ROTUNDA


"O Judas em Sbado de Aleluia", de Martins Pena





ATO NICO


Sala em casa de JOS PIMENTA. Porta no fundo, direita, e esquerda uma janela; alm da porta da direita uma cmoda de jacarand, sobre a qual estar uma manga de vidro e dous castiais de casquinha. Cadeiras e mesa. Ao levantar do pano, a cena estar distribuda da seguinte maneira: CHIQUINHA sentada junto mesa, cosendo; MARICOTA janela; e no fundo da sala, direita da porta, um grupo de quatro meninos e dous moleques acabam de aprontar um judas, o qual estar apoiado parede. Sero os seus trajes casaca de corte, de veludo, colete idem, botas de montar, chapu armado com penacho escarlate (tudo muito usado), longos bigodes, etc. Os meninos e moleques saltam de contentes ao redor do judas e fazem grande algazarra.


CENA I

CHIQUINHA, MARICOTA e meninos.


CHIQUINHA Meninos, no faam tanta bulha...

LULU, saindo do grupo Mana, veja o judas como est bonito! Logo quando aparecer a Aleluia, havemos de pux-lo para a rua.

CHIQUINHA Est bom; vo para dentro e logo venham.

LULU, para os meninos e moleques Vamos para dentro; logo viremos, quando aparecer a Aleluia. (Vo todos para dentro em confuso.)

CHIQUINHA, para Maricota Maricota, ainda te no cansou essa janela?

MARICOTA, voltando a cabea No de tua conta.

CHIQUINHA Bem o sei. Mas, olha, o meu vestido est quase pronto; e o teu, no sei quando estar.

MARICOTA Hei-de apront-lo, quando quiser e muito bem me parecer. Basta de seca cose, e deixa-me.

CHIQUINHA Fazes bem. (Aqui Maricota faz uma mesura para [a] rua, como a pessoa que a cumprimenta, e continua depois a fazer acenos com o leno.) L est ela no seu fadrio! Que viva esta minha irm s para namorar! forte mania! A todos faz festa, a todos namora... E o pior que a todos engana... at o dia em que tambm seja enganada.

MARICOTA, retirando-se da janela O que ests tu a dizer, Chiquinha?

CHIQUINHA Eu? Nada.

Escrito por Mauro Fernando s 13h05
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"Traio"





O pblico, s vezes, reage com certa eloqncia. Cheia de cime, uma mulher esbofeteou o marido, e houve quem achou que isso fazia parte da pea. Furioso, um homem quis tirar satisfao com um ator e o esperou na sada da apresentao. Um diretor de TV jogou dois copos d'gua em um ator. O espetculo, que muito sensual, mexe com a platia, revela Gabriela Linhares, diretora de Traio, que desembarca nesta sexta-feira (31/3) em So Paulo, no Teatro Crowne Plaza.

Montagem da Cia. Dupl, Traio rene cinco contos de Nelson Rodrigues publicados em A Vida Como Ela ... (Companhia das Letras, R$ 38). Em A Mulher do Prximo, Gouveia se encontra toda sexta-feira com a mulher de um despachante. Em O Marido Sanguinrio, Glorinha trai o marido com Eurilo. Em O Monstro, Bezerra flagrado beijando Sandra, sua cunhada de 17 anos. Em Um Chefe de Famlia, Anacleto estranha o fato de s poder namorar Netinha s teras, quintas e sbados. Em Marido Fiel, Ceci levanta a suspeita de que o marido de sua amiga Rosinha infiel.

Finais surpreendentes caracterizam os contos, escritos originalmente entre 1951 e 1961 para o extinto jornal ltima Hora. Traio, desejo, represso, taras, sensualidade, a alma feminina esto contidos no universo rodriguiano. Mas o espetculo no pesado, h ironia e deboche tambm, afirma a diretora. Ela no v muitas diferenas entre o Rodrigues escritor e o Rodrigues dramaturgo: Se voc l um conto dele, logo identifica o autor. Para os atores, a forma como ele escreve d muito material para interpretao, a palavra sai redonda, dramtica, verdadeira, crvel.

Os contos so apresentados em seqncia. Os atores se desdobram em vrios papis e transitam pela platia, dirigindo-se a ela quebram, assim, a chamada quarta parede. Nelson Rodrigues (Nando Cunha) est em cena. como se ele estivesse escrevendo naquele momento, encontrando-se com seus personagens, diz Gabriela. A pea foi concebida para espao no-convencional, conta: Estreamos em 2001, em Porto Alegre, no Caf do Lago. No Rio de Janeiro, fizemos na gafieira Estudantina e na casa de shows Ballroom. Depois, adaptei a montagem para teatro.

A diretora afirma ser influenciada pelas teorias do encenador francs Antonin Artaud (1896-1948). O espetculo tem de tomar o espectador, com sensaes sinestsicas, com uma atmosfera contagiante. Autor de O Teatro e seu Duplo, Artaud o criador do Teatro da Crueldade, cuja tnica est em elementos cnicos que apelam diretamente s emoes do pblico o corpo e a voz do ator, a linguagem no-verbal de luz e som , fazendo do espetculo uma espcie de ritual.

A companhia estria em 7 de abril na Casa da Rosas, em So Paulo, Deflora-te, pea inspirada na obra do escritor e dramaturgo francs Jean Genet (1910-1986) e tambm dirigida por Gabriela. O espetculo explora os limites entre fantasia e realidade, sagrado e profano, submisso e insubordinao. Como forma de apurar a percepo, os espectadores entram descalos no espao cnico e em determinado momento tm os olhos vendados.


TRAIO. De Nelson Rodrigues. Adaptao e direo de Gabriela Linhares. Com a Cia. Dupl. No Teatro Crowne Plaza. Rua Frei Caneca, 1.360, So Paulo, SP. Fone (11) 3289-0985. Sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h. R$ 30. At 11/6.

Escrito por Mauro Fernando s 12h34
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"Um Homem um Homem"





O alemo Bertolt Brecht (1898-1956) escreveu Um Homem um Homem na dcada de 1920, durante a ascenso do nazismo. Provou, por meio de uma parbola, que possvel desmontar e remontar um homem como se faz com um automvel, por exemplo. Galy Gay, homem ingnuo que no sabe dizer no, sai de casa para comprar um peixe e, sim aps sim, acaba por transformar-se no soldado mais sanginrio do exrcito britnico. Essa metamorfose de identidade demonstra, como o ttulo da pea sugere, a reduo do homem a nmero num mundo em que um qualquer um, em que h o esfacelamento da identidade prpria.

Sob a direo de Paulo Jos, o Grupo Galpo est em cartaz no Sesc Anchieta, em So Paulo, com a comdia Um Homem um Homem. histria: quatro soldados, Jesse Mahoney (Beto Franco), Uriah Shelley (Eduardo Moreira), Polly Baker (Paulo Andr) e Jeraiah Jip (Rodolfo Vaz), assaltam um templo para comprar bebida. Jip fica preso numa armadilha; se o temido Sargento Fairchild (Arildo de Barros) descobre sua ausncia, os outros trs sero punidos severamente. Galy Gay (Antonio Edson) o sujeito ideal a ser cooptado. Mahoney, Shelley e Baker, com a ajuda da viva Begbick (Simone Ordones), conseguem fazer com que o pacato Galy Gay assuma a identidade de Jip.

Paulo Jos evita uma encenao dogmtica o que comea j na adaptao, com a transformao do exrcito britnico em estadunidense e a mudana do local das operaes militares, da ndia para o hipottico Urbequisto, cuja capital Dagb. Alm disso, h a substituio da venda de um elefante artificial pela venda da galharufa, uma falsa arma aluso ao inexistente armamento nuclear de Saddam Hussein, pretexto para a invaso do Iraque.

A adaptao no trai o original: vem-se com nitidez na montagem do Galpo, to caros a Brecht, a denncia do processo de alienao do homem na sociedade burguesa e os petardos dirigidos ao regime capitalista. Como o dramaturgo alemo, no elimina definitivamente a emoo, mas trata de elev-la compreenso e crtica, num processo de esclarecimento do pblico sobre o funcionamento da sociedade e a necessidade de transform-la.

E no se esquece de que uma das influncias de Brecht a comdia popular. O espetculo gil e mantm franca comunicao com a platia. A sonora interpretao de Ins Peixoto para a Sra. Galy Gay e o prlogo, com o grupo tocando o delicioso tema de A pera dos Trs Vintns (de Brecht e Kurt Weill), so provas disso. Assim como os elementos cnicos de teatro de rua e circo que o Galpo j est acostumado a utilizar.


UM HOMEM UM HOMEM. De Bertolt Brecht. Adaptao livre e direo de Paulo Jos. Com o Grupo Galpo. No Sesc Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245, So Paulo, SP. Fone (11) 3234-3000. Quintas a sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 15 a R$ 30. At 23/4.

Escrito por Mauro Fernando s 11h47
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"O Fingidor"





Um dos maiores poetas da lngua portuguesa, Fernando Pessoa (1888-1935) publicou apenas um livro, Mensagem, em 1934. Sua obra totaliza cerca de 1,2 mil poemas e mais de 3,5 mil pginas de prosa, a maioria editados postumamente. Em vida, deixou em jornais e revistas aproximadamente 300 poemas e 130 textos em prosa. O reconhecimento artstico do autor de poemas como O Guardador de Rebanhos (sob o heternimo Alberto Caeiro), Tabacaria e Lisbon Revisited (sob o heternimo lvaro de Campos) e Isto e Autopsicografia veio somente aps sua morte.

O Fingidor, pea que deu a Samir Yazbek o Prmio Shell de autor em 1999, joga luz sobre as emboscadas preparadas contra o artista pelos segmentos da sociedade desinteressados em compreender a dimenso de uma obra de arte. O tema continua relevante, justificando a nova temporada da montagem, que comea na sexta-feira (31/3) no Tuca, em So Paulo. A pea discute a condio do artista na sociedade contempornea, que no sabe discernir o que arte e o que puro entretenimento e no a valoriza, afirma Yazbek, que dirige o espetculo. Em outras palavras: o sistema em que vivemos explora menos o valor da obra que o retorno publicitrio ($) que ela pode gerar na mdia.

O texto cria uma fico sobre os ltimos dias de Fernando Pessoa, diz o autor e diretor. Pessoa (Hlio Ccero) resolve se disfarar e tentar uma vaga de datilgrafo oferecida pelo crtico literrio Jos Amrico (Douglas Simon). Em meio a isso, h os heternimos do poeta, Alberto Caeiro (Antnio Duran), lvaro de Campos (lvaro Motta) e Ricardo Reis (Eduardo Semerjian), alm da governanta do crtico, Amlia (Mariana Muniz). A pea procura discutir a recepo da obra e do artista a partir da relao de Pessoa com o crtico e com a governanta. Ele est em busca do reconhecimento dos dois.

A angstia do criador diante do reconhecimento de sua obra no deixa de ser uma situao vivenciada por Yazbek. O texto projeta preocupaes minhas, coisas pelas quais passei e vi muita gente passar, reconhece. Mas garante no trabalhar em O Fingidor com aspectos autobiogrficos todo artista que faz das grandes questes humanas sua matria-prima est sujeito a essa condio. A recepo de uma obra [na nossa sociedade, a do espetculo] se pauta pela visibilidade, pela superfcie, mais pelo que ela aparenta ser que pelo que ela realmente . O papel da arte despertar [para esse questionamento] as pessoas que ficaram sem referncias. E o teatro tem uma importncia fundamental nisso.

O autor e diretor conta que tentou colocar o espetculo em cartaz novamente no ano passado, o 70 da morte de Pessoa, mas s agora obteve patrocnio. Em 2002, O Fingidor viajou para o Festival Internacional de Teatro de Expresso Ibrica, em Porto (Portugal). Em 2004, a Editora tica, por intermdio do Programa Nacional de Biblioteca da Escola, do Ministrio da Educao, distribuiu o texto para 475 mil alunos da rede pblica de ensino. Yazbek lana em 12 de abril, no prprio Tuca, volume da Coleo Aplauso, da Imprensa Oficial, que inclui O Fingidor, A Terra Prometida (de 2001) e A Entrevista (de 2004), suas peas de maior repercusso.


O FINGIDOR. Texto e direo de Samir Yazbek. Com Hlio Ccero, Douglas Simon, Mariana Muniz, lvaro Motta, Antnio Duran, Eduardo Semerjian, Edgar Castro, Marcelo Diaz e Talita Castro. No Tuca. Rua Monte Alegre, 1.024, So Paulo, SP. Fone (11) 3670-8455. Sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 30. At 7/5.

Escrito por Mauro Fernando s 16h33
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Cia. de Danas de Diadema


"C Tinha um Sonho que se Tornara Pessoas e Ruas..."



A diretora geral da Cia. de Danas de Diadema, Ana Bottosso, defende com unhas e dentes o Projeto Oficinas Difuso e Formao em Dana, de carter scio-cultural e mantido em parceria com a Prefeitura de Diadema por meio de uma triangulao com a Associao Projeto Brasileiro de Dana. Desenvolvido em Diadema desde 1995, quando foi criada a companhia, o projeto contabiliza uma mdia anual de 700 pessoas (principalmente crianas e adolescentes) atingidas pelo poder de modificao da arte. E engloba tambm o Mo na Roda, ncleo dirigido por Luis Ferron dedicado a deficientes fsicos, alm de outro cujo alvo a terceira idade.

Oficinas permanentes gratuitas e apresentaes dos alunos e da companhia formam a base do projeto. Ana nega que, das duas vertentes incluso social e formao artstica e de platias trabalhadas por 19 artistas nos dez centros culturais da cidade, uma seja mais importante que a outra. So casadas, uma no existiria sem a outra. Essa troca com a comunidade que alimenta a companhia, de onde tiramos os motes e a inspirao das coreografias. As relaes humanas intrnsecas ao projeto tm o mesmo peso que os resultados mostrados no palco: uma maneira de trabalhar que faz voc ver o outro. O projeto obriga voc a valorizar a vida do outro.

Nesta quarta-feira (29/3), no Centro Cultural Diadema, a companhia mostra trechos de espetculos em repertrio a fim de revelar os planos para 2006 e celebrar a obteno de patrocinadores (Heraeus Electro-Nite e Brasmetal Waelzholz, empresas sediadas em Diadema) por meio da Lei Rouanet, de renncia fiscal. O Mo na Roda apresenta um esboo de seu prximo trabalho, ainda sem ttulo. Crianas tambm mostram seu potencial em coreografias criadas para elas.

A Cia. de Danas de Diadema j tem engatilhada nova montagem, cuja pr-estria est marcada para maio. Sob a direo artstica de Ana, Fernando Machado assina a concepo coreogrfica de Quixotes do Amanh, que faz uma analogia com a reciclagem de lixo. Assim como o lixo se transforma por meio da reciclagem, a arte modifica o homem. O ttulo uma referncia a Dom Quixote [personagem do escritor espanhol Miguel de Cervantes], que transformava, por exemplo, moinhos em monstros, diz Ana. O grupo tem agendadas em So Paulo (capital e interior) e no Rio de Janeiro, de maio a julho, apresentaes de seus trabalhos mais recentes, C Tinha um Sonho que se Tornara Pessoas e Ruas... (de Alessandra Fioravanti, Eloy Rodrigues, Fernando Machado e Lvio Lima) e Sala de Espera (de Luis Arrieta).


APRESENTAO DO PROJETO OFICINAS - DIFUSO E FORMAO EM DANA, DA CIA. DE DANAS DE DIADEMA. No Centro Cultural Diadema. Rua Graciosa, 300, Diadema, SP. Fone (11) 4056-3366. Dia 29/3, s 19h. Entrada franca.

Escrito por Mauro Fernando s 19h21
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"O Cabar dos Quase-Vivos"




Dirigido por Luiz Andr Cherubini, o Grupo Sobrevento completa neste ano seu 20 aniversrio. Uma das companhias brasileiras de teatro de bonecos mais respeitadas, j se apresentou na Europa, Amrica Latina e frica com montagens para adultos e crianas. O Cabar dos Quase-Vivos a pea para adultos que a trupe apresenta a partir de sexta-feira (31/3) no Centro Cultural So Paulo, na capital paulista.

Nmeros de cabar, com mgica, canto e dana, e cenas com bonecos compem o espetculo, que o Sobrevento planeja h dois anos. O processo importante para ns. Somos um grupo de pesquisa. Lemos uma variedade grande de textos de cabar, [Bertolt] Brecht [1898-1956] e [Franz] Kafka [1883-1924], diz Cherubini. De Brecht, que colocou em prtica uma teoria de renovao total do teatro, o grupo apreendeu a dramaturgia do afastamento, o chamado distanciamento que prope ao espectador o despertar da observao crtica pelo abandono da iluso sentimental. A pea trata da desigualdade social no compreendida pelos que so bem de vida e alienados.

So duas estruturas paralelas: os elegantes e divertidos artistas do cabar dividem o palco com os bonecos cuja trajetria cnica dramtica e pungente. Ao logo da encenao, os artistas se revelam cruis e superficiais. Enquanto os bonecos so quase vivos, os artistas no so to vivos assim. So frios, secos e cnicos, no conseguem entender a humanidade dos bonecos, que so pessoas comuns, afirma o diretor. A histria envolve um homem pobre que no consegue sustentar a famlia, apesar de lutar para isso, e vai parar na cadeia.

O cabar se alterna com os bonecos para criar o distanciamento, revela Cherubini. No se corre o risco, assim, de dirigir o espectador para uma leitura s? No, responde. Provocamos uma viso mais aberta porque os atores do cabar no fazem comentrios diretos ao dos bonecos. Aos poucos, o pblico percebe a viso de mundo estreita dos artistas.

O perfeccionismo na manipulao dos bonecos, que gera um efeito de encantamento, no esconde as entrelinhas do texto? Com a palavra, o diretor: No, at reforas certas coisas, como o confronto entre a humanidade dos bonecos e a falta de humanidade dos atores. Essa beleza, que traidora porque acaba por mostrar quem so os artistas, aproxima o pblico, fazendo com que ele se envolva. Essa plasticidade tambm move o que queremos dizer.

[Mais informaes abaixo.]

Escrito por Mauro Fernando s 14h28
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"O Cabar dos Quase-Vivos"




Em O Cabar dos Quase-Vivos, cinco integrantes do Grupo Sobrevento trs msicos convidados tambm esto em cena lidam com cerca de 40 bonecos. H aqueles com que a companhia nunca havia trabalhado: tteres de varo, boneco de ventrloquo e autmatos. Mudamos as tcnicas a cada espetculo, afirma o diretor Luiz Andr Cherubini. Alm deles, h os de papel, com os quais a trupe est acostumada.

Os tteres de varo so como marionetes de fio, mas tm varas de ferro pesadas que pedem um controle firme e tm uma dinmica prpria. Os autmatos so bonecos mecnicos movidos a motor e por meio de fios. Fizemos oito prottipos para chegar no boneco de ventrloquo, que tem movimentos de boca, olhos e plpebras. Enquanto os de varo e os autmatos tm efeito mais cmico, os de fio so mais dramticos, diz Cherubini.

O diretor conta que, a fim de aperfeioar, limpar e corrigir certos aspectos da montagem, o grupo fez vrias apresentaes na Zona Leste paulistana antes de estrear no Centro Cultural. Os movimentos dos bonecos so realistas e precisos. Todos so talhados em madeira e de difcil confeco, h uma tcnica sofisticada que embute contrapesos de chumbo. O espetculo est tecnicamente muito afinado. As sesses em teatros de Centros Educacionais Unificados (CEUs) tambm serviram para perscrutar as reaes de um pblico diferente daquele que o grupo ver na temporada do Centro Cultural.

Nesses vinte anos de Sobrevento, Cherubini revela que aprendeu a humildade do ofcio e da arte. H essa coisa que parece glamourosa, mas preciso cultivar o nosso artesanato. No adianta criar uma superestrutura que aliena. Carregamos peso, confeccionamos os bonecos, subimos escadas. E isso o que garante nossa relao com o trabalho. O artista deve ter o sonho de construir algo que vai alm do dinheiro. Claro que gostaria de ter mais estabilidade [financeira], mas no sonho ter, materialmente, mais do que j possuo. Quero manter uma vida digna e continuar a fazer teatro.


O CABAR DOS QUASE-VIVOS. Dramaturgia do Grupo Sobrevento. Direo de Luiz Andr Cherubini. Direo Musical de Pedro Paulo Bogossian. Com o Grupo Sobrevento. No Centro Cultural So Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, So Paulo, SP. Fone (11) 3277-3651. Sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h. R$ 12. De 31/3 a 7/5.

Escrito por Mauro Fernando s 14h24
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"Dois Irmos", de Qorpo-Santo




QUADRO SEGUNDO

CENA PRIMEIRA

LEVA-REMOS (entrando em uma sala com aparncia ou semelhana de loja; para o caixeiro) O senhor tem roupa feita?
ROSCLIA (caixeiro) Sim, senhor. (Sobe uma escada e apresenta no balco algumas caixas, abrindo-as.) Eis aqui da melhor que h.
LEVA-REMOS (tirando, vestindo, despindo, mirando-se num espelho; para o caixeiro) Uma est larga, outra comprida, esta curta, aquela apertada... Finalmente: qual o menor preo por que vende cada uma?
ROSCLIA O senhor bem falto de conhecimento. bem impertinente! Pois no v que esta cala (pegando-a) lhe est boa?! Que melhor quer? O colete, no h alfaiate que lhe possa fazer igual. Agora que mais quer? Leve este casaco (pegando em uma pea da obra, que no era casaco, mas camisa), isto lhe est bom! Muito bom! Ande e no paga nada!
LEVA-REMOS ( parte) Que generosidade de amigo. Amanh (apontando com o dedo polegar) mandar-me- a conta casa; e se eu no a pagar, no dia seguinte o meirinho! Pensa que ainda no o conheo! Para c vem bem, de carro, sege ou carrinho!
ROSCLIA Ento no quer? No servem?

Escrito por Mauro Fernando s 14h57
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