ROTUNDA


O NAMORADOR OU A NOITE DE SO JOO (MARTINS PENA)


Martins Pena



ATO NICO


O teatro representa uma chcara. No fundo, a casa de vivenda com quatro janelas rasgadas e uma porta para a cena. A casa dentro estar iluminada, deixando ver pelas janelas vrias pessoas danando ao som de msica, outras sentadas e alguns meninos atacando rodinhas. esquerda, no primeiro plano, a casinha do feitor, a qual, sendo saliente sobre a cena, ter uma janela larga para frente do tablado e uma porta para o lado; debaixo da janela haver um banco de relva. No canto que faz a casinha, um monte de palha; direita, no mesmo plano da casinha, uma carroa. Defronte da porta da casa, uma fogueira ainda no acabada; mais para frente, o mastro de S. Joo, e dos lados deste, um pequeno fogo de artifcio constando de duas rodas nas extremidades e de fogos de vista e coloridos, que sero atacados a seu tempo. A cena alumiada pela lua, que se v sobre a casa por entre as rvores.


CENA I

RITINHA com um copo com gua na mo, e CLEMENTINA com um ovo.

RITINHA S nos falta esta adivinhao. J plantamos o dente de alho, para v-lo amanh nascido; j saltamos trs vezes por cima de um tio...

CLEMENTINA E j nos escondemos detrs da porta, para ouvirmos pronunciar o nome daquele que vir a ser teu noivo.

RITINHA Vamos do ovo. (Clementina quebra o ovo na beira do copo e deita a clara e gema dentro da gua.)

CLEMENTINA Agora d c, (toma o copo) e ponhamo-lo ao sereno.

RITINHA Para qu? Explica-me esta, que eu no sei.

CLEMENTINA Este ovo, exposto ao sereno dentro da gua, vai tomar uma forma qualquer, por milagre de S. Joo. Se aparecer como uma mortalha, sinal que morreremos cedo; se tomar a figura de uma cama, prova que nos havemos de casar este ano; e se se mostrar debaixo da forma de vu de freira, certo agouro que viveremos sempre solteira. (Pe o copo sobre o banco de relva.)

RITINHA O melhor no indagarmos isso.

CLEMENTINA Tens receio?

RITINHA A esperana, quando mais no seja, alimenta. Se eu tivesse a certeza que nunca acharia um noivo, no sei o que faria.

CLEMENTINA Pois eu tenho a certeza que o acharei.

RITINHA Podes dizer isso, s bonita...

CLEMENTINA Tambm o s.

RITINHA Mas s rica, e eu no; e esta pequena diferena muda muito a questo. s filha nica e teu pai possui esta bela chcara e outras muitas propriedades. Ali dentro esto alguns moos que porfiam em te agradar; est nas tuas mos escolheres um para noivo. E eu posso dizer outro tanto?


Escrito por Mauro Fernando s 15h30
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O PRODGIO DO MUNDO OCIDENTAL





A diferena entre o real e o fantasioso o principal tema em discusso na comdia O Prodgio do Mundo Ocidental, do irlands John M. Synge (1871-1909), que estria neste sbado (6/5) no Sesc Ipiranga, em So Paulo. Dirigidos por Ariela Goldmann, compem o elenco Alejandra Sampaio, Andrea Dupr, Antonio Destro, Daniel Warren, Dinah Feldman, Fernanda Viacava, Jorge Cerruti, Maristela Chelala, Rose de Oliveira, Tales Vinicius, Walmir Pavam e Wilton Andrade.

Christy (Pavam) foge para uma pequena comunidade depois de matar seu pai, Mahon (Cerruti). L recebido como um prodgio, pois seu ato tratado como um feito corajoso. Quando Mahon aparece Christy pensa ter matado, mas depois percebe que seu imaginrio que criou o fato , as coisas mudam porque as pessoas passam a ver o jovem de outra maneira.

Para Ariela, a delgada distncia que separa o real do imaginrio um problema da nossa poca. As pessoas fantasiam as outras e quando se confrontam no sabem o que fazer. Em funo da fantasiam que criam, cada vez ficam mais pudicas no afeto. E a fantasia cria intolerncia quando a realidade se mostra decepcionante. Isso gera um nvel de violncia que pode ser grande, tanto no plano coletivo quanto no individual, diz.

Andrade, que interpreta Jimmy, um habitante da aldeia, concorda com a diretora. Vivemos no sculo do desapego afetivo. As pessoas tm medo de se relacionar. Possuem 300 amigos no [site de relacionamentos] Orkut mas nenhum pessoal. No tm nada palpvel, tudo iluso. Esto muito preocupadas com a embalagem: no tm prazer em ler um bom livro, mas tm em ir ao shopping mostrar uma imagem fake.

Ariela convocou para a montagem atores que no constituem uma companhia de investigao de uma determinada vertente teatral so provenientes de experincias variadas. J trabalhei em grupo [de pesquisa de linguagem] e tenho o maior respeito por isso, mas gosto da idia de misturar pessoas. Uma famlia tende a ter relaes meio repetitivas. A beleza de um jardim est na diversidade das flores. Gosto de trabalhar nesse esprito, afirma.


O PRODGIO DO MUNDO OCIDENTAL. De John M. Synge. Direo de Ariela Goldmann. Com Alejandra Sampaio, Andrea Dupr, Antonio Destro, Daniel Warren, Dinah Feldman, Fernanda Viacava, Jorge Cerruti, Maristela Chelala, Rose de Oliveira, Tales Vinicius, Walmir Pavam e Wilton Andrade. No Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822, So Paulo, SP. Fone (11) 3340-2000. Sbados e domingos, s 20h. R$ 3 a R$ 10. Temporada em maio e julho.


Escrito por Mauro Fernando s 18h30
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BAR





Carol, Marina e Mrio so trs jovens de classe mdia que, como a maioria, gostam de ir a bares. Certa noite, conversam sobre filmes de ao que se passam em bares. Papo vai, papo vem, comea uma discusso mais sria e eles se separam. Cada um por si, tem incio uma peregrinao madrugada adentro por botequins, descortina-se um mundo de diferenas sociais em que convivem a dificuldade de comunicao e a solido. Ento os trs, personagens de Bar, comdia do grupo Os Subterrneos em cartaz a partir deste sbado (6/5) na Casa 7, em Santo Andr, perdem as mscaras e se revelam.

A montagem tem sua origem em pesquisa sobre bares paulistanos orientada por Antonio Arajo, Jos Eduardo Vendramini, Patrcia Noronha e Rubens Rewald, professores da Escola de Comunicaes e Artes (ECA) da USP. O diretor do espetculo (Jorge Pezzolo), os atores (Camila Cristina, Ivan Ribeiro e Renata Rgis) e os roteiristas (Caroline Pra, Marcus Barreto e Natlia Esteves) trabalharam em regime colaborativo para estre-lo em dezembro do ano passado.

Bar congrega integrantes dos cursos de direo teatral (Departamento de Artes Cnicas da ECA) e do audiovisual (Departamento de Cinema, Rdio e Televiso da ECA). Pezzolo conta as dificuldades enfrentadas durante o processo: Havia um material vasto recolhido na pesquisa que precisou ser reformulado, j que os roteiristas escreveram cenas como se uma cmera enquadrasse tudo. Tivemos de transform-las em teatro. Quem faz teatro no est acostumado quela construo de frases, o texto no podia ficar duro na boca dos atores. E o desenvolvimento do pensamento dos personagens diferente em teatro.

Os bares mais chiques freqentados para a pesquisa denunciaram algumas caractersticas gerais que provocaram uma certa perplexidade. Notamos uma solido imensa. Foi comum encontrarmos duplas ou trios que no se gostavam, que mantinham rivalidades. Parece que no estavam l para se divertir, e no entendamos o porqu, afirma o diretor. Tambm houve certezas que nortearam o trabalho. Independentemente do estilo de vida, careta ou transgressor, falta comunicao ao ser humano.

Se a pea mostra o vazio de contedo das pessoas, como diz Pezzolo, cabe platia, se tiver conscincia disso, o poder da mudana. O espectador senta na mesma mesa dos personagens e observa se eles so semelhantes a ele. Isso, vale lembrar, em chave de comdia. O pblico se move pelos ambientes cnicos criados dentro da Casa 7, sede de uma cooperativa de artistas. H desde um bar elegante at um boteco decorado com aqueles banners de divas de cervejas, passando por uma boate. Alm do trio de protagonistas, que conduzem a narrativa, os atores interpretam personagens circunstanciais, como o segurana da boate, prostitutas e um bbado.


BAR. Dramaturgia de Os Subterrneos. Roteiro de Caroline Pra, Marcus Barreto e Natlia Esteves. Direo de Jorge Pezzolo. Com Camila Cristina, Ivan Ribeiro e Renata Rgis. Na Casa 7. Praa Rui Barbosa, 32, Santo Andr, SP. Fone (11) 4438-8745. Sbados, s 23h. R$ 5. At 27/5.


Escrito por Mauro Fernando s 18h20
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OS 120 DIAS DE SODOMA





Um reflexo sobre a apatia e sobre as conseqncias dela de uma sociedade submissa e calada. Segunda parte da trilogia da Cia. Os Satyros sobre a obra de Donatien Alphonse Franois de Sade (1740-1814), o Marqus de Sade, Os 120 Dias de Sodoma entra em cartaz nesta sexta-feira (5/5) no Espao dos Satyros 2, em So Paulo. Rodolfo Garca Vzquez, Prmio Shell de Teatro de So Paulo de 2005 na categoria diretor por A Vida na Praa Roosevelt, assina a adaptao e a direo da pea. Os 120 Dias de Sodoma d seqncia a A Filosofia na Alcova e antecede Juliette de Sade, com estria prevista para agosto.

Os 120 Dias de Sodoma um romance inacabado, escrito por Sade enquanto ele estava preso na Bastilha. A maior parte das passagens do livro so sugeridas, conta Vzquez. Quatro libertinos do incio do sculo XVIII resolvem bancar quatro meses de orgias. Para tanto, seqestram oito rapazes e oito moas e convocam um squito, que inclui quatro contadoras de histrias, para compartilhar com eles o festim. Para cada ms h uma contadora de histrias, que dizem respeito a um assunto. Ento, so quatro ciclos: paixes simples, complexas, criminosas e assassinas.

O Duque de Blangis, o Bispo Blangis, Curval e Durcet so os libertinos que ocupam cargos de importncia na escala social e no tm noo do bem comum. Na adaptao, diz Vzquez, o Duque um representante de grandes proprietrios de terras exploradores de mo-de-obra escrava, de conglomerados financeiros. O Bispo, seu irmo, um religioso dono de uma rede de TV e deputado federal. Curval um magistrado especializado em dar sentenas favorveis a traficantes e em ajudar em contratos ilcitos para a construo de prdios. Durcet um ministro especializado em grandes falcatruas, representa o poder da burocracia.

Os quatro se associam para extrair do povo o mximo de prazer, fazer dele suas vtimas, afirma o diretor. As situaes apontam para o Brasil atual. No necessria uma leitura muito profunda para fazer uma relao direta. Inexistem no espetculo, porm, menes explcitas a personagens especficos que freqentam o nosso cotidiano por intermdio dos veculos de comunicao: No h uma crtica ao PT, ao PSDB ou a quem quer que seja. A crtica condio do Pas, a onde ele chegou. Isso que acontece hoje fruto de uma conjuntura por trs da qual h uma estrutura que o grande problema.

O cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) lanou sua adaptao para o livro de Sade, Sal ou Os 120 Dias de Sodoma, nos anos 1970. O longa-metragem no tem a ver com a pea, garante Vzquez. Pasolini situa seu filme dentro de uma ditadura na qual o indivduo no tem autonomia diante do governante. Na nossa montagem no abordamos a questo do totalitarismo. A pea trata de como, numa democracia contempornea, pode-se usurpar o poder em benefcio prprio e destruir vidas mesmo vivendo em uma sociedade na qual todos tm direito a criticar e exigir.


Os 120 Dias de Sodoma. De Marqus de Sade. Adaptao e direo de Rodolfo Garca Vzquez. Com Os Satyros. No Espao dos Satyros 2. Praa Franklin Roosevelt, 124, So Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Quintas a sbados, s 21h, e domingos, s 20h30. R$ 35. At 27/8.


Escrito por Mauro Fernando s 19h36
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DUAS TBUAS E UMA PAIXO - O TEATRO QUE EU VI





Alm de orientar o leitor, a crtica tem o papel de rascunho da histria, assim como a Imprensa em geral, afirma Maria Lcia Candeias. Ela lana na quinta-feira (4/5), na Livraria da Vila, em So Paulo, Duas Tbuas e uma Paixo O Teatro que Eu Vi (Imprensa Oficial, R$ 9), coletnea de crticas publicadas entre 1997 e 2000 na Gazeta Mercantil.

O ttulo uma referncia a William Shakespeare (1564-1616), que usou a expresso duas tbuas e uma paixo para ilustrar o que necessrio para fazer teatro. Volume da Coleo Aplauso, o livro no traz as crticas em ordem cronolgica elas esto agrupadas por assuntos, como teatro poltico, teatro voltado para minorias e polticas culturais. O jornal edita as crticas de Maria Lcia desde 1996 a coletnea se encerra em 2000 porque o trabalho da Coleo Aplauso dirigido a coisas histricas, no a recentes.

Comdias polticas e convencionais, peas identificadas com as lutas das mulheres, dos homossexuais e dos negros esto entre as montagens analisadas por ela. No so novidades [em termos estticos], mas o prosseguimento de coisas que j existiam, conta. Atualmente h uma mania, da qual no gosto muito, de criaes coletivas por gente que no tem muita experincia e se diverte mais que a platia.

Tenho a tendncia de analisar mais os diretores, j que o teatro se realiza no espetculo, no na literatura, revela. No me detenho muito sobre o ator porque o teatro efmero. O trabalho do ator no teatro no como no cinema, que j est pronto. Maria Lcia v, em mdia, trs peas por semana. No cansa? Vicia.

J enfrentou situaes desagradveis por conta de suas opinies, como quando um cengrafo mandou uma carta para a [revista] Isto [para a qual escreveu nos anos 1980] pedindo a minha cabea. Mas saia justa, mesmo, quando vou a uma pea de amigos, no gosto e eles querem que eu publique uma crtica, diz.

A crtica destaca no livro peas dirigidas por Antunes Filho e Marcio Aurelio, alm de Vozes Dissonantes, de Denise Stoklos (protesto de esquerda dos mais bem escritos e contundentes do teatro brasileiro), e a atuao de Paulo Autran (que desmontou todo mundo, uma coisa maravilhosa) em Visitando o Sr. Green. Ela defendeu na USP mestrado sobre a fragmentao da personagem e doutorado sobre o autor sueco August Strindberg (1849-1912) e leciona na Unicamp h vinte anos. Desligou-se das comisses julgadoras do Prmio Shell de Teatro de So Paulo e da APCA (Associao Paulista dos Crticos de Artes) no fim do ano passado.


Duas Tbuas e uma Paixo O Teatro que Eu Vi. De Maria Lcia Candeias. Lanamento em 4/5, a partir das 18h30. Na Livraria da Vila. Rua Fradique Coutinho, 915, So Paulo, SP. Fone (11) 3814-5811.


Escrito por Mauro Fernando s 21h19
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AS RELAES NATURAIS (QORPO-SANTO)


Qorpo-Santo



ATO QUARTO


CENA SEGUNDA


ELAS (umas para as outras) Preparemos-nos para pregar um susto neste mariola! J que ele no quer obedecer aos nossos chamados espirituais e aos das outras mulheres, j que preguioso, vaidoso, ou orgulhoso, ao menos lhe preguemos um susto!

TODAS Apoiado! Apoiadssimo! Ou ele h de ser obediente s Leis, ou havemos de enforc-lo, ainda que seja s por alguns momentos e divertimento! Deixemos ele vir.

(Preparam uma corda e tudo o mais que as pode auxiliar para tal fim; conversam sobre os resultados e conseqncias de sua empresa e o que faro depois. Entretanto, entra o criado com ele em figura forte de papelo, abraado para poder acompanh-lo; e esta a terceira cena.
Cumprimentam-se todos muito alegremente; e conversam.
)

UMA DELAS (para o criado) Ora muito bem! J se v quanto bom viver conforme as relaes naturais. Eu gosto de mingau de araruta ou de sagu, por exemplo, como; e porque est relacionado com certo jovem a quem amo; ele aqui me aparece, e eu o gozo! J se v pois que, vivendo conforme elas, em duplicata!

OUTRA verdade, Mana; eu, como a comida de que mais gosto coco e porque este se relaciona com certo amigo de meu pai, ele tambm aqui vir, e o meu prazer no ser s de paladar, mas tambm aquele que provm do amar!

OUTRA Pois eu, como o que mais aprecio chocolate, beb-lo-ei, beb-lo-ei; e por idnticas razes gozarei dele e de quem no quero dizer! Mas o diabo que assim ficam sem coisa alguma!

MARIPOSA Pois eu, como gosto muito do meu criado, e ele mel de abelha, j se sabe o que eu de hoje em diante hei de sempre comer ou beber! (Para o marido de papelo.) E o senhor, senhor Tralho, que no quis acompanhar-nos nas relaes naturais, importando-se sempre com direitos, no vendo que o prprio direito autoriza, dizendo que cada um pode viver como quiser e com quem quiser, h de ficar aqui pendurado para eterna glria das mulheres e exemplo final dos homens malcriados! Contamos (para o criado) com teu auxlio.


Escrito por Mauro Fernando s 18h59
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OS TRS MDICOS (MARTINS PENA)


Martins Pena



CENA III

MARCOS E LINO


LINO O que queres de mim?

MARCOS J l se vo trinta anos que nos conhecemos! Amigos velhos! No te bastava esse ttulo, queres estreit-lo mais.

LINO Oh, tua filha um anjinho. Faz-me muito feliz. E consente ela?

MARCOS Consentir, porque ama-me e respeita.

LINO Oh, que contentamento! Que linda esposinha!

MARCOS E preciso apressarmos este negcio.

LINO Quanto antes! Oh, que dia ser para mim!

MARCOS Quero deixar-lhe um amparo neste mundo que cedo deixarei...

LINO Ora, deixa-te disso! Ainda vivers, e muito, para veres os teus netinhos correrem por esta sala.

MARCOS Conheo o meu estado...

LINO Histria...

MARCOS Sabes tu, Lino, o que para o homem um temor contnuo, que por toda a parte o persegue, que noite o faz despertar banhado em suores frios, que no meio de parentes e amigos o traz sempre assustado e receoso e que o ameaa com a desonra?

LINO Pois que vai?

MARCOS Escuta-me, amigo, devo descobrir-te um segredo e patentear-te assim a causa deste meu mal. H mais de quarenta anos que nos conhecemos; foste testemunha de minha louca e esperdiada mocidade... Rico e sem parentes que me guiassem, vi-me cercado de amigos. Amigos!...

LINO Tratantes...

MARCOS Que pagavam-me com perniciosos exemplos e conselhos a fortuna que me ajudavam a desperdiar.

LINO Quimistas!

MARCOS Tu eras a nica exceo.

LINO E por isso brigavas sempre comigo...


Escrito por Mauro Fernando s 18h53
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