ROTUNDA


O CIGANO (MARTINS PENA)


Martins Pena



ATO ÚNICO


Sala ordinária. Porta no fundo e à esquerda; uma mesa no meio da sala e, à direita, no fundo, uma cômoda. É noute.


CENA 1


Ao levantar do pano, ISABEL, BÁRBARA e SILVÉRIA estarão cosendo, sentadas ao redor da mesa.


ISABEL, cosendo e cantando – Maliciosos
Os homens são;
Enganadores
Por condição.

AS TRÊS, em coro – Os homens querem
Sempre enganar;
Nós nos devemos
Acautelar.

ISABEL, só – Quando nos querem,
São uns cordeiros;
Depois se tornam
Lobos matreiros.

AS TRÊS, em coro – Os homens querem
Sempre enganar;
Nós nos devemos
Acautelar.

ISABEL – São lobos, são.

BÁRBARA – E a culpa temos nós.

SILVÉRIA – Pobres cordeirinhas, tão mansas para serem devoradas por esses danados.


Escrito por Mauro Fernando s 11h07
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EU SOU VIDA; EU NÃO SOU MORTE (QORPO-SANTO)


Qorpo-Santo



ATO PRIMEIRO


(Lindo, Linda e Japegão.)


LINDA (cantando) – Se não tiveres cuidado,
Algum cão danado
Te há de matar,
Te há d’estraçalhar!

LINDO – Eu sou vida;
Eu não sou morte!
É esta minha sorte;
É esta minha lida!

LINDA – Ind’assim, toma sentido!
Vê que é tudo fingido:
Não creias algum louvor:
Sabei: – Te trará dor!

LINDO – Se desrespeitará
A vida minha?
A desse, asinha,
– Ao ar voará!

LINDA – Não te fies, meu Lindinho,
Dos que te fazem carinho,
Crê que te devoram
Os lobos; e não coram!

LINDO – Sabei, oh, Lindinha:
Os que me maltratam
A si se matam:
Tu ouves, Anjinha!


Escrito por Mauro Fernando s 21h02
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A GUERRA DOS CALOTEIROS





Há quem entende o fazer teatral como uma atividade produtiva, com todos os aspectos formais que regem uma empresa, inclusive os hierárquicos – o operário opera a máquina e o diretor dirige a engrenagem, a bilheteira não dá palpite sobre o preço do ingresso. Há quem o concebe como uma atividade criativa e sintonizada com a realidade que nos cerca, o que leva a uma reflexão sobre a sociedade.

Em cartaz no Teatro Fábrica São Paulo com A Guerra dos Caloteiros, a Cia. Ocamorana é um dos grupos que não se satisfaz em oferecer à platéia entretenimento fugaz para espíritos tão preocupados com a moda da estação. Trabalha essa peça, a primeira de uma trilogia, dentro de princípios brechtianos – o que significa promover a razão em detrimento da comoção.

A Guerra dos Caloteiros versa sobre o sistema capitalista. Pinça o episódio histórico da chegada dos holandeses ao Recife no século XVII a fim de discutir o capitalismo em seus primórdios e tecer conexões com a atualidade. O embate dominador-dominado passa tanto pelas relações pessoais – quando, por exemplo, o chefão Van Ceulen elogia a subalterna Glete dizendo ser ela “fiel e ignorante” e, portanto, “perfeita” – quanto pelo mundo dos negócios.

Ainda que não haja soluções cênicas revolucionárias e o espetáculo prescinda de uma ou outra cena, A Guerra dos Caloteiros é uma dessas montagens que divertem e, ao mesmo tempo, elevam o pensamento – como toda boa peça. Recheado de um humor sutil, o texto – levado com competência pelo elenco, que conhece bem seu ofício – analisa a gramática capitalista a partir dos interesses da Companhia das Índias Ocidentais, apresentada como pioneira entre as empresas transnacionais.

As diferenças culturais entre colonizadores e colonizados e religiosas entre calvinistas e católicos murcham diante da ameaça de redução de lucros. Se o trabalho escravo e o tráfico negreiro são incompatíveis com a fé sincera, por outro lado trazem dividendos. As contradições, assim, fazem-se necessárias para a compreensão de um mecanismo social que perdura – e, conseqüentemente, para a compreensão do nosso tempo.

O que a platéia faz das conclusões que tira, porém, é de sua total responsabilidade. O espetáculo não propõe a ela a sublevação ou, ao contrário, a atitude conformista de quem acha impossível transformar o planeta porque as-coisas-são-assim-desde-sempre-e-não-vale-a-pena-tentar-mudar – apenas convida a pensar. E nisso está um grande mérito.


A GUERRA DOS CALOTEIROS. De Iná Camargo Costa e Márcio Boaro. Direção de Márcio Boaro. Com a Cia. Ocamorana. No Teatro Fábrica São Paulo. Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Sextas e sábados, às 21h30, e domingos, às 20h30. R$ 20 e R$ 25. Até 30/7.


Escrito por Mauro Fernando s 18h47
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A PEDRA DO REINO





No cartaz, na fachada do Sesc Anchieta, em So Paulo, est escrito: Teatralizao de Antunes Filho. diferente de adaptao, que fao quando pego Eurpedes, explica o diretor, que adaptou Media, do poeta trgico grego, em 2001 e 2002. Teatralizao quando pego um romance e coloco em cena, mudo de gnero. Pois bem. Antunes teatralizou dois livros de Ariano Suassuna (Romance dA Pedra do Reino e o Prncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de 1971, e Histria dO Rei Degolado nas Caatingas do Serto: ao Sol da Ona Caetana, de 1977): A Pedra do Reino estria nesta sexta (21/7) para o pblico.

O diretor conta que tentou montar A Pedra do Reino em 1983 e que tentou retomar o projeto nos anos 1990, sem que as empreitadas tivessem chegado ao tablado. Em 2005 a soluo me veio mais madura, refiz tudo. Talvez as coisas tenham amadurecido em meu inconsciente. difcil encontrar a sntese de oitocentas e tantas pginas em uma hora e meia de espetculo. Esta a sntese da sntese.

Para Antunes, Guimares Rosa (Grande Serto: Veredas) o maior autor brasileiro moderno e Suassuna (Auto da Compadecida), o contemporneo. E A Pedra do Reino sua grande escritura, entre peas e romances. Quaderna [o protagonista] um dos maiores personagens da literatura brasileira, o que oferece mais contradies e complexidade, est no mesmo nvel de Macunama [de Mrio de Andrade], de Policarpo Quaresma [de Lima Barreto].

Quaderna relembra suas faanhas aps ser preso por subverso pelo Estado Novo (1937-1945), o perodo em que Getlio Vargas fez do Brasil uma ditadura. Quaderna conta muitas histrias. Selecionei o lado picaresco [travesso e astuto, em chave cmica]. um personagem dramtico que se esconde em uma mscara picaresca. um rei palhao, afirma o diretor.

Por intermdio de Quaderna, passam em cena o tenentismo [movimento poltico brasileiro que agregou de 1922 a 1934 oficiais jovens das Foras Armadas], a Coluna Prestes [liderada pelo comunista Lus Carlos Prestes, ex-integrante do tenentismo que percorreu parte do Pas em operaes militares revolucionrias de 1925 a 1927], Vargas. A gente v o Brasil. O espetculo tem a poesia e a sintaxe de Suassuna e, simultaneamente, o Brasil maravilhoso com todas as suas chagas, que est na iminncia da UTI com toda essa desmoralizao do Congresso. preciso acariciar esse paciente. O pblico vai sair repensando o Pas, embora a pea no diga qual o caminho, no aponte a sada.

Antunes procurou interpretar a obra com a maior honestidade possvel, j que todo livro termina no leitor, no no autor. O espetculo fiel essncia do romance, mas contm um aspecto de traio. Trabalhei com o seguinte binmio: a liberdade que tenho como leitor e a fidelidade como respeitador de Suassuna. O mais importante que gostaria de, com a pea, prestar uma homenagem beleza e poesia que ele coloca em sua obra. Quero agradecer a esse grande artista. No mundo corrupto e destrutivo em que vivemos, ter essa pessoa da maior relevncia. Ele um dos gurus deste Brasil sofrido.

Depois de trs experincias em espao no convencional Media, Media 2 e O Canto de Gregrio, de Paulo Santoro , o diretor adaptou Antgona, de Sfocles, em palco italiano. A Pedra do Reino tambm apresentada em palco tradicional. As peripcias de Quaderna surgem em um palco nu no h cenrio. A concepo baseada nos vitalinos [figuras esculpidas em barro que retratam a cultura nordestina]. Nada melhor que a rotunda preta para valorizar essas formas, a arte nordestina, realar as cores do Nordeste.

Vinte atores formam o elenco Lee Thalor interpreta o protagonista. Dos nomes que o espectador est acostumado a ver na ficha tcnica dos espetculos mais recentes de Antunes, apenas o de Geraldo Mrio consta em A Pedra do Reino. O CPT [Centro de Pesquisa Teatral, mantido pelo Sesc] no tem elenco fixo. Quanto mais renovar, melhor. O papel do Sesc ampliar conhecimento, cultura, gosto artstico. Nossos espetculos no visam ao consumismo. um teatro de amor desinteressado, diz.


A PEDRA DO REINO. De Ariano Suassuna. Teatralizao de Antunes Filho. Com CPT/Grupo Macunama. No Sesc Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245, So Paulo, SP. Fone (11) 3234-3000. Sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 10 a R$ 20.


Escrito por Mauro Fernando s 19h00
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UM MARIDO IDEAL e O MARIDO VAI CAA!


Um Marido Ideal



O Marido Vai Caa!



Uma obra do irlands Oscar Wilde (1854-1900) pode soar mais conservadora que uma do francs Georges Feydeau (1862-1921) depende do tratamento que se d a ela. O escritor, dramaturgo e poeta irlands rompeu com os cnones da tradio e foi severamente punido por transgredir a sociedade que criticava com boas doses de sarcasmo e acidez em sua literatura. O dramaturgo francs se notabilizou por comdias de poder de agresso bem inferior, embora de tramas bem urdidas.

Wilde tambm usou o humor corrosivo a fim de abalar os pilares da sociedade de sua poca, e sua obra permanece atual. Autor de estilo refinado, o irlands ops-se hipocrisia dos sales freqentados pela empfia empedernida da nobreza e pela frivolidade inconseqente da burguesia. Em comdias nada tolas como Um Marido Ideal e A Importncia de Ser Prudente, Wilde ataca a sociedade com requintada e perfurante ironia.

Feydeau elevou a carpintaria teatral do vaudeville, gnero nascido no sculo XVIII a partir do cancioneiro de Oliver Basselin, um menestrel francs do sculo XV, e apoiado na engenhosa armao de conflitos cmicos confuses, revelaes inesperadas e situaes que mudam repentinamente constituem a cartilha a ser seguida. Hoje entendido como entretenimento ftil, visto por alguns como de fundo escapista o que afugenta espectadores mais exigentes , o vaudeville consagrou autores como os franceses Eugne Scribe (1791-1861) e Eugne Labiche (1815-1888).

H em So Paulo duas comdias que se valem da estrutura do vaudeville, Um Marido Ideal, de Wilde (direo de Victor Garcia Peralta), e O Marido Vai Caa!, de Feydeau (direo de Cac Rosset), e que revertem expectativas quanto aos autores. V-se um Wilde montado de forma conservadora e um Feydeau, ao contrrio, com um certo frescor decorrente da saudvel volpia de brincar de teatro.

No h em Um Marido Ideal, to usuais em espetculos do gnero, a correria frentica de personagens que buscam fugir de sucessivas arapucas e o vaivm de portas batendo mesmo porque as portas foram abolidas do cenrio. Mas essa aparente fuga da tradio no esconde, com atuaes na trilha do realismo-naturalismo, o conservadorismo em que se sustenta a montagem, to palatvel para o chamado gosto mdio que faz a alegria das bilheterias.

Com interpretaes que namoram a farsa, Rosset e a trupe do Teatro do Ornitorrinco (Christiane Tricerri, Ariel Moshe, Octvio Mendes, Javert Monteiro) ridicularizam, pela afetao com que traam seus personagens, os tipos que levam ao palco. E satirizam a prpria sociedade. Ouvem-se ecos do Pai Ubu de Ubu, Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes (dos anos 1980, auge criativo do grupo) e o espetculo demora um pouco para engrenar, mas O Marido Vai Caa! possui o germe da provocao.


O MARIDO IDEAL. De Oscar Wilde. Direo de Victor Garcia Peralta. Com Herson Capri, Silvia Pfeifer, Edwin Luisi, Vanessa Gerbelli, Jacqueline Laurance, Lafayete Galvo e Larissa Bracher. No Teatro Procpio Ferreira. Rua Augusta, 2.823, So Paulo, SP. Fone (11) 3083-4475. Sextas e sbados, s 21h30, e domingos, s 19h. R$ 30 a R$ 50. At 8/10.

O MARIDO VAI CAA!. De Georges Feydeau. Direo de Cac Rosset. Com o Teatro do Ornitorrinco. No Tuca, Rua Monte Alegre, 1.024, So Paulo, SP. Fone (11) 3670-8455. Sextas, s 21h30, sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 30 e R$ 40. At 20/8.


Escrito por Mauro Fernando s 19h36
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