ROTUNDA


NA PELE DE JOSEF K





Josek K obtém um emprego, e o processo de admissão revela diversas surpresas. Há um mundo de situações e personagens insólitas, ele recebe a notícia da própria morte, perde-se em um labirinto de informações fragmentadas e de versões diferentes de um mesmo fato, acontece um crime. Produção da Cia. de Teatro em Quadrinhos dirigida por Beth Lopes, Na Pele de Josef K estréia nesta sexta-feira (12/5) no Teatro Fábrica São Paulo. Luís Cabral assina o texto.

Beth revela que a inspiração para essa comédia vem do trabalho do escritor Franz Kafka (1883-1924), autor das obras-primas A Metamorfose e O Processo: “As situações absurdas se assemelham ao universo kafkiano. Josef K é um auxiliar contábil, possivelmente competente, que sofre as pressões referentes à condição de desempregado. Quando consegue um emprego, encontram em sua ficha um carimbo que diz que ele está morto. A peça é uma brincadeira com a burocracia, um entrave para o desenvolvimento pessoal na sociedade”.

Numa atmosfera non sense, Josef K se encontra na firma – a mesma que o havia despedido e o readmitiu – com o carimbador, com o gerente geral, com a secretária. O assassinato é o do próprio Josef K. A partir daí começa um julgamento. “Cada personagem tem sua história, e uma delas é a culpada. Há pistas deixadas para que o espectador banque o detetive”, afirma a diretora.

Os quatro atores (Aura Cunha, Eduardo Mossri, Leonardo Moreira e Maria Helena Chira) interpretam todas as personagens e alternam representação e narração. “Falam delas mesmas e contam o que acontece com as outras personagens”, diz Beth. Isso não pode confundir o público? “Pode, mas procuramos fazer com que não confunda: há recursos como os figurinos, os ganchos do texto, as ações características e as movimentações específicas das personagens, que têm identidade clara.”


NA PELE DE JOSEF K. De Luís Cabral. Direção de Beth Lopes. Com a Cia. de Teatro em Quadrinhos. No Teatro Fábrica São Paulo. Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Sextas e sábados, às 21h30, e domingos, às 20h30. R$ 20. Até 4/6.


Escrito por Mauro Fernando s 20h25
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CULTURA INGLESA FESTIVAL


Nós, Elas e Eu



A programação do 10º Cultura Inglesa Festival engloba seis linguagens artísticas (artes visuais, cinema digital, dança, música pop, teatro adulto e teatro infantil), abrange 19 cidades dos Estados de São Paulo e do Paraná e se estende até 6/6. Nós, Elas e Eu é o primeiro dos três espetáculos de dança a entrar em cartaz – produção do Grupo Dança Povera, estréia nesta sexta-feira (12/5) no Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo.

“Recebemos 45 projetos de dança”, conta o coordenador de produção do festival, Laerte Mello. A comissão formada por Inês Bogéa, Karla Dunder e Renata Melo se encarregou da seleção. Os três (A Pé – Walking the Line e Relevo são os demais) buscam inspiração no artista plástico inglês Richard Long. “É uma coincidência”, diz Mello. “É legal ver como um artista inspira espetáculos esteticamente bem diferentes, ver como as artes visuais dão diversas leituras para a mesma obra.”

Cada grupo recebeu R$ 24 mil para montar um espetáculo inédito. “A idéia é estimular artistas jovens, mas se o prêmio abarca gente já conhecida é sinal de que ele é bom”, afirma Mello. Os trabalhos cumprem três apresentações e depois ficam livres para seguir carreira. “O festival é um trampolim. Por exemplo: Gárgulas [da Borelli Cia. de Dança] viajou bastante e Adiana Grecchi foi premiada pela APCA [Associação Paulista de Críticos de Artes, por Por que Nunca me Tornei um/a Dançarino/a].”

Long ganhou projeção internacional na década de 1970 por fazer esculturas com materiais coletados durante longas caminhadas na África e em países como Austrália, Canadá, Japão e Suíça. A base de seu trabalho está na utilização de galhos de árvores, pedaços de madeira e pedras para a confecção de obras de caráter contemplativo ao ar livre, a maioria em formas circulares.

Nós, Elas e Eu se debruça sobre os percursos particulares de três bailarinos (Gabriela Gonçalves, Lara Pinheiro e Fernando Rocha). Dividida em três atos, a montagem demonstra a singularidade de cada uma das trajetórias. A conexão com a obra de Long está na valorização do processo de caminhar e viver a experiência individual de cada percurso.

A Pé – Walking the Line é o espetáculo concebido e dirigido por Key Sawao que investiga a influência do tempo e dos elementos encontrados no ambiente no trabalho de Long. A coreografia procura mostrar como a passagem do tempo – andar, observar, refletir, coletar materiais – é fundamental para a ação criativa do artista plástico.

Revelo, da Confraria da Dança, concentra-se no caráter contemplativo da obra de Long e propõe ao espectador um olhar sobre si mesmo por meio do retorno à terra – convida à reflexão sobre a interferência do ser humano no planeta. Ao realizar caminhadas no brasileiríssimo cerrado, o grupo traçou um paralelo à prática do artista britânico.


12 a 14/5:
NÓS, ELAS E EU. Direção e concepção de Lara Pinheiro. Criação e interpretação de fernando Rocha, Gabriela Gonçalves e Lara Pinheiro.

19 a 21/5:
A PÉ – WALKING THE LINE. Concepção e direção de Key Sawao. Criação e interpretação de Key Sawao e Ricardo Iazzetta.

26 a 28/5:
RELEVO. Concepção de Diane Ichimaru e Marcelo Rodrigues. Criação e interpretação de Marcelo Rodrigues. Direção artística de Diane Ichimaru.


No Centro Britânico Brasileiro. Rua Deputado Lacerda Franco, 333, São Paulo, SP. Fone (11) 3032-4888. Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h. Ingresso: um livro usado.


Escrito por Mauro Fernando s 20h21
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MEMÓRIA DAS COISAS





O iracundo zelador de teatro Bocarrão voltou. Personagem de Masteclé – Tratado Geral da Comédia, montagem de 2001 da Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes, Bocarrão dá as boas-vindas ao público de Memória das Coisas, a peça do grupo que estréia neste sábado (13/5) no Teatro Fábrica São Paulo. Engraçado mesmo sem sabê-lo, logo avisa: “Coordenarei o espetáculo e interferirei quando julgar necessário! Bom divertimento! Nem mais que o necessário para não transformar a peça numa balbúrbia, nem menos que é para não frustrar os atores!”.

Memória das Coisas começa na sala 1 do teatro. Bocarrão conduz os espectadores para o pavimento inferior, onde as cadeiras dispostas em semicírculo os esperam. É a primeira montagem da companhia que não foi concebida para palco italiano. “Dizem que o teatro contemporâneo exige espaço pouco convencional, mais sensorial, um espaço de relações novas entre público e espetáculo, onde o público, vocês, sejam sacudidos, entendem?, da relação estável e passiva do espetáculo comum! Uma interação mais efetiva entre o palco e a platéia, entendem?”, justifica.

Trata-se da montagem mais experimental da companhia, fundada em 1993 em razão do projeto Comédia Popular Brasileira, cujos mentores são o dramaturgo Luís Alberto de Abreu e o diretor Ednaldo Freire e que tem como base a cultura popular. A trupe mergulha mais fundo em sua pesquisa sobre a narrativa épica. “Há um aprofundamento no teatro épico”, confirma Abreu.

No prólogo, Bocarrão dispara com seu engraçadíssimo mau humor: “Isso aqui é um espetáculo narrativo, cuja realização é impossível se não contar com a imaginação do público. Por isso, comprometam-se, desde já, a imaginar tudo que os narradores da Fraternal [Aiman Hammoud, Edgar Campos, Luti Angelelli e Mirtes Nogueira] sugerirem”. “Isso significa a presença de personagens narradores que promovam uma ampliação do repertório de imagens dos espectadores, proporcionando-lhes mais possibilidades de elevar a emoção ao racionínio”, antecipou o Rotunda em texto publicado em 19/2.

Além disso, o grupo “quase abandona completamente a comédia”, como diz Abreu. Bocarrão (Edgar Campos) é o contraponto cômico dessa peça caracterizada pela fragmentação dramatúrgica. Ele se incumbe de organizar o cruzamento dos personagens que povoam a memória do Homem (Aiman Hammoud) com os que pertencem à memória do Arco do Presídio Tiradentes – as coisas, pelo valores simbólicos que carregam, suscitam lembranças. Ao se deparar com esse monumento localizado na Avenida Tiradentes, em São Paulo, o Homem, pessoa comum na faixa dos 50 anos, é subitamente atacado por imagens.


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 21h47
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MEMÓRIA DAS COISAS





Memória das Coisas pode provocar no espectador a impressão de que o Homem ou Bocarrão ou o Arco é o protagonista. O dramaturgo Luís Alberto de Abreu crava a primeira alternativa, embora explique que “no gênero épico o protagonista tem menos importância que no dramático” e que cabe a Bocarrão “alinhavar as unidades de ação independentes que existem na peça”.

São várias histórias nas quais irrompem personagens como Mulher, Amolador, Carcereiro, Prisioneira e Pintor (saídos do Arco) e Eva e Vizinho (trazidas pelo Homem), além do Fantasma e de dois clowns, o Cínico e o Tolo. As personagens do Arco não fazem parte da memória do Homem, mas de alguma forma todos se encontram a fim de levantar a questão principal do espetáculo.

O Homem chegou aos 50 anos e, nas palavras do Fantasma, “trocou a grande aventura da vida pelo ramerrão do dia-a-dia, desculpando a si mesmo por cada omissão, justificando cada pequena vileza e, esquecido de tantos tesouros, acumulou como avarento cada pequena moeda que lhe caía nas mãos”. Abreu refere-se a quem poderia ter sido algo mas não quis ser, enterrou os sonhos em nome do pragmatismo: “um cínico, não um tolo”.

O dramaturgo parte do pressuposto de que o homem de 50 tem mais poder que o jovem. “Aos 50 anos, o homem já consegue obter posições de mando, seja como diretor de escola, delegado, gerente de empresa, pai de família”, afirma. “É uma crítica a toda uma geração, a quem aos 50 começa a usufruir do poder e não deixa nada para as gerações futuras. Continuar lutando é uma obrigação.”

É lícito ao público centrar o foco no mundo político atual, ainda que o autor não entregue a crítica somente nesse endereço. O homem maduro que trai as crenças de sua juventude ainda terá de prestar contas a seus fantasmas – exatamente como em Memória das Coisas. Essa condenação das “pessoas que se omitem, que se ocultam, que dizem 'o mundo está aí, não posso fazer nada'”, por sinal, confirma a postura profundamente humanista de Abreu.


MEMÓRIA DAS COISAS. De Luís Alberto de Abreu. Direção de Ednaldo Freire. Com a Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. No Teatro Fábrica São Paulo. Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Sábados, às 19h, e domingos, às 18h. R$ 20. Até 1º/10.


Escrito por Mauro Fernando s 21h41
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EMMA GOLDMAN: AMOR, ANARQUIA E OUTROS CASOS





Nostra patria il mondo entero/Nostra legge la libert..., diz uma antiga cano anarquista italiana. Nascida na Litunia, a judia Emma Goldman (1869-1940) tambm carregou nas veias a utopia libertria impulsionada pela imaginao subversiva, pelo internacionalismo e pela solidariedade.

Militou no movimento anarquista estadunidense de 1889 at 1919, quando foi deportada depois de 16 condenaes priso uma delas por pregar o amor livre, outra por opor-se ao alistamento militar para a Primeira Guerra Mundial e todas por pensar e falar o que pensava. Decepcionou-se com o autoritarismo do Estado sovitico, lutou com a esquerda na Guerra Civil Espanhola, escreveu livros sobre anarquismo e teatro e morreu no Canad.

Intransigente defensora da liberdade de expresso, Emma uma das figuras anarquistas mais importantes do sculo XX. E sua atuao transcendeu o panfleto poltico apaixonada por teatro, introduziu as dramaturgias do noruegus Henrik Ibsen e do sueco August Strindberg nos Estados Unidos.

Mesmo depois de deportada, ela voltou aos Estados Unidos para dar palestras sobre o teatro moderno, afirma a atriz Agnes Zuliani, que interpreta Emma no espetculo solo Emma Goldman: Amor, Anarquia e Outros Casos. A pea entra em cartaz no Espao dos Satyros, em So Paulo, no domingo (14/5).

Em meio atividade anarco-sindicalista, Emma encontrou tempo para exigir liberdade sexual para a mulher. Muitas das reivindicaes do movimento feminista de 1968 ela j fazia em 1914, diz Agnes. Foi uma mulher muito avanada para o perodo em que viveu, e muito incompreendida tambm. Nos Estados Unidos, seu nome reconhecido facilmente at hoje, sua fama de incendiria permanece. E defendeu os direitos dos homossexuais.

A autora de Emma Goldman: Amor, Anarquia e Outros Casos, a estadunidense Jessica Litwak, e o diretor da montagem, Rodrigo Garcia, acentuam a modernidade do que Emma dizia, conta Agnes. Ela discutia questes que vivenciamos at hoje, como o papel da mulher, o autoritarismo e a violncia. Para ela, o Estado (qualquer forma de governo) violento. Por isso, o anarquismo, que combate o Estado, no pode ser favorvel violncia.

O texto cobre, basicamante, o perodo em que Emma viveu nos Estados Unidos. Embora princpios anarquistas estejam presentes A religio o domnio sobre a mente humana, a propriedade o domnio sobre as necessidades humanas e o governo o domnio sobre a conduta humana , eles no so o mote do espetculo. No proscnio esto as paixes, os dramas e as alegrias que movem o ser humano.


EMMA GOLDMAN: AMOR, ANARQUIA E OUTROS CASOS. De Jessica Litwak. Direo de Rodrigo Garcia. Com Agnes Zuliani. No Espao dos Satyros. Praa Franklin Roosevelt, 214, So Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Domingos, s 20h30, e segundas, s 21h. R$ 20. At 26/6.


Escrito por Mauro Fernando s 21h52
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A(U)TORES EM CENA





Tinha essa idia h um tempo, conta o idealizador e curador do projeto A(u)tores em Cena, o escritor Marcelino Freire. A idia dar voz literatura brasileira: fazer com que autores (poetas ou prosadores) sejam as personagens de seus prprios textos. A partir desta sexta-feira (12/5), escritores sobem ao palco do Ita Cultural, em So Paulo, para mostrar seus trabalhos sob a orientao de um diretor de teatro.

A(u)tores em Cena um trabalho de direo. O grande mistrio que espetculo ser feito, como o diretor resolver a timidez do autor, que tem de ser o protagonista, diz Freire. Alm dele, que atuar sob a direo de Heron Coelho, participam do projeto Marcelo Montenegro (dirigido por Mrio Bortolotto), Chacal (sob a direo de Rodolfo Garca Vzquez) e Fernando Bonassi (dirigido por Lucienne Guedes), entre outros nomes da literatura contempornea. A diversidade a marca do elenco.

Montenegro um dos representantes da chamada nova gerao. Tem dois livros de poesia publicados (De Soslaio e Orfanato Porttil) e mais um a caminho, videomaker (co-dirigiu dois clipes para o cantor e compositor Edvaldo Santana, Ruas de So Miguel e Batelage) e j possui ligao com teatro. Alm de ter co-dirigido Dirio das Crianas no Poro, documentrio sobre a mostra do Grupo Cemitrio de Automveis realizada em 2002 no Centro Cultural So Paulo, assina a luz e a trilha (com Fernanda D'Umbra) de O Mtodo, a luz (com Bortolotto) de Chapa Quente e a trilha de O Homem que Queria Ser Rita Cadilac, trs produes da trupe.

Sua poesia est relacionada a um certo modo de vida, de enxergar o mundo. Os amigos que tm um jeito autntico de levar a vida me influenciam. So pessoas que sofrem, mas quando se divertem, divertem-se muito mais, diz. Nutre uma predileo por extrair a ternura das coisas que aparentemente no tm ternura e por um pouco de melancolia. A amizade de pessoas que escolheram um modo mais honesto de viver, que no vo atrs de convenes lhe um sentimento caro.

Essencialmente urbano, seu trabalho procura uma sntese forte da linguagem com o contedo. No me toca a poesia que se preocupa muito com a forma e no diz nada. No gosto de coisas puramente formais. Aprecia a poesia imagtica. No imagtica, corrige, cinematogrfica. Evidentemente, h uma preocupao com o ritmo, a musicalidade.

[Mais informaes abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 16h26
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A(U)TORES EM CENA

O diretor Mrio Bortolotto escolheu os cinco textos de Marcelo Montenegro que estaro no palco do Ita Cultural dentro do projeto A(u)tores em Cena: trs poesias que abordam basicamente a amizade e dois contos cmicos. Alm de Montenegro, entraro em cena Mariana Leme, Andr Ceccato, Walter Figueiredo e o prprio Bortolotto. Concebidas por Robson Timteo, projees de imagens em telo no o tempo todo, para no desviar a ateno do texto, frisa o autor fornecem a ambientao.

O primeiro conto sobre um f de Roberto Carlos. Trs senhoras um dia batem porta dele para colher sua assinatura para um abaixo-assinado que pede para Roberto Carlos voltar a cantar depois de uma pausa na carreira. Ele as manda passear, mas depois, pensando no fora que tomou da namorada, resolve produzir um disco do cantor, revela Montenegro. O segundo uma espcie de continuao, com o protagonista do primeiro acompanhado por dois amigos.


Programao

12/5, s 19h30
I Ato: Marcelo Montenegro, poeta, dirigido por Mrio Bortolotto
[Intervalo]
II Ato: Cntia Moscovich, prosadora, dirigida por Irene Brietzke

13/5, s 19h30
I Ato: Chacal, poeta, dirigido por Rodolfo Garca Vzquez
[Intervalo]
II Ato: Marcelino Freire, prosador, dirigido por Heron Coelho

14/5, s 19h
I Ato: Micheliny Verunschk, poeta, dirigida por Alberto Guzik
[Intervalo]
II Ato: ndigo e Ivana Arruda Leite, prosadoras, dirigidas por Fernanda D'Umbra
[Intervalo]
III Ato: Fernando Bonassi, prosador, dirigido por Lucienne Guedes

No Ita Cultural. Avenida Paulista, 149, So Paulo, SP. Fone (11) 2168-1700. Entrada franca. (Retirar senha meia hora antes do incio da programao.)


Escrito por Mauro Fernando s 16h17
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LAVANDERIA BRASIL





O diretor Moacir Chaves normalmente trabalha com projetos autorais O Sermo da Quarta-Feira de Cinzas (com Pedro Paulo Rangel), Bugiaria (com Or Figueiredo), Utopia (com Josie Antello) que revelam uma marca pessoal. Desta vez, ele recebeu convite da produo de Lavanderia Brasil, comdia de costumes de Miguel Paiva e Z Rodrix que estria em So Paulo nesta sexta-feira (12/5), no Teatro Procpio Ferreira, com elenco formado por Felipe Camargo, Marcos Breda, Marlia Medina e Paula Burlamaqui.

Fui contratado, diz Chaves. Aceitei porque [a pea] algo que faz sentido. claro que uma comdia comercial, mas tem um componente cido. Um olhar desatento pode v-la como uma srie de esquetes de programa humorstico, mas sua estrutura fragmentria interessante, com cenas que no tm interdependncia. No se trata de uma comdia de gabinete, o cenrio limpo e os padres no so realistas. Topei pelo prazer da brincadeira.

A pea uma diverso cida que trabalha a questo da inconseqncia da elite. Parece que o casal segue a teoria do medalho, de Machado de Assis. Para se manter o status quo, preciso ser leviano e raso, afirma. Esta a grande tragdia brasileira: a venalidade da elite, que sabe sair inclume e resguardar-se de qualquer medida econmica, que no paga imposto.

O diretor garante, porm, que inexiste lio de moral em Lavanderia Brasil. O que h a percepo de uma determinada forma de ver o mundo. Tambm rechaa tratar-se de uma comdia oportunista, associada aos acontecimentos que culminaram na abertura de trs CPMIs no ano passado e ainda agitam o meio poltico: Vivemos um momento de clareza dos intestinos do poder, mas ela no explora isso.

O casal Cludio e Janete constata uma progressiva perda em seu padro de vida. Ele esteve prximo de vrios episdios da histria brasileira que envolveram desvio e/ou desperdcio de verba pblica, mas no se aproveitou disso para enriquecer no por honestidade, mas por inpcia. Ela uma perua que em dado instante resolve assumir o comando das finanas domsticas e passa a aplicar pequenos golpes at montar uma empresa de lavagem de dinheiro.

Os quatro atores interpretam as duas personagens, s vezes simultaneamente. J que as cenas no tm interdependncia, no h uma ligao de necessidade entre uma e outra: so episdios da vida do casal. H projees em telo entre elas. um telejornal que tem os prprios atores como ncoras e no qual pululam notcias de carter absurdo que tm alguma ligao com a realidade brasileira, explica.


LAVANDERIA BRASIL. De Miguel Paiva e Z Rodrix. Direo de Moacir Chaves. Com Felipe Camargo, Marcos Breda, Marlia Medina e Paula Burlamaqui. No Teatro Procpio Ferreira. Rua Augusta, 2.823, So Paulo, SP. Fone (11) 3083-4475. Sextas, s 21h30, sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 30 a R$ 50. At 4/6.


Escrito por Mauro Fernando s 17h27
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