ROTUNDA


LEONCE E LENA





Bchner pode ser considerado o primeiro dramaturgo coerente do teatro do absurdo. Acautelemo-nos, porm, com as palavras. Esse teatro, como tem sido praticado, confunde-se s vezes com um certo escapismo, o cruzar de braos diante da impotncia ante as foras dominantes do mundo. Nesse sentido, a designao no se aplica a Bchner, afirma Sbato Magaldi em texto no qual esmia Woyzeck, a pea mais conhecida de Georg Bchner (1813-1837), escrito em 1963 e publicado no volume O Texto no Teatro.

Em Dicionrio do Teatro Brasileiro, obra coordenada por J. Ginsburg, Joo Roberto Faria e Mariangela Alves de Lima: (...) encontra-se, no decorrer desse sculo XIX, na dramaturgia singular de Georg Bchner, um uso dramtico da funo narrativa, de extrema importncia para as formulaes tericas posteriores, desenvolvido nas teorias do teatro pico do sculo XX.

lcito, portanto, apresentar Bchner, autor de A Morte de Danton, Leonce e Lena e Woyzeck, como o proprietrio de uma das dramaturgias que mais influenciaram o teatro moderno. Em sua poca, no foi reconhecido. No Brasil do sculo XXI, Fernando Bonassi adaptou Woyzeck Cibele Forjaz dirigiu e Matheus Nachtergaele e Marclia Cartaxo atuaram. Gabriel Villela dirige Leonce e Lena, que cumpre trs ensaios abertos nesta semana antes de estrear em 4/8 na Unidade Provisria do Sesc Avenida Paulista, em So Paulo.

Nos trs ensaios abertos (26, 27 e 28/7), Villela, o elenco, o cengrafo JC Serroni, a tradutora Christine Rhrig e a diretora musical Babaya recebem o pblico para um bate-papo aps a apresentao. Na quinta (27/7), Maria Alice Vergueiro, uma das atrizes mais importantes do panorama teatral paulista, estava na platia. Estou com dificuldade de teorizar diante dessa beleza, d vontade de voltar a fazer teatro, declara.

Pipocam perguntas. Villela explica que houve algumas alteraes no texto original. Substituiu o prlogo original por trechos de Hamlet, de William Shakespeare (1564-1616): Bchner faz citaes de Shakespeare, apenas trocamos o texto. H ainda duas inseres, uma de A Vida Sonho, de Caldern de la Barca [1600-1681], e outra de Celestina [ou Calisto e Melibea], de Fernando de Rojas [1470-1541]. As msicas indicadas pelo autor foram substitudas pelo cancioneiro popular brasileiro Rosa, de Pixinguinha, e Joo e Maria, de Chico Buarque, por exemplo.

Questionam se o humor presente na encenao est no texto ou surgiu a partir da primeira leitura, no trabalho de mesa. O diretor conta que Bchner escreveu uma comdia. A estrutura de comdia. Alis, Bchner critica a estrutura vigente das comdias, diz o ator Rodrigo Fregnan. Villela e Christine revelam que a pea foi escrita s pressas para um concurso de uma editora, mas o dramaturgo perdeu o prazo de inscrio e a recebeu-a de volta, sem que tivesse sido lida. O vencedor do concurso ficou preso na poeira do tempo.

Perguntam sobre as mscaras utilizadas pelo elenco. So da commedia delarte, do kabuki, h a mscara neutra, afirma o diretor. A idia romper com o baixo nvel de interpretao da TV, que dita um padro cafona. Sobre os figurinos, criao de Villela: Essa policromia est na arte brasileira, em [Arthur] Bispo do Rosrio, combina com a decupagem do raio de luz.

[Mais informaes abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 10h34
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LEONCE E LENA





A sinopse de Leonce e Lena: o prncipe Leonce (Luiz Petow), do Reino de Pop, est entediado. Acompanhado de Valrio (Srgio Mdena), o bobo, resolve fugir dos aborrecimentos da corte e do casamento arranjado com a princesa Lena (Ana Carolina Godoy), do Reino de Pipi. Em sua jornada, Leonce e Valrio se encontram casualmente com Lena e sua ama (Luciana Carnielli). Os dois jovens se apaixonam sem terem conhecimento de suas condies de prncipes.

Alm de satirizar figures da poltica brasileira atual, a montagem dirigida por Gabriel Villela aborda questes existenciais (como o tdio) e sociais (como a fome) do homem contemporneo. Construda com caixas de papelo, a cenografia monocromtica de JC Serroni lembra uma paisagem rida, uma situao em que a degradao (existencial e social) a tnica. Remete a um reino se desmanchando em bombas, nas palavras do prprio Serroni.


LEONCE E LENA. De Georg Bchner. Direo de Gabriel Villela. Com Luiz Petow, Ana Carolina Godoy, Luciana Carnielli, Srgio Mdena, Rodrigo Fregnan, Carlos Morelli, Adriano Suto, Ando Camargo, Priscilla Carvalho, Bruno Elisabetsky, Leonardo Diniz e Nbia Vilela. Na Unidade Provisria do Sesc Avenida Paulista. Avenida Paulista, 119, So Paulo, SP. Fone (11) 3179-3700. Quintas, s 17h, e sextas, sbados e domingos, s 20h. R$ 7,50 a R$ 20. De 4/8 a 24/9.


Escrito por Mauro Fernando s 10h28
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BRECHTIANAS KABARÉ





A cantora Tatiana Parra e o pianista André Mehmari, adoecidos, não puderam ir. A cantora Mônica Salmaso teve um problema de última hora e também não foi à aprazível casa que abriga os ensaios de Brechtianas Kabaré, localizada em um recanto do bairro paulistano Perdizes. A diretora Eugênia Thereza de Andrade achou melhor remarcar a sessão de fotos para divulgação de Brechtianas Kabaré, evento que homenageia o alemão Bertolt Brecht (1898-1956) e engloba esquetes e números musicais em um cabaré cenográfico concebido por José Dias.

Madalena Bernardes foi a primeira a chegar ao ensaio nesta terça-feira (26/7). Enquanto Eugênia, que assina a concepção geral e a direção de Brechtianas Kabaré, tratava de assuntos relativos à produção, Madalena já estava no primeiro andar da casa com os atores Carlos Alberto Escher e Marcelo Mello – este, também assistente de direção – para ensaiar um esquete. Começaram um trabalho de mesa informal, discutindo aspectos de um texto que Madalena interpretará.

“A poesia de Brecht vai contra a atmosfera de sonho do teatro burguês. A proposta do teatro brechtiano é antiaristotélica, o texto critica o teatro aristotélico que provoca a catarse”, diz Mello. Já com a presença de Eugênia, Madalena procura colocar ironia na interpretação. As duas ainda não haviam trabalhado juntas. “Ela é expressiva, não tem estereotipia”, afirma a diretora, que pede um tom mais coloquial a Madalena.

Em seguida é a vez de Escher apresentar para a diretora, pela primeira vez, o número em que faz um travesti. Coloca uma peruca, logo descartada por ela, um espartilho e sapatos altos. Filha de Eugênia, a atriz Mika Lins chega para ver como andam as coisas. Ambas pedem para o ator diminuir o ritmo acelerado da cena. “Não seja apressado”, recomenda a diretora. “É, estou um pouco ansioso”, revela Escher.

Então chegam a figurinista Yael Amazonas e seu assistente, Alexandre dos Anjos, com duas araras de roupas. São boinas, camisas, casacos, chapéus, espartilhos, luvas, saias, sapatos, sobretudos, ternos, vestidos – tecidos e estampas variados, cores fortes e sóbrias – para um teste de figurino. A essa altura, a cantora Luzia Dvorek, as atrizes Maíra de Andrade e Tuna Dwek e o músico Carlos Careqa já se juntaram ao grupo. Escher refaz o esquete com outro figurino – já está mais próximo do ideal.

Careqa senta ao piano e ensaia uma canção com Luzia. Eugênia pede que todos se agrupem para passar uma música: “Quem faz sua cama se deita / Pois ninguém vive só de mercê / E se alguém sai pisado na vida / Não sou eu, esse alguém é você”. Com o texto na mãos, Tuna, que interpreta a dona do cabaré, testa um sotaque peculiar. A pedido da diretora, Careqa apresenta uma divertida versão em alemão de Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu. Risos.

Brecht propôs um novo tipo de teatro, batizado de épico, em que importam menos as relações entre personagens e mais as forças econômicas, históricas e sociais que as regem – o que favorece a participação intelectual do público. É um dos nomes mais importantes do teatro de todas as épocas. “Infelizmente, ele é atual. O capitalismo está cada vez mais selvagem. No Brasil há trabalho escravo, prostituição infantil”, sintetiza Eugênia. Produção do Sesc-SP e do Jogo Estúdio, Brechtianas Kabaré vai de 17 a 27/8, no Sesc Pompéia, em São Paulo.


Escrito por Mauro Fernando s 23h09
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SENHORITA K





Sem pudores, ela pretende futucar a libido. Bem acomodada em um divã, Senhorita K está disposta a falar sobre sexo abertamente, sem travas na língua. E quer a platéia cheia. Criação de Fabiana Karfig, a personagem fica em cartaz no Teatro Fábrica São Paulo a partir de 1º/8. André Dias assina a direção da peça, na qual cinco atores interpretam diversas facetas da senhorita em questão. Uma beata, por exemplo. “São as personalidades dela”, afirma a autora e atriz.

Dos cerca de 30 contos eróticos escritos por Fabiana e reunidos em livro ainda não editado, oito estão em cena, na forma de monólogos. “[O projeto] Começou com uma brincadeira. Escrevi os contos baseada em histórias de amigos e os lia em barzinhos, sem pensar que poderiam virar um espetáculo”, explica.

Senhorita K “é uma mulher sofisticada e misteriosa, que não tem medo de falar sobre certas coisas nem de fazê-las, um misto de mistério com o poder de saber coisas que ninguém sabe”. Por ser apresentada em suas facetas, trata-se de “uma personagem que não existe totalmente”. Pode ser, então, “qualquer mulher que se veja no espelho e procure o que quer ser, o desejo, a sensualidade”.

Apesar de incrementar histórias reveladas por amigos, Fabiana reconhece que um tanto da inspiração necessária para escrever veio de si própria: “Logicamente, você usa a imaginação para criar, mas nesse ato sempre tem um pouco da gente, mesmo que esteja reprimido”. A maioria dos contos são provenientes de um ponto de vista feminino - “alguns mais picantes, porém, tentei escrever de um ponto de vista masculino”. “A diferença está no linguajar.”

Que o espectador não estranhe se um efeito cômico acompanhar o componente erótico de Senhorita K. “Falar em uma linguagem sexual livre pode ser engraçado, depende da entonação. É surreal a história da velha que revela como fez sexo anal. Há os contos mais sensuais e os mais divertidos”, diz. Nesse ponto entra, sempre sem pudores, o trabalho do ator, cuja missão é colocar no tablado sensualidade ou humor. Pornografia não atravessa a porta do teatro, esclarece Fabiana: “Tudo é simulação, para ficar na imaginação do público”.


SENHORITA K. De Fabiana Karfig. Direção de André Dias. Com Cristiane Madeira, Dora Bueno, Fabiana Karfig, Kamunjin Tanguelê e Roberto Aguiar. No Teatro Fábrica São Paulo, Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Terças, às 21h. R$ 20. Até 29/8.


Escrito por Mauro Fernando s 23h07
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TRÊS PAREDES E MEIA





Preso, Genet vai para o pátio tomar sol; é o momento em que pensa sobre suas criações literárias e revive fatos de sua vida e aspirações que deixou pelo caminho; é véspera de audiência; então, inspirado por suas personagens, ele dicide o que dirá no tribunal. Essa é a sinopse de Três Paredes e Meia, monólogo que leva Pedro Vieira ao Espaço dos Satyros Dois, em São Paulo, a partir de 3/8. Sérgio Pires e Emerson Rossini assinam, respectivamente, dramaturgia e direção.

Genet é mesmo o escritor francês Jean Genet (1910-1986), autor do romance Nossa Senhora das Flores e das peças As Criadas e O Balcão, entre outras obras nas quais retratou o universo marginal, incluindo o submundo gay. Homossexual e ladrão, criado por pais adotivos, Genet atraiu a atenção de intelectuais como Jean-Paul Sartre (1905-1980), que escreveu o ensaio Saint Genet: Ator e Mártir, sobre sua obra e vida.

Pires conta que a dramaturgia nasceu a partir dos ensaios, em um “processo de experimentação”: “Eu entregava fragmentos conforme eles [Vieira e Rossini] trabalhavam e depois ia costurando o texto, que é fragmentado. Mudei cenas em prol da direção, cuja concepção também é pautada pela iluminação [cênica]”. “Como Genet fala sobre o corpo como elemento de sedução e também de escárnio”, o projeto de luz trabalha com sombras, revelando partes do corpo ou o todo. Assim, “há uma fragmentação estética”.

Há na peça uma fusão entre Genet e suas personagens. “Principalmente por causa do Sartre, existe uma discussão em torno dos livros de Genet segundo a qual suas personagens são projeções de sua vida, de seus anseios. Em Nossa Senhora das Flores, ele coloca isso de maneira bem objetiva: em um trecho, a personagem dá como data de seu nascimento a mesma do autor. Não é uma coincidência, mas sim uma ironia. Em Três Paredes e Meia brinco com isso, percorrendo o caminho inverso, fazendo de Genet a projeção de suas personagens”, explica Pires.

Em cena surgem Genet, o travesti Divine, “por quem passam narrativas homossexuais”, e Ernestine, “por quem passa a personalidade da mãe verdadeira do autor”. “São personagens interpretadas por Genet. Elas não têm crise existencial, é a obra de Genet que provoca uma reflexão existencial”, afirma o dramaturgo. Vieira concentra-se na composição física, de gestos: “É uma questão mais corporal que emocional”, diz Pires. O dramaturgo rejeita os rótulos naturalismo e realismo para definir a trilha estética encampada pelo espetáculo: “Vai mais pelo caminho expressionista”.


TRÊS PAREDES E MEIA. Dramaturgia de Sérgio Pires. Direção de Emerson Rossini. Com Pedro Vieira. No Espaço dos Satyros Dois. Praça Roosevelt, 124, São Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Quintas, às 23h30, e sábados, às 19h. R$ 20. Até 30/9.


Escrito por Mauro Fernando s 23h03
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