMNCIA e MARIQUINHA sentadas no sof; em uma cadeira junto destas NEGREIRO, e recostado sobre a mesa FELCIO, que l o Jornal do Comrcio e levanta s vezes os olhos, como observando a NEGREIRO.


CLEMNCIA Muito custa viver-se no Rio de Janeiro! tudo to caro!
NEGREIRO Mas o que quer a senhora em suma? Os direitos so to sobrecarregados! Veja s os gneros de primeira necessidade. Quanto pagam? O vinho, por exemplo, cinqenta por cento!
CLEMNCIA Boto as mos na cebea todas as] vezes que recebo as contas do armazm e da loja de fazendas.
NEGREIRO Porm as mais puxadinhas so as das modistas, no assim?
CLEMNCIA Nisto no se fala! Na ltima que recebi vieram dous vestidos que j tinha pago, um que no tinha mandado fazer, e uma quantidade tal de linhas, colchetes, cadaros e retroses, que fazia horror.
FELCIO, largando o Jornal sobre a mesa com impacincia Irra, j aborrece!
CLEMNCIA [O que ?]
[FELCIO Todas as vezes] que pego neste jornal, a primeira cousa que vejo : Chapas medicinais e Ungento Durand. Que embirrao!
NEGREIRO, rindo-se Oh, oh, oh!
CLEMNCIA Tens razo, eu mesmo j fiz este reparo.
NEGREIRO As plulas vegetais no ficam atrs, oh, oh, oh!
CLEMNCIA Por mim, se no fossem os folhetins, no lia o Jornal. O ltimo era bem bonito; o senhor no leu?
NEGREIRO Eu? Nada. No gasto o meu tempo com essas ninharias, que so s boas para as moas.

Escrito por Mauro Fernando s 16h14
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"Jlio Csar"




H algum tempo queria fazer um [texto de William] Shakespeare [1564-1616], mas no um hit como 'Hamlet', 'Macbeth' ou 'Otelo'. Ento cheguei a 'Jlio Csar', revela a diretora Beatriz Bologna. Juntei-me com o [ator] Luiz Eduardo Frin, e lemos vrias tradues mas no as via na boca de atores. Achei melhor assinar a traduo para ter mais liberdade.
Isso foi h dois anos. Entramos na Lei Rouanet, mas o patrocnio no veio. Somos um grupo novo, no temos poder de fogo na mdia, conta Beatriz. Com o que aconteceu no ano passado [as trs CPMIs], o texto pediu par ser montado. Fomos com a cara e a coragem. A companhia Os Prias estria Jlio Csar neste sbado (25/3), no Teatro Fbrica So Paulo, na capital paulista.
A conjuntura poltica brasileira atual propiciou a montagem, afirma a diretora. O texto fala de coisas que acontecem no Pas. No h nenhuma relao direta como Brasil Jlio Csar no representa tal figura, so figuras histricas diferentes das nossas. Mas o tipo de conflito exatamente o mesmo: conspirao, traio, alianas que se partem. O texto pediu para que o tirasse da estante.
Em nome da aceitao do pblico, Beatriz cortou trechos do texto original. Se fao uma pea de trs horas e quinze minutos, que pega metr no assiste. A minha encenao tem duas horas e dez minutos. Quem no leu o original no vai perceber os cortes. No quero diminuir a genialidade de Shakespeare, mas hoje entendemos as coisas mais rapidamente por causa [dos efeitos dramatrgicos] da TV e do cinema, diz. Para ela, o maior mrito da dramaturgia do bardo ingls est na colocao de contradies nos personagens que determinam sua falha trgica [conceito que atribui a catstrofe na tragdia a alguma falha no carter do personagem], coisa que ele comeou e ningum mais conseguiu fazer como ele.
Segundo a diretora, o foco da trama est na manipulao, tanto a do indivduo quanto a das massas, e pertinentes a isso h as vaidades e as ambies. A pea se inicia com a celebrao da festividade das Lupercais, onde uma coroa foi oferecida a Jlio Csar (Mrcio Cassoni), adorado pelo povo por suas conquistas. Embora ele tenha rejeitado a coroa, o receio de que j estivesse concentrando um poder excessivo leva vrios membros importantes da Repblica a arquitetar seu assassinato, para o qual a concordncia de Brutus (Luiz Eduardo Frin), um de seus mais fiis colaboradores, fundamental. Cssio [Marcelo Pacfico] o articulador das sombras, quem coopta Brutus, afirma.
Beatriz defende a tese de que Brutus, pelas contradies que transpira, o personagem principal da pea. Ele colocou seu ideal acima dos relacionamentos pessoais e passou a ser o principal conspirador. Toda ao se desenrola ao seu redor. 'Jlio Csar' uma pea sobre um assassinato e suas conseqncias, no sobre Jlio Csar, um personagem que no se modifica, em que no h uma transformao interior.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 17h36
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"Jlio Csar"




A diretora Beatriz Bologna chama ateno para o discurso de Marco Antnio (Nelson Peres, ator convidado) aps o assassinato de Jlio Csar: o mesmo dos marqueteiros de hoje. Tudo pensado e calculado para que as pessoas sintam determinadas emoes. um discurso capcioso, que embota o julgamento, dificulta a anlise das coisas.
Abaixo, um trecho do discurso de Marco Antnio.

Marco Antnio Amigos, romanos, compatriotas, prestem ateno. Venho para sepultar Csar, no para glorific-lo. O mal que fazem os homens vive depois deles; o bem quase sempre enterrado com seus ossos. Que assim seja com Csar. O nobre Brutus contou-lhes que Csar era ambicioso. Se assim foi, era uma falta grave, e Csar a pagou gravemente. Aqui, com permisso de Brutus e dos outros pois Brutus um homem honrado, assim como os outros, todos homens honrados , venho falar no funeral de Csar. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo; mas Brutus diz que ele era ambicioso, e Brutus um homem honrado. Ele trouxe muitos cativos de volta para Roma, cujos resgates foram pagos pelos cofres pblicos. Nisso parecia Csar ambicioso? Quando os pobres choravam, Csar derramava lgrimas. A ambio deveria ter estofo mais duro. No entanto, Brutus diz que ele era ambicioso, e Brutus um homem honrado. Vocs todos viram nas Lupercais, trs vezes eu lhe ofereci a coroa real, e trs vezes ele a recusou. Isso era ambio? No entanto, Brutus diz que ele era ambicioso, e sem dvida alguma ele um homem honrado. Falo no para contestar o que Brutus disse, mas para dizer o que sei. Vocs todos j o amaram, no sem motivo; que motivo os impede agora de chorar por ele? Oh, Discernimento, fugiste para os seres irracionais, e os homens perderam a razo. Desculpem-me. Meu corao est naquele caixo com Csar, e preciso de uma pausa at que ele me volte ao peito.


Jlio Csar. De William Shakespeare. Direo de Beatriz Bologna. Com Os Prias. No Teatro Fbrica So Paulo. Rua da Consolao, 1.623, So Paulo, SP. Fone (3255-5922) . Sextas e sbados, s 21h30, e domingos, s 20h30. R$ 25 e R$ 30. At 7/5.

Escrito por Mauro Fernando s 17h28
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"BR-3"



Rio Tiet, noite de 22 de maro do ano de 2006 da Era Crist (332 da partida da bandeira de Ferno Dias Pais rumo s esmeraldas). Estria para convidados de BR-3, quarta montagem do Teatro da Vertigem, dirigido por Antonio Arajo. As cenas se desenvolvem nos trs andares da embarcao que leva o pblico, nos botes que navegam em torno dela e nas margens do rio.
O ingresso, portanto, d direito a um passeio pelas guas poludas do trecho paulistano do rio. No a viagem dos sonhos de ningum, mas logo se instala a lua-de-mel do pblico com o grupo, que sabe lidar com espaos alternativos e criar a atmosfera propcia para a discusso temtica proposta.
Os trs espetculos anteriores da companhia, que contabilizam cinco prmios APCA, nove Shell, dois Mambembe e dois Apetesp, estrearam em So Paulo: O Paraso Perdido na Igreja de Santa Ifignia, O Livro de J no Hospital Humberto Primo e Apocalipse 1,11 no Presdio do Hipdromo. Surpresa haver se o grupo fizer algum espetculo em palco italiano.
s 20h, a fim de tomar um dos dois nibus que levam ao local da encenao, os espectadores formam fila no ponto de encontro indicado pela produo, o estacionamento ao lado do porto 8 do Memorial da Amrica Latina. No caminho para o Tiet, um motoqueiro, talvez incomodado com o trfego estressante, aponta uma arma para o motorista de um dos nibus. Passado o susto, alguns passageiros cogitam ser esse o incio da pea. (No era.)
BR-3 fruto de uma pesquisa de dois anos sobre a identidade nacional. O Teatro da Vertigem residiu na Vila Brasilndia (subrbio paulistano) e depois viajou para Braslia e Brasilia (AC), recolhendo subsdios para a pea. Assim, investiga tambm as incongruncias presentes na relao centro-periferia.
A famlia de Jovelina (Marlia de Santis) est no centro das aes. Depois de perder o marido na construo de Braslia, ela parte grvida para So Paulo e se estabelece na Brasilndia, onde assume o controle do trfico de drogas sob o pseudnimo de Vanda. Seus filhos Jonas (Roberto udio) e Helienay (Daniela Carmona), bem como Evangelista (Ccia Goulart) e Dono dos Ces (Sergio Siviero), se enredam numa trama em que traies e vinganas definem o quem--quem dentro de um violento jogo de poder. A histria h um vaivm no tempo e no espao chega a Brasilia, j com a presena dos netos de Jovelina/Vanda, Patrcia (Bruna Lessa) e Douglas (Rodolfo Henrique).
Atento durante os 140 minutos da apresentao, o pblico se deixa envolver pelos atores, pela iluminao (de Guilherme Bonfanti), pela direo de arte (de Mrcio Medina) - um trabalho coletivo que transforma cuspe em mel, podrido em arte. Na penltima cena, o microfone de Ivan Kraut, que interpreta o Senador, no funciona. Algum avisa: Ivan, est no 'mute'!. Corrigido o problema tcnico, possvel ouvir o ator e perceber que o texto de Bernardo Carvalho fustiga o comportamento da classe abastada em relao ao povo desdenhado.
Fim, anuncia a projeo na parede cinzenta que separa as guas da Marginal. Enquanto Ccia sobe ao ltimo andar da embarcao para cumprimentar (e ser cumprimentada por) amigos e parentes, toca o celular de um espectador. Al! Cara, voc no sabe onde estou! Navegando no Tiet! Incrvel!
O odor caracterstico do rio suportvel, ainda que houvesse uma ou outra m lufada no perturbou o nimo do pblico. frente, pendurada em uma ponte, uma faixa alerta: Jogue lixo no lixo. O Tiet agradece. Quem passa pela Marginal no nota a quantidade absurda de sujeira que flutua no rio.
A sada da embarcao retardada em cinco minutos para a colocao de uma tbua que faa as pessoas evitarem pisar em uma poa ao acessar a escada que leva aos nibus. Piadinhas entre a equipe responsvel pela segurana algum sugere carregar as pessoas nos braos. No embarque para o retorno ao ponto de encontro, o motorista ameaado pelo motoqueiro opina sobre a pea. Vi um ensaio aberto. impressionante o que eles [os atores] fazem. Mas se eu disser que entendi alguma coisa...


BR-3. Criao do Teatro da Vertigem. Dramaturgia de Bernardo Carvalho. Concepo e direo geral de Antonio Arajo. Com o Teatro da Vertigem. No Rio Tiet, So Paulo, SP. (O pblico dever estar uma hora antes do incio da apresentao no estacionamento ao lado do porto 8 do Memorial da Amrica Latina, Avenida Auro Soares de Moura Andrade.) Quintas e sextas-feiras, s 21h, e sbados e domingos, s 20h. R$ 40. (Ingressos venda somente nas lojas Fnac de So Paulo: Praa dos Omagus, 34 e Avenida Paulista, 901.) Fone (11) 3115-0345. At 28/5.

Escrito por Mauro Fernando s 18h05
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Novssimos Diretores e Atores Onde Est o Autor?


"Natlia, Nathlia"


Depois da proeminncia dos encenadores nos anos 80 e do recente resgate dos dramaturgos, emerge definitivamente o trabalho colaborativo, pelo qual atores, autores e diretores compartilham a confeco do espetculo sem que suas funes se confundam nem se esgarcem. o que pretende discutir a mostra Novssimos Diretores e Atores Onde Est o Autor?, que comea nesta quinta-feira (23/3) no Tusp, na capital paulista. Quatro grupos de atores e diretores recm-formados ou estudantes da ECA/USP se revezam no palco at 30/4.
O que as quatro peas tm em comum uma participao muito grande dos atores na dramaturgia do espetculo, o que uma tendncia contempornea, afirma o diretor do Tusp, Ablio Tavares. Para ele, esse modelo de fazer teatral gera dividendos: um ganho grande para a linguagem. Acrescenta porque aponta para uma possibilidade diferente na linha da criao, com a construo do espetculo se dando ao longo do processo, a dramaturgia nascendo junto com o trabalho do ator. Mas isso no significa que esse seja o modo certo de trabalhar, frisa. Ele atende a uma necessidade, no quer dizer que o texto tradicional esteja morto. Teatro no uma coisa s, existem muitos.
Sobre a questo da produo, Tavares enftico: O fato mais significativo, depois que as leis de incentivo cultura [escoradas na renncia fiscal] abriram espao para o apoio da iniciativa privada, a Lei do Fomento [que instituiu o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de So Paulo]. Essa lei investe no trabalho de grupos que no tm a questo comercial como premissa e permitiu a proliferao da pesquisa de linguagem.
Natlia, Nathlia, de Antnio Duran, Ellen Amaral e Reinaldo Yamada, com direo de Maurcio Perussi, abre a mostra. Carla Martelli, Francisco Lauridsen e Marcela Baunitz formam o elenco. Sinopse: duas jovens, que residem em apartamentos iguais, mantm o costume de se observarem atravs de um espelho; nasceram no mesmo dia e tm o mesmo nome; depois de um inslito encontro em uma festa, as duas se transformam.
O trabalho partiu de duas referncias temticas propostas por Perussi, que assina sua primeira montagem profissional: o livro Alice no Pas do Espelho, de Lewis Carroll (1832-1898), e o filme A Dupla Vida de Vronique, de Krzysztof Kieslowski (1941-1996). So conflitos ntimos pelos quais todos ns passamos. A nfase est na simbologia do duplo, representada no espelho. Silncios permeiam a ao, e a linguagem mais potica, explica o diretor. O espetculo foi criado dentro da sala de ensaio por meio de processo colaborativo, confirma Perussi: as funes de atores, diretor e dramaturgos foram preservadas, embora umas remetessem s outras, influenciando-se mutuamente.


Natlia, Nathlia. De Antnio Duran, Ellen Amaral e Reinaldo Yamada. Direo de Maurcio Perussi. Com Carla Martelli, Francisco Lauridsen e Marcela Baunitz. Quintas, sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h. De 23/3 a 2/4.

Um Homem Bateu em Minha Porta. De Tom Dupin. Direo e interpretao de Bruno Caetano, Carolina de Biagi, Fernanda Gama, Maria Julia Martins e Rafael Truffaut. Realizao do Teatro do bvio. Quintas, sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h. De 6 a 16/4.

A Espera da Morte. Dramaturgia de Daniela Carmona. Direo de Nathlia Lorda. Com Andr Carvalho, Diego Jos Villar, Xyko Peres, Andr Souto e Fernanda Navarro. Realizao do Grupo Trame Bizarre. Quintas, sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h. De 20 a 30/4.

Inciso 4 do Pargrafo III. De Luis Cabral e Cia. de Teatro em Quadrinhos. Direo de Beth Lopes. Com Aura Cunha, Eduardo Mossri, Leonardo Moreira, Maria Helena Chira. Realizao da Cia. de Teatro em Quadrinhos. Dia 26/4, s 21h. (Ensaio aberto.)


No Tusp. Rua Maria Antnia, 294, So Paulo, SP. Fone (11) 3255-7182. R$ 10.

Escrito por Mauro Fernando s 10h07
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"Capobianco Mostra Beckett"


"Esperando Godot"


Autor das peas como Esperando Godot, Fim de Partida, Dias Felizes, A ltima Gravao de Krapp e Comdia e de romances como Malone Morre e O Inominvel, o irlands Samuel Beckett (1906-1989) rebebeu o Nobel de Literatura em 1969. A fim de comemorar o centenrio de nascimento de Beckett, o Instituto Cultural Capobianco, em So Paulo, d incio nesta tera-feira (21/3) ao projeto Capobianco Mostra Beckett, conjunto de peas, filmes, palestras e exposio de fotos.
Com 'Esperando Godot', Beckett transformou o escrever teatral. Ele props uma narrativa sem comeo nem fim, na qual a histria no se resolve, e introduziu o silncio como elemento muito importante, afirma o diretor artstico do Instituto, Ulisses Cohn. Beckett fugiu da dramaturgia mais tradicional. Percorreu as regies emocionais do homem como nunca foi feito antes, diz o ator Antnio Petrin, que apresenta a partir de quinta-feira (23/3), sob a direo de Francisco Medeiros, A ltima Gravao de Krapp.
Para Petrin, Beckett cujas peas foram escritas depois da Segunda Guerra Mundial - revela uma profunda descrena na humanidade. Ele apresenta o homem sempre no limite da existncia, sem sada. No h um sopro de esperana. Em 'Esperando Godot', por exemplo, a soluo no chega. O que, ento, pode tirar uma pessoa de casa para assistir a uma pea de Beckett? Ele faz com que olhemos para ns mesmos e identifiquemos uma necessidade de modificar as coisas. Sua obra no escapista. pessimista, mas traz a procura por uma existncia melhor.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 15h55
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"Capobianco Mostra Beckett"


"A ltima Gravao de Krapp"


No monlogo A ltima Gravao de Krapp, Samuel Beckett trabalha com a imobilidade do ser humano. Krapp o homem estagnado que pensa estar em movimento. Come bananas embora saiba que lhe faz mal, bebe apesar de saber que no pode. um compulsivo e no faz nada para mudar isso, afirma o ator Antnio Petrin. Beckett, que no faz concesses, sacode o estgio de letargia em que nos encontramos. Ningum fica indiferente. Resta a ns ver e tentar a mudana.
Aos 69 anos, Krapp ouve gravaes registradas em diferentes momentos de sua vida, um tipo de dirio. Apresenta-se em cena uma runa pessoal. Krapp se relaciona com a mquina porque a nica coisa prazerosa para ele, porque sabe manipul-la muito bem. Ela no o contraria, no contesta suas controvrsias, suas necessidades, suas idiossincrasias, revela Petrin.
O gravador mostra a dificuldade que Krapp tem de se relacionar com outro ser humano. Seus relacionamentos foram inteis, em vo. E suas atitudes aos 69 anos so iguais s de 30 anos atrs. Nada mudou na vida desse homem, diz o ator. Solitrio, Krapp um escritor que vendeu uma dzia de exemplares. No se trata de um saudosista: Ele olha crtica e ironicamente para o passado.
Petrin, que j atuou em peas de autores to diferentes como Carlo Goldoni (1707-1793), Plnio Marcos (1935-1999) e Lus Alberto de Abreu em quase 40 anos de carreira, conta que a maior dificuldade para delinear Krapp entender porque Beckett escreve daquela maneira, o que ele pretende falar. A montagem estreou em 2000, mas h mudanas para esta temporada. Refizemos as gravaes, h coisas que eu e o [diretor] Chiquinho [Medeiros] descobrimos agora. Antes o personagem tinha uma certa autopiedade e agora est mais franco, afirma.
[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 15h51
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"Capobianco Mostra Beckett"

A programao de Capobianco Mostra Beckett comea com a palestra Samuel Beckett, a Busca de uma Linguagem Pessoal, na qual a professora da USP Clia Berretini analisa a obra beckettiana sob a perspectiva da construo da sua linguagem artstica. Tentamos contemplar no s as peas mais famosas, mas tambm olhar para as outras produes dele. A idia comemorar com uma reflexo sobre o trabalho dele, gerar conhecimento e no apenas entretenimento, explica o diretor artstico do Instituto Cultural Capobianco, Ulisses Cohn.
Os filmes exibidos em DVD, em ingls, no so legendados. Entregaremos uma sinopse para o pblico antes das projees. E h os comentaristas. A qualidade esttica, visual, da ao, da mise em scne dos filmes muito forte, promete Cohn. Organizada pelo diretor teatral Rubens Rusche, a exposio Fotografias de Espetculos de Beckett (Montagens Nacionais e Internacionais) destaca montagens em que trabalharam Antunes Filho, Bete Coelho, Fernanda Montenegro, Llia Abramo (1911-2004) e Linneu Dias (1927-2002), entre outros.


Palestras (s 20h; R$ 10)
21/3: Samuel Beckett, a Busca de uma Linguagem Pessoal, com Clia Berretini
28/3: O Universo Cnico de Samuel Beckett, com Rubens Rusche
4/4: As Peas Radiofnicas de Samuel Beckett, com Rubens Rusche
11/4: Roteiro para Cinema de Samuel Beckett, com Rubens Rusche
18/4: As Peas para TV de Samuel Beckett, com Rubens Rusche
26/4: A Narrativa Terminal Os Romances de Samuel Beckett A Trilogia, com Fbio de Souza
2/5: Peas para TV, com Luiz Fernando Ramos

Espetculos (sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 19h)
24/3 a 23/4 (R$ 30): A ltima Gravao de Krapp, direo de Francisco Medeiros, com Antnio Petrin
3/6 a 2/7 (R$ 20): Esperando Godot, direo de Marcelo Lazzaratto, com a Boa Companhia

Filmes (s 16h; entrada franca)
25/3: Krapp's Last Tape, de Atom Egoyan, com John Hurt (comentrios de Francisco Medeiros)
1/4: Happy Days, de Patricia Rozema, com Rosaleen Linehan, Richard Johnson (comentrios de Marcio Aurelio)
8/4: Endgame, de Conor McPherson, com Michael Gambon, David Thewlis, Charles Simon, Jean Anderson (comentrios de Fbio de Souza)
15/4: Waiting for Godot, de Michael Lindsay-Hogg, com Barry McGovern, Johnny Murphy, Alan Stanford, Stephen Brennan (comentrios de Marcelo Lazzaratto)
22/4: Not I, de Neil Jordan, com Julianne Moore; Play, de Anthony Minghella, com Alan Rickman, Kristin Scott-Thomas, Juliet Stephenson; Act Without Words I, de Karel Reisz, com Sean Foley; Act Without Words II, de Enda Hughes, com Pat Kinevane, Marcello Magni (comentrios de Marcelo Lazzaratto)
29/4: Footfalls, de Walter Asmus, com Susan FitzGerald e Joan OHara; A Piece of Monologue, de Robin Lefvre, com Stephen Brennan; Ohio Impromptu, de Charles Sturridge, com Jeremy Irons (comentrios de Rubens Rusche)
6/5: Rockaby, de Richard Eyre, com Penlope Wilton; That Time, de Charles Garrad, com Nial Buggy (comentrios de Dominique Fingermann)
Exposio (quintas e sextas, das 14h s 18h, e dentro dos horrios da programao; entrada franca)
21/3 a 6/5: Fotografias de Espetculos de Beckett (Montagens Nacionais e Internacionais)


No Instituto Cultural Capobianco. Rua lvaro de Carvalho, 97, So Paulo, SP. Fone (11) 3237-1187.

Escrito por Mauro Fernando s 15h47
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"Os Caminhos do Teatro Paulista - Um Panorama Registrado em Crticas"



Clovis Garcia tem 85 anos e j no freqenta com a mesma assiduidade as salas de teatro de So Paulo. Vou muito a festivais, o que me d um bom panorama. Antes via tudo, cheguei a assistir a 254 espetculos em um ano, diz. um dos fundadores da Associao Paulista de Crticos de Teatro (APCT), atual Associao Paulista de Crticos de Artes (APCA), que completa meio centenrio neste ano.
Professor na Graduao e na Ps-Graduao da USP, pela qual se doutorou em 1974 com a tese O Teatro Medieval Profano Francs no Sculo XIII, Garcia continua pesquisando e orientando trabalhos acadmicos. E lana nesta segunda-feira (20/3) o livro Os Caminhos do Teatro Paulista Um Panorama Registrado em Crticas (Prmio Editorial, R$ 60). O evento est marcado para as 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em So Paulo.
O livro rene crticas publicadas de 1951 a 1958 na revista O Cruzeiro e de 1963 a 1964 no jornal A Nao. No so somente crticas, corrige Garcia: quando no havia estria, escrevia sobre o panorama teatral. Os Caminhos do Teatro Paulista cobre todo o perodo ureo do TBC [Teatro Brasileiro de Comdia, fundado em 1948], que deslachou em 1951 e entrou em decadncia em 1958. Alm disso, Garcia testemunhou os nascimentos do Teatro de Arena (1953) e do Teatro Oficina (1958).
Os contos de fico cientfica publicados em A Nao, naturalmente, no foram includos em Os Caminhos do Teatro Paulista. Garcia ainda planeja ver em livro as crticas publicadas em O Estado de S. Paulo, no qual ingressou aps a sada de Dcio de Almeida Prado (1917-2000), e no Jornal da Tarde, no qual avaliava o teatro infantil.
Ele conta que uma das regras da crtica no fazer juzos definitivos. Uma vez quase escrevi que [Gianfrancesco] Guarnieri no deveria fazer teatro. Outras duas: Respeitar o trabalho alheio e fundamentar a crtica. De uma maneira geral, a relao do crtico com o artista sempre complicada e Garcia no uma exceo. J enfrentou muitas reaes negativas uma delas, de Paulo Autran. E olhe que somos amigos, estudamos juntos Direito na USP.
Para ele, so cinco as funes da crtica. As mais importantes so traduzir o espetculo para o pblico e mostrar para os artistas o que est se passando no palco. J o teatro uma necessidade da natureza humana: Todos os povos, de todas as pocas, tm teatro. O teatro, portanto, vai alm de uma discusso sobre funes social ou escapista ou educativa.


Os Caminhos do Teatro Paulista Um Panorama Registrado em Crticas, de Clovis Garcia. Lanamento em 20/3, s 18h30. Na Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.073, So Paulo, SP (Conjunto Nacional). Fone (11) 3170-4033.

Escrito por Mauro Fernando s 12h12
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"O Marinheiro Escritor", de Qorpo-Santo




ATO SEGUNDO

QUADRO PRIMEIRO

MITRA (para Lamria) Sabe dizer-me se j foi despachado o meu requerimento??
LAMRIA Teve o seguinte despacho (pegando e abrindo um livro): No tem lugar o que requer o suplicante, em vista da informao da tesouraria.
MITRA Pois possvel que tal fosse o despacho que teve o meu requerimento!?
LAMRIA Est aqui escrito.
MITRA Isso no obsta!
LAMRIA Pois ento faa outro requerimento.
LAMRIA No fao; este o terceiro que submeti despacho sobre o mesmo assunto. O primeiro teve um despacho incoveniente, por semelhante a este. O segundo no teve despacho. E o terceiro tem um despacho contrrio a meu direito de propriedade e a leis escritas. Para que, pois, hei de eu mais pegar em pena para fazer requerimentos neste sentido!?
LAMRIA Ento...
MITRA Sabe o senhor o que precisava fazer-se a meia dzia de empregados pblicos? Enforc-los! J tem sido o seu procedimento irregular ou contrrio aos direitos dos outros homens, ou transgresses das Leis a causa, e est sendo de milhares de desgraas, que estpidos, observamos e lamentamos no Estado! E querem continuar, sabendo-o, proceder de igual modo para que tais infortnios continuem a observar-se e lamentar-se! Deus vingar os inocentes e flagelar os criminosos, quanto basta. Eu at penso que no est no lugar em que devia, pois da letra M se passa a N e de I a J...

Escrito por Mauro Fernando s 20h53
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