ROTUNDA


LENDAS DA NATUREZA





Realizao do Grupo Faz e Conta, Lendas da Natureza traz Ana Lusa Lacombe como contadora de histrias e estria neste sbado (5/8) no TBC, em So Paulo. A pea recomendada para crianas a partir de 4 anos. Ana Lusa, que concedeu entrevista ao Rotunda por e-mail, traz tona o universo da floresta por meio de lendas indgenas. A encenao feita com adereos que misturam elementos naturais (sementes, palha e folhas) com lixo reaproveitvel (tampinhas, latas e garrafas).

So duas histrias, A rvore de Tamorumu e Begorotire, o Homem Chuva, com a presena de dois personagens do folclore nacional, Curupira e Boina. O Curupira um protetor da mata e de seus habitantes, com cabelos cor de fogo e ps com calcanhares para frente que confundem os caadores. Tambm conhecida como Cobra dgua, a Boina tem chifres pontudos e olhos de fogo e vive no fundo dos rios se algum maltrata a natureza, ela espera a noite chegar, sai do rio e pode se transformar num barco iluminado a fim de atrair as pessoas e lev-las para o fundo das guas.


[Mais informaes abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 14h34
[ ] [ envie esta mensagem ]


LENDAS DA NATUREZA





Como nasceu o projeto?

Em 2002, escrevi um livro junto com minha me, Anna Maria Lacombe, que psicopedagoga. O livro se chama Acender um Fogo - O Jogo e o Teatro na Escola e foi editado pela ONG Pr-saber para servir de material de apoio a professores e educadores populares. No livro, minha me apresenta a teoria da construo do pensamento segundo [o pedagogo e filsofo Jean] Piaget [1898-1980] de forma sucinta e ensina a confeccionar jogos para diferentes faixas etrias feitos de lixo reaproveitvel. A minha parte no livro so os jogos teatrais. Selecionei algumas lendas indgenas para servirem como base para a realizao desses jogos. O material desse livro virou uma exposio no Jardim Botnico do Rio de Janeiro. Durante a exposio, contei as duas lendas que esto no espetculo. Resolvi, ento, fazer o espetculo para sair um pouco do papel de arte-educadora e dar a minha viso artstica sobre esse material.

Por que falar sobre o folclore brasileiro?

Quando fui selecionar as histrias que serviriam de base para as atividades teatrais que propunha no livro, achei por bem escolher histrias brasileiras. Afinal, precisamos divulgar e valorizar o que nosso, claro que sem abrir mo de todas as outras influncias. O que no comeo foi uma escolha de educadora virou um interesse de artista. Comprei vrios livros com histrias indgenas e verifiquei que era um material riqussimo! Tanto que, quando fui escolher as histrias para contar na exposio, j tinha encontrado outras, diferentes das que havia no livro e que tinham me chamado a ateno e me dado vontade de contar.

Como se deu a seleo dos dois mitos?

A rvore de Tamoromu o mito da rvore-me, provedora de todos os frutos. uma linda histria sobre a sada do paraso. Por no saberem cuidar dessa maravilhosa rvore, os ndios tero de passar a plantar e colher seu alimento. Antes a rvore lhes dava tudo. Begorotire, o Homem Chuva nos conta como surgiu a primeira chuva. A raiva de Begorotire por ter sido injustiado faz com que ele provoque medo nas nuvens e elas chorem. A tribo de Begorotire se desune depois que ele vai embora e os protetores da floresta, Curupira e Boina, vo castig-la. Escolhi os dois porque falam da relao do homem com a natureza, desse aprendizado de amor a ela, essa me que nos d tudo e to esquecida e dilapidada pelos homens. Achei que, por serem histrias deliciosas de contar, ficariam bem ilustradas com meus trabalhos feitos com reaproveitamento de lixo e outros materiais.

O que a mitologia indgena tem a dizer s crianas de hoje, envolvidas em um sistema que privilegia a globalizao cultural e os meios eletrnicos de comunicao?

Ela traz um olhar muito limpo sobre a vida e sobre as relaes. Os ndios nunca se colocam como observadores da natureza como ns, eles so parte dela. Transformam-se em animais e em gente de novo sem precisar de mgica. Trazem um imaginrio poderoso, uma poesia prpria, uma riqueza de situaes, de animais, de seres e deuses. o nosso povo! Eram eles que estavam aqui antes de todos os outros chegarem. importante as crianas saberem quem esse povo brasileiro. No como gente estranha, pintada, que fala esquisito, mas essa gente que tem toda essa beleza cultural.

Por que trabalhar com materiais naturais e lixo reaproveitvel? Trata-se apenas de reduzir custos de produo?

Na verdade, uso reaproveitamento desde sempre. Tambm sou aderecista de teatro. Quando ia confeccionar meus adereos, sempre olhei para as coisas que tinha em casa tentando encontrar nelas formas que me servissem. Nisso no havia nenhum olhar politicamente correto, apenas prtico. Quando minha me inventou os jogos pedaggicos feitos de lixo, me pedia surperviso na hora de confeccionar. Que materiais usar, como torn-los resistentes e duradouros e no descartveis, etc. A idia, no caso dela, era diminuir custos mesmo, pois o livro era voltado para educadores de creches e escolas de educao infantil populares, de morro, gente que no tinha dinheiro para comprar material didtico para as crianas e tinha de se virar como podia. Mas queramos uma coisa bonita, bem acabada. Acabei garrando amor pela coisa. muito desafiador olhar para uma embalagem e pensar O que eu posso inventar com isso? e vice-versa, pensar numa coisa e tentar encontrar as embalagens que me serviro...

Como os adereos cnicos, a iluminao e a trilha sonora dialogam com a dramaturgia?

As histrias foram escolhidas e adaptadas por mim, mas como no sou escritora, chamei a premiada Simoni Boer, atriz, dramaturga e diretora, para redigir o texto final e dirigir o espetculo. Cheguei com alguns objetos prontos e vrias idias e fomos andando juntas. Muita coisa acabei refazendo graas s discusses. Quando, h dois anos, contei essas histrias l na exposio, fiz com sonoplastia ao vivo. Mas durante os ensaios com a Simoni chegamos num momento em que sentamos falta de a floresta aparecer. Tnhamos uma cano do Gustavo Kurlat feita especialmente para o espetculo e a cano de abertura, composta por Paulo Garfunkel. A sonoplastia no deu conta de vestir essas canes e criar uma floresta. Resolvemos chamar o Srvulo Augusto para criar uma trilha sonora. Ele entendeu tudo o que queramos e fez um trabalho rico, delicado, como as histrias e os objetos. Quando a trilha chegou, vimos que era preciso um trabalho corporal, pois a trilha tinha dado uma crescida no clima e era preciso aproveitar isso. Joana Mattei chegou para cuidar dessa parte. Seu trabalho foi fundamental para dar o acabamento que eu e a Simoni queramos. O Pitty Santana, iluminador, foi o ltimo a entrar nessa histria. Infelizmente no temos os recursos que gostaramos, mas com o que temos, ele foi extremamente competente. O teatro tem essa caracterstica que engrenagem de pessoas. Um depende do outro, e as coisas vo se complementando.

O que a motiva a fazer teatro infantil?

Tambm fao espetculos e conto histrias para adultos. Mas sempre adorei teatro infantil. Fao desde que comecei minha carreira, h 25 anos, no Rio, e nunca considerei um teatro menor. Acho difcil de fazer bea. Gosto de representar e contar histrias para crianas exatamente porque gosto de desafios. Elas so o que so, espontneas, vivas, cheias de energia. Imprevisveis. Gosto de falar coisas para as crianas e falo com elas atravs das histrias e dos espetculos. Acho que vou fazer apresentaes para crianas at ficar velhinha.


LENDAS DA NATUREZA. Seleo e adaptao das lendas indgenas de Ana Lusa Lacombe. Superviso cnica e texto final de Simoni Boer. Com Ana Lusa Lacombe. No TBC. Rua Major Diogo, 315, So Paulo, SP. Fone 3104-5523. Sbados e domingos, s 16h. R$ 10 e R$ 20. At 24/9.


Escrito por Mauro Fernando s 14h31
[ ] [ envie esta mensagem ]


GORA TEATRO


Sonho de um Homem Ridculo



Aprofundar, por meio do teatro, o estudo sobre o homem do sculo XXI. A programao de agosto do gora Teatro, em So Paulo, tem essa premissa. Criado pelo ator Celso Frateschi e pelo diretor Roberto Lage, o gora recoloca em cartaz duas peas (Horcio e Sonho de Um Homem Ridculo), lana duas publicaes (gora Livre Dramaturgias e Usando o Nome em Vo) e abre espao para o seminrio Teatro Paulistano Sc. V Encontros para um Entendimento no Sc. XXI. Ricardo III, de William Shakespeare, segue em temporada com Frateschi na pele do protagonista.

Acompanhado da leitura dramtica de Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil (com Dan Stulbach e Pascoal da Conceio), o lanamento de gora Livre Dramaturgias obedece lgica de verificar e discutir propostas ideolgicas e estticas e levar o homem contemporneo para o centro da discusso. O livro contm os 12 textos que compuseram o seminrio de mesmo nome realizado em 2001 peas de Bosco Brasil, Fauzi Arap, Fernando Bonassi, Hugo Possolo, Lus Alberto de Abreu e Mrio Bortolotto, entre outros.

Os 12 textos, que ganharam encenao no gora, procuraram responder a questes das quais a principal Poder o mundo de hoje ser reproduzido no teatro?. Essa questo foi respondida plenamente, com maior ou menor felicidade artstica, afirma Frateschi. Novas Diretrizes [que excursionou por boa parte do Brasil] o mais emblemtico.

A concluso de Frateschi: Houve a necessidade de fazer o teatro continuar pensando sobre si, no s do ponto de vista do patrocnio como tambm da produo esttica. preciso refletir sobre qual o alimento fundamental para a solidez do teatro, dar um salto de qualidade. As coisas no vo to bem quanto poderiam. Estar num bom estgio no significa que ele no possa ser superado. A reflexo faz com que nos apropriemos das conquistas.

Tendo como objetivo mapear o teatro paulistano, 12 companhias participam do seminrio Teatro Paulistano Sc. V Encontros para um Entendimento no Sc. XXI. So grupos que consideramos significativos, j consolidados ou em processo de consolidao. A idia discutir suas influncias, em quem se inspiraram, a que outros grupos eles se sentem filiados. E, a partir do presente, voltar ao passado, diz Lage. No h a preocupao de dialogar com a produo de outros pontos do Pas, mas Lage est convicto de que o seminrio ecoar, j que So Paulo um plo irradiador.

Sonho de um Homem Ridculo e Horcio so dois espetculos solo nos quais Frateschi atua e que tm pontos em comum com Ricardo III. O mote principal a investigao do homem contemporneo, afirma o ator. Sonho de um Homem Ridculo pega a questo do individualismo sob ngulo diferente de Ricardo III. Horcio questiona o indivduo na sua essncia. Baseado em um conto de Dirio de um Escritor, de Fiodor Dostoievski, Sonho de um Homem Ridculo contrasta os pensamentos niilista e revolucionrio expressos em uma mesma pessoa. Horcio, de Heiner Muller, aborda valores ticos de uma sociedade.


[Mais informaes abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 16h49
[ ] [ envie esta mensagem ]


GORA TEATRO


Horcio



PROGRAMAO


HORCIO. De Heiner Muller. Adaptao, direo e interpretao de Celso Frateschi. Dias 5 e 12/8, s 18h30. R$ 20.

SONHO DE UM HOMEM RIDCULO. De Fiodor Dostoievski. Dramaturgia e interpretao de Celso Frateschi. Direo de Roberto Lage. Dias 19 e 26/8, s 18h30. R$ 20.


GORA LIVRE DRAMATURGIAS. Lanamento. Peas de Alcides Nogueira, Bosco Brasil, Fauzi Arap, Fernando Bonassi, Hugo Possolo, Izaas Almada, Lus Alberto de Abreu, Marcos Caruso e Jandira Martini, Mrio Bortolotto, Marta Ges, Naum Alves de Souza e Noemi Marinho. Leitura dramtica de Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, com Dan Stulbach e Pascoal da Conceio. Dia 21/8, s 20h.

USANDO O NOME EM VO. Lanamento. Registro do seminrio realizado por Marilena Chau, Marcos Nobre e Eugnio Bucci. Dia 30/8, s 20h.


TEATRO PAULISTANO SC. V ENCONTROS PARA UM ENTENDIMENTO NO SC. XXI
9/8, s 20h30: Teatro da Vertigem e Grupo XIX de Teatro (debatedora: Beth Nspoli)
15/8, s 20h30: Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes e Cia. Estvel (debatedor: Alexandre Mate)
16/8, s 20h30: Cemitrio dos Automveis e Os Satyros (debatedor: Sebastio Milar)
22/8, s 20h30: Cia. Livre e Cia. So Jorge de Variedades (debatedor: Valmir Santos)
23/8, s 20h30: Razes Inversas e Cia. Balagans (debatedora: Johana Albuquerque)
29/8, s 20h30: Cia. Do Lato e Folias (debatedora: In Camargo Costa)
(Entrada franca. Retirar senha com uma hora de antecedncia.)


No gora Teatro. Rua Rui Barbosa, 672, So Paulo, SP. Fone (11) 3284-0290.


Escrito por Mauro Fernando s 16h42
[ ] [ envie esta mensagem ]


100 SHAKESPEARE





Quando voc monta um clssico de [William] Shakespeare [1564-1616], que influenciou a histria da humanidade, cobrado por muitos intelectuais que pedem coerncia. O teatro s vezes chato porque h muitos donos, especialistas, diz Beto Andretta, um dos fundadores do grupo Pia Fraus (uma mentira contada com boas intenes, expresso do latim). Ele deseja liberdade para fazer o teatro em que acredita.

Andretta assina concepo e dramaturgia de 100 Shakespeare, que estria nesta quinta (3/8) no Sesi Vila Leopoldina, em So Paulo. A direo de Wanderley Piras. O ttulo uma brincadeira com a possibilidade de criar livremente sobre a obra de Shakespeare cem ou sem , ainda mais por sabermos que ela trata da grande aventura humana.

Espetculo filiado linguagem do teatro de bonecos especialidade da trupe criada em 1985 e responsvel por montagens como Flor de Obsesso (para adultos) e Bichos do Brasil (para crianas) , 100 Shakespeare agrega oito trabalhos do dramaturgo ingls. Esto disposio do pblico (e da crtica) trechos de Ricardo III, Titus Andronicus, Sonho de uma Noite de Vero, O Mercador de Veneza, Hamlet, Otelo, Macbeth e Rei Lear.

Queria falar sobre as impresses que causa a obra de Shakespeare, afirma Andretta. So cenas que sintetizam o principal de cada pea. Em Macbeth, por exemplo: a crueldade. Em Hamlet: a dvida existencial. Em Otelo: o cime. claro que assim os personagens perdem em profundidade, mas a idia buscar as sensaes que a obra passa.

So mais de 30 bonecos em cena, manipulados por quatro atores (Camila Ivo, Fbio Caniatto, Josaf Filho e Sidnei Caria, tambm o diretor de arte da pea) por meio de diversas tcnicas. H a relao entre atores e bonecos, uma caracterstica do grupo, conta Andretta, que ressalta ser a montagem indicada para adolescentes e adultos.


100 SHAKESPEARE. Concepo e dramaturgia de Beto Andretta. Direo de Wanderley Piras. Com Pia Fraus. No Sesi Vila Leopoldina. Rua Carlos Weber, 835, So Paulo, SP. Fone (11) 3833-1093. Quintas a sbados, s 20h, e domingos, s 18h. Entrada franca. (Retirar ingressos com uma hora de antecedncia de cada sesso.) At 24/9.


Escrito por Mauro Fernando s 18h50
[ ] [ envie esta mensagem ]


PENTE FINO





Cinco executivos de uma grande empresa em um banheiro, e no apenas para atender ao chamado da natureza. Eles iro confabular, estabelecer conchavos e, eventualmente, esquecer amizades como em um clube de futebol, um sindicato ou qualquer ambiente no qual as ambies em jogo no permitam uma partilha do poder. A Cia. Bravos Atores coloca em cartaz Pente Fino, do estadunidense Christopher Welzenbach, no WC masculino do Teatro Renaissance, em So Paulo, nesta sexta (4/8). Roberto Lage assina a direo.

Henrique (Daniel Gaggini), Walter (Elvis Shelton), Arruda (Luiz Baccelli), Bob (Mrio Kondor) e Joo (Rafael Primo) fazem do banheiro a sala de reunies. H uma atmosfera de tenso, j que operaes ilegais esto prestes a ser descobertas. Companheirismo se transforma em alianas frgeis, em salve-se quem puder. A pea apresenta uma discusso sobre amizade e tica. Como so executivos do alto escalo, Pente Fino aborda tambm a vaidade, afirma Gaggini.

O ttulo da pea uma referncia a tudo que, por ser indesejado, precisa ser removido. Acabaram de dar um golpe. A cada momento entra um personagem com uma novidade. H uma disputa a qualquer custo pelo poder. Se um amigo meu est atrapalhando, no medirei esforos para destru-lo, diz Gaggini.

Responsvel pela adaptao ao lado de Luciana Rossi, o ator conta que o primeiro contato com Welzenbach se deu h um ano. Estava com a Luciana na Argentina buscando um texto contemporneo para montar. E descobri, encenada no banheiro de um museu, essa pea sobre tica e corrupo que tem tudo a ver com o nosso pas. O autor nos falou que a escreveu quando trabalhava em uma empresa que estava para ser incorporada e reunies eram feitas no banheiro, onde os homens falam os podres sem medo de serem escutados.

O ambiente corporativo est indefinido nem se consegue identificar a posio de cada executivo dentro da empresa , e Gaggini garante que a montagem no escamoteia intenes poltico-partidrias: Queremos discutir tica de forma abrangente. No h oportunismo em relao s denncias contra polticos. Cada espectador pode ter sua leitura do espetculo, tirar suas prprias concluses.

So 30 espectadores por sesso. O texto original foi escrito para palco, mas o banheiro o espao ideal para deixar o pblico muito prximo dos atores, faz-lo cmplice, explica Gaggini, que encara a proximidade da platia como um desafio. Como o espetculo no tem artifcios, o ator trabalha sem muleta. O pblico pode se movimentar e ficar a 1 cm do ator. fascinante.


PENTE FINO. De Christopher Welzenbach. Direo de Roberto Lage. Com a Cia. Bravos Atores. No Teatro Renaissance. Alameda Santos, 2.233, So Paulo, SP. Fone (11) 3188-4141. Sextas, s 21h45, sbados, s 21h15, e domingos, s 18h15. R$ 40. De 4/8 a 30/9.


Escrito por Mauro Fernando s 12h39
[ ] [ envie esta mensagem ]


O CAIXEIRO DA TAVERNA (MARTINS PENA)


Martins Pena



CENA XV


ANGLICA e FRANCISCO, [e depois MANUEL e QUINTINO.]


ANGLICA, parte Hei-de saber como isto ... Empregarei um meio...

FRANCISCO A Sra. D. Anglica est to pensativa!

ANGLICA E tenho motivos para isso. Sr. Francisco, preciso que eu seja sincera com o senhor.

FRANCISCO H muito que isso desejo.

ANGLICA O senho tem-me dado a entender que minha mo lhe seria agradvel...

FRANCISCO Senhora...

ANGLICA No tenho correspondido s suas finezas, porque, enfim... uma mulher vexa-se... Esperava poder confessar um dia esse segredo, mas ah, enganei-me, enganei-me!

FRANCISCO D. Anglica!

ANGLICA Foi uma zombaria! Eu, que o amava...

FRANCISCO A mim?

ANGLICA Sim, ingrato, a ti!

FRANCISCO Oh! ( parte:) O Manuel que se arranje como puder; eu falo.

ANGLICA A mim, semelhante traio! A mim, que j havia feito esta escritura de casamento; v... S o nome est em branco. O lugar era para o teu.

FRANCISCO D-ma!

ANGLICA Agora de nada serve. (Quer rasgar.)

FRANCISCO No rasgue!

ANGLICA Ests casado.

FRANCISCO Casado! ( parte:) Leve o diabo o Manuel! (Alto:) Anglica, quem te disse que estava casado, mentiu.

ANGLICA Mentiu?

FRANCISCO Eu no estou casado.

ANGLICA No ests casado? E quem o marido de Deolinda?

FRANCISCO No lhe posso dizer, mas juro-lhe que estou to solteiro como quando nasci. Eis-me a seus ps! (Ajoelha.) D-me essa promessa.

ANGLICA Levanta-te. (Quintino aparece porta do fundo e fica surpreendido, vendo Francisco aos ps de Anglica.)

FRANCISCO No me levantarei enquanto no me der a sua palavra que me far ditoso.

QUINTINO O marido de minha irm aos ps de outra mulher?

ANGLICA L de fora podem ver-nos...

FRANCISCO E que vejam! No serei eu seu esposo? (Manuel aparece porta da direita e, vendo Francisco de joelhos, fica estupefato.)

ANGLICA Talvez, mas levanta-te.

FRANCISCO No!

MANUEL Muito bem, muito bem! Amigo falso!

FRANCISCO, levantando-se Ah!

ANGLICA Ah!

MANUEL Muito bem!

FRANCISCO Desculpa-me... Ela me ama e eu tambm a amo.

QUINTINO, que nesse tempo tem-se aproximado, segura a Francisco pela gola da jaqueta, dizendo Ah! Tu a amas? E minha irm, tua mulher?

FRANCISCO Ai!

QUINTINO Assim a enganas, patife?

FRANCISCO Sua irm no minha mulher.

QUINTINO Negas?

ANGLICA, para Manuel Quem o marido?


Escrito por Mauro Fernando s 20h45
[ ] [ envie esta mensagem ]


A SEPARAO DE DOIS ESPOSOS (QORPO-SANTO)


Qorpo-Santo



ATO PRIMEIRO


CENA TERCEIRA


FIDLIS (entrando) Minha Marlia! Minha adorada! Onde est o vosso aborrecido, insacivel marido?

FARMCIA (que assim se chama a mulher) Passeia, meu amigo do corao!

FIDLIS Ento, podemos estar aqui tranqilos?

FARMCIA Com toda a tranqilidade que pode gozar um esprito e prazer que pode fruir um corao!

(Esculpio bate porta, com duas fortes pancadas, como costuma.)

FIDLIS No importa que saiba, menina; tu s muito timorata. Ainda no sabes de uma coisa: trago aqui uma carta; vai-lhe abrir a porta; falsa; mas farei-o engoli-la como verdadeira!

FARMCIA Tu s muito ardiloso! o que nos vale, seno estvamos perdidos! Perdidssimos!

FIDLIS No temas! Vai, vai, porque ao contrrio poder ele desconfiar e isso ser pior!

FARMCIA Sim, tens razo. (Aproxima-se porta e abre:) Meu... sim, s tu, j viestes; chegastes.

ESCULPIO (entrando sem reparar para Fidlis) Ento, minha Farmcia, como passastes as longas horas que ausente de ti...

FARMCIA J sei: ausente de mim, palpitou seu corao, enfraqueceu-se sua existncia, etc., etc. No assim?

ESCULPIO (percorrendo os olhos pela casa, d com Fidlis; para este:) Oh! O senhor por aqui!? O que quer; o que faz? Perdeu alguma coisa nesta minha habitao!?

FIDLIS Vim de propsito (revelando certo receio em suas palavras e em seus gestos) trazer-lhe uma carta de um de seus maiores amigos. Ei-la (apresenta-lha a ele).

ESCULPIO (abrindo, e Fidlis escapando-se; aberta a carta, que nada tem escrito, Fidlis j se acha na rua) Que cachorro! Que audaz! Vir trazer-me uma carta branca! Que querer dizer isto? Carta branca! Isto faz um rei a um presidente quando neste deposita toda a confiana! Esperemos ou refletiremos. O papel traz a coroa imperial. Querem ver que estou feito Presidente da Provncia?! E com carta branca. (Para a mulher, que at ento, como seu costume, estava calada, arrumando a casa:) Sabes, minha queridinha? (Abraando-a.) Estou feito Presidente da Provncia; e com carta branca! (Salta, pula, toca castanholas e faz o diabo de alegria.)


Escrito por Mauro Fernando s 20h38
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histrico
08/11/2015 a 14/11/2015
01/11/2015 a 07/11/2015
18/10/2015 a 24/10/2015
11/10/2015 a 17/10/2015
04/10/2015 a 10/10/2015
27/09/2015 a 03/10/2015
20/09/2015 a 26/09/2015
13/09/2015 a 19/09/2015
21/06/2015 a 27/06/2015
05/04/2015 a 11/04/2015
22/03/2015 a 28/03/2015
15/03/2015 a 21/03/2015
09/11/2014 a 15/11/2014
19/10/2014 a 25/10/2014
21/09/2014 a 27/09/2014
14/09/2014 a 20/09/2014
27/07/2014 a 02/08/2014
29/06/2014 a 05/07/2014
22/06/2014 a 28/06/2014
15/06/2014 a 21/06/2014
08/06/2014 a 14/06/2014
01/06/2014 a 07/06/2014
25/05/2014 a 31/05/2014
18/05/2014 a 24/05/2014
11/05/2014 a 17/05/2014
04/05/2014 a 10/05/2014
27/04/2014 a 03/05/2014
13/04/2014 a 19/04/2014
06/04/2014 a 12/04/2014
30/03/2014 a 05/04/2014
23/03/2014 a 29/03/2014
16/03/2014 a 22/03/2014
09/03/2014 a 15/03/2014
17/03/2013 a 23/03/2013
03/02/2013 a 09/02/2013
20/01/2013 a 26/01/2013
13/01/2013 a 19/01/2013
23/12/2012 a 29/12/2012
16/12/2012 a 22/12/2012
09/12/2012 a 15/12/2012
25/11/2012 a 01/12/2012
18/11/2012 a 24/11/2012
26/08/2012 a 01/09/2012
27/05/2012 a 02/06/2012
31/07/2011 a 06/08/2011
05/06/2011 a 11/06/2011
15/05/2011 a 21/05/2011
01/05/2011 a 07/05/2011
20/03/2011 a 26/03/2011
06/02/2011 a 12/02/2011
16/01/2011 a 22/01/2011
07/11/2010 a 13/11/2010
24/10/2010 a 30/10/2010
15/08/2010 a 21/08/2010
01/08/2010 a 07/08/2010
25/07/2010 a 31/07/2010
18/07/2010 a 24/07/2010
04/07/2010 a 10/07/2010
27/06/2010 a 03/07/2010
10/01/2010 a 16/01/2010
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
27/09/2009 a 03/10/2009
16/08/2009 a 22/08/2009
02/08/2009 a 08/08/2009
14/06/2009 a 20/06/2009
03/05/2009 a 09/05/2009
22/03/2009 a 28/03/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
08/03/2009 a 14/03/2009
01/03/2009 a 07/03/2009
22/02/2009 a 28/02/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
08/02/2009 a 14/02/2009
18/01/2009 a 24/01/2009
04/01/2009 a 10/01/2009
14/12/2008 a 20/12/2008
07/12/2008 a 13/12/2008
30/11/2008 a 06/12/2008
23/11/2008 a 29/11/2008
16/11/2008 a 22/11/2008
09/11/2008 a 15/11/2008
02/11/2008 a 08/11/2008
26/10/2008 a 01/11/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
03/08/2008 a 09/08/2008
25/05/2008 a 31/05/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
30/03/2008 a 05/04/2008
23/03/2008 a 29/03/2008
16/03/2008 a 22/03/2008
09/03/2008 a 15/03/2008
30/12/2007 a 05/01/2008
11/11/2007 a 17/11/2007
02/09/2007 a 08/09/2007
26/08/2007 a 01/09/2007
19/08/2007 a 25/08/2007
15/07/2007 a 21/07/2007
08/07/2007 a 14/07/2007
01/07/2007 a 07/07/2007
03/12/2006 a 09/12/2006
05/11/2006 a 11/11/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006