ROTUNDA


2 E 1/2





Os criadores-intrpretes Juliana Moraes e Anderson Gouva estriam o espetculo 2 e 1/2 nesta sexta (18/8) no Viga Espao Cnico, em So Paulo. a primeira vez que danam juntos. O deslocamento do afeto, revela Juliana, o mote. Em cena, um casal jovem vive dificuldades afetivas enredado pelo consumismo vertiginoso caracterstico do ambiente urbano. O 1/2 do ttulo uma referncia ao que "atrapalha o entendimento dos dois".

O afeto se desloca para objetos ao invs de ir para a pessoa ao lado, diz Juliana, premiada na categoria criao-intrprete pela APCA (Associao Paulista de Crticos de Artes) em 2002 por Querida Sra. M. A cenografia de 2 e 1/2 destaca objetos em uma sala de estar e em um quarto sof, luminrias, colcho, biombo. Os dois se relacionam com os objetos como se estes fossem pessoas.

Queramos trabalhar desde o incio com a idia do corpo se esvaziando graas ao acmulo de imagens e informaes sobre as pessoas e com a idia de um corpo cada vez mais bidimensional. Hoje as pessoas desejam se construir por meio da imagem. Isso tem a ver com a cultura global, afirma a bailarina.

H na montagem um olhar bastante crtico sobre o vazio provocado pelo consumismo, sobre o corpo que se constri com algo que vem de fora, sobre o jogo de aparncias que molda relacionamentos pessoais ou profissionais. 2 e 1/2, entretanto, no pessimista quando mostra esse mal contemporneo: A temtica o corpo que se esvazia, mas em cena os dois resistem a esse processo, como se eles tentassem se comunicar.

Duas pesquisas orientaram os intrpretes, a terica e a de campo. Dois livros, principalmente, embalaram a pesquisa terica: Vigiar e Punir, do filsofo francs Michel Foucault (1926-1984), e A Era da Iconofagia, de Norval Baitello Junior. Foucault fala sobre a tcnica de produo de corpos dceis e Baitello, sobre a hipertrofia do olhar e a hipotrofia dos outros sentidos.

J a de campo levou os bailarinos Rua Oscar Freire, um dos redutos paulistanos de lojas freqentadas por quem paga, por exemplo, R$ 3,8 mil por uma pasta de couro para laptop. Vimos como as pessoas se portavam na frente de espelhos e nos apropriamos de movimentos do cotidiano, diz Juliana.


2 e 1/2. Direo e interpretao de Juliana Moraes e Anderson Gouva. No Viga Espao Cnico. Rua Capote Valente, 1.323, So Paulo, SP. Fone (11) 3801-1843. Quintas a sbados, s 21h, e domingos, s 19h. R$ 10. At 27/8.


Escrito por Mauro Fernando s 17h56
[ ] [ envie esta mensagem ]


O AVARENTO





Paulo Autran completará 84 anos em 7 de setembro. A estréia de sua 90ª montagem está marcada para o sábado (19/8) na Sala Esther Mesquita, a maior (1.150 lugares) do Teatro Cultura Artística, em São Paulo. Felipe Hirsch dirige O Avarento, de Jean-Baptiste Poquelin (1622-1673), o comediógrafo francês Molière. Elias Andreato, Karin Rodrigues, Gustavo Machado, Claudia Missura, Arieta Corrêa, Luciano Schwab e Tadeu Di Pyetro também estão no elenco.

Egoísta, interesseiro, obcecado por valores superficiais, Harpagon (Autran) tem na avareza o seu vício. Sua filha Elisa (Claudia) e seu criado Valério (Schwab) se amam, mas têm de manter a paixão em segredo porque Harpagon a prometeu a Anselmo (Di Pyetro), que ela sequer conhece. Cleanto (Machado), filho do avarento, é apaixonado por Mariana (Arieta) – e vice-versa –, mas Harpagon quer casar-se com ela.

Frosina (Karin) submete-se ao papel de alcoviteira para obter um empréstimo do avarento. Flecha (Andreato) vê sua fama de cozinheiro talentoso comprometida por causa da avareza de Harpagon. Aparentemente, portanto, não há motivo para o riso. Mas é justamente das fraquezas humanas que Molière tira o humor que fez dele um dos maiores nomes da comédia de todos os tempos e o tornou conhecido no mundo todo.

Hirsch destaca que a montagem “é quase uma arena de atuações”: “Há cuidado com a parte visual, mas não se trata de uma encenação de fora para dentro. É um espetáculo de atores”. Autran reconhece que a experiência acumulada em quase 57 anos de profissão o ajuda a resolver certos problemas com mais facilidade, “mas cada personagem é uma incógnita total”: “É sempre difícil, ninguém tira de letra papel nenhum. Quando um ator diz isso, está recorrendo a clichês.”

O Avarento é a primeira peça que Hirsch dirige longe da companhia que fundou – a Sutil, criada em 1993 com Guilherme Weber e que tem no cartel A Vida É Cheia de Som e Fúria (2000), A Morte de um Caixeiro Viajante (2003) e Avenida Dropsie (2005), entre outras. “Venho tentando trabalhar com Paulo Autran há uns dez anos. Em 2001 começamos a conversar mais seriamente, até que combinamos fazer O Avarento”, afirma. “Estava com vontade de fazer um clássico, meu último foi Rei Lear [de William Shakespeare, em 1996]”, diz Autran.


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 13h09
[ ] [ envie esta mensagem ]


O AVARENTO





Herdeiro da Commedia dell’Arte, Molière colocou em sua obra – O Tartufo, Don Juan, Escola de Mulheres, O Doente Imaginário, As Artimanhas de Scapino, O Misantropo – os vícios e os ridículos de uma humanidade real, expondo com muito humor a tragicidade da condição humana. Zombou de tudo e de todos, da burguesia moralista ao clero estreito, e angariou desafetos – O Tartufo ficou cinco anos presa na censura da corte de Versalhes, Don Juan foi interditada pouco depois da estréia.

Também ator e diretor, o autor construiu, acima de tudo, uma obra perene, que resiste à passagem do tempo. “Molière trata dos piores vícios do ser humano, mostrando seu lado ridículo. Harpagon [de O Avarento] abandona valores éticos. A situação, em si, é idêntica à de políticos brasileiros importantíssimos”, diz Paulo Autran. Mas não há no espetáculo um vínculo direto com o Brasil de hoje, afirma Felipe Hirsch: “A montagem é delicada para que o público, sensivelmente, capte as relações identificáveis com o País e o mundo”.

O ator chama atenção para os casais de namorados de O Avarento. “Normalmente são personagens que apenas se exibem, existem para dizer que se amam e acabam felizes. Mas nessa peça têm função maior que isso. Há uma crítica sutil ao excesso de romantismo, à função de títeres do amor”, aponta Autran. O amor como moeda de negociação é assunto atual: “O pessoal quer casar com filho ou filha de rico, exatamente como há 400 anos. Mas antes eram os pais que queriam; hoje, são os jovens”.


O AVARENTO. De Molière. Direção de Felipe Hirsch. Com Paulo Autran, Elias Andreato, Karin Rodrigues, Gustavo Machado, Claudia Missura, Arieta Corrêa, Luciano Schwab e Tadeu Di Pyetro. No Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, São Paulo, SP. Fone (11) 3258-3344. Quintas, sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h. R$ 30 a R$ 80.


Escrito por Mauro Fernando s 13h06
[ ] [ envie esta mensagem ]


AS CASADAS SOLTEIRAS (MARTINS PENA)


Martins Pena



ATO I


O teatro representa o Campo de S. Roque, em Paquetá. Quatro barracas, iluminadas e decoradas, como costumam ser nos dias de festa, ornam a cena de um e de outro lado; a do primeiro plano, à direita, terá transparentes fantásticos, diabos, corujas, feiticeiras, etc. No fundo, vê-se o mar. Diferentes grupos, diversamente vestidos, passeiam de um para outro lado, parando, ora no meio da cena, ora diante das barracas, de dentro das quais se oouve tocar música. Um homem com um realejo passeia por entre os grupos, tocando.
A disposição desta cena deve ser viva.


CENA I

JEREMIAS e o povo.

JEREMIAS - Bem fiz eu em vir à festa de S. Roque. Excelente dia passei e melhor noite passarei – e vivam as festas! Perca-as quem quiser, que eu não. Para elas nasci, e nelas viverei. Em S. Roque, na Penha, na Praia Grande, na Armação... Enfim, em todos os lugares aonde houver festa, se estiverem duas pessoas, uma delas serei eu. Que belo que isto está! Barracas, teatrinho de bonecos, onças vivas, fogo de artifício, máquinas, realejo e mágicos que adivinham o futuro... Logo teremos um nesta barraca... Ora, esses estrangeiros são capazes das maiores extravagâncias para nos chuparem os cobres! Se há tanta gente que acredita neles... Estou que não caibo na pele!

VOZES – Aí vem a barca! Aí vem a barca!

JEREMIAS – A barca! (Correm todos para a borda do mar, exceto Jeremias.) Vejamos, primeiro, quem vem da cidade, para depois aparecer. Tenho cá minhas razões... (Sai pela direita. Nesse momento aparece a barca de vapor, que atraca à praia e toca a sineta. Principiam a saltar os passageiros, e entre eles, John e Bolingbrok, que se encaminham para frente.)


Escrito por Mauro Fernando s 16h15
[ ] [ envie esta mensagem ]


O MARIDO EXTREMOSO OU O PAI CUIDADOSO (QORPO-SANTO)


Qorpo-Santo



ATO PRIMEIRO


RÉGULO (para Remo) – Sejamos honestos quanto às mulheres! Mas, quanto ao mais, já que nos furtam, furtemos também! Se nos roubam, roubemos também. E assim seguimos o preceito do nosso grande Vieira, hábil pregador, profundo político, etc., etc.

REMO – Mas se nos roubarem as mulheres!?

RÉGULO – Ah! Então esse caso é mais melindroso.

REMO – Mas diga-me. O que havemos de fazer?

RÉGULO – Homem, isso tem seu quê... ou para quê. (Depois de longa pausa, muito apressadamente e caminhando em roda para o lado de Remo:) Sabes o que mais convém? Roubar também. Se é crime, fica compensado; ficamos indenizados sem ser preciso andar com a justiça às costas – da casa do escrivão para a do juiz; da do juiz para a do letrado, da deste para a do meirinho, etc., etc. Justiça de Barcelos, ou de Barbacena, por exemplo. Apanho com um pau, dou com um pau (bate no ombro de Remo com uma bengala).


Escrito por Mauro Fernando s 16h12
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histrico
08/11/2015 a 14/11/2015
01/11/2015 a 07/11/2015
18/10/2015 a 24/10/2015
11/10/2015 a 17/10/2015
04/10/2015 a 10/10/2015
27/09/2015 a 03/10/2015
20/09/2015 a 26/09/2015
13/09/2015 a 19/09/2015
21/06/2015 a 27/06/2015
05/04/2015 a 11/04/2015
22/03/2015 a 28/03/2015
15/03/2015 a 21/03/2015
09/11/2014 a 15/11/2014
19/10/2014 a 25/10/2014
21/09/2014 a 27/09/2014
14/09/2014 a 20/09/2014
27/07/2014 a 02/08/2014
29/06/2014 a 05/07/2014
22/06/2014 a 28/06/2014
15/06/2014 a 21/06/2014
08/06/2014 a 14/06/2014
01/06/2014 a 07/06/2014
25/05/2014 a 31/05/2014
18/05/2014 a 24/05/2014
11/05/2014 a 17/05/2014
04/05/2014 a 10/05/2014
27/04/2014 a 03/05/2014
13/04/2014 a 19/04/2014
06/04/2014 a 12/04/2014
30/03/2014 a 05/04/2014
23/03/2014 a 29/03/2014
16/03/2014 a 22/03/2014
09/03/2014 a 15/03/2014
17/03/2013 a 23/03/2013
03/02/2013 a 09/02/2013
20/01/2013 a 26/01/2013
13/01/2013 a 19/01/2013
23/12/2012 a 29/12/2012
16/12/2012 a 22/12/2012
09/12/2012 a 15/12/2012
25/11/2012 a 01/12/2012
18/11/2012 a 24/11/2012
26/08/2012 a 01/09/2012
27/05/2012 a 02/06/2012
31/07/2011 a 06/08/2011
05/06/2011 a 11/06/2011
15/05/2011 a 21/05/2011
01/05/2011 a 07/05/2011
20/03/2011 a 26/03/2011
06/02/2011 a 12/02/2011
16/01/2011 a 22/01/2011
07/11/2010 a 13/11/2010
24/10/2010 a 30/10/2010
15/08/2010 a 21/08/2010
01/08/2010 a 07/08/2010
25/07/2010 a 31/07/2010
18/07/2010 a 24/07/2010
04/07/2010 a 10/07/2010
27/06/2010 a 03/07/2010
10/01/2010 a 16/01/2010
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
27/09/2009 a 03/10/2009
16/08/2009 a 22/08/2009
02/08/2009 a 08/08/2009
14/06/2009 a 20/06/2009
03/05/2009 a 09/05/2009
22/03/2009 a 28/03/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
08/03/2009 a 14/03/2009
01/03/2009 a 07/03/2009
22/02/2009 a 28/02/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
08/02/2009 a 14/02/2009
18/01/2009 a 24/01/2009
04/01/2009 a 10/01/2009
14/12/2008 a 20/12/2008
07/12/2008 a 13/12/2008
30/11/2008 a 06/12/2008
23/11/2008 a 29/11/2008
16/11/2008 a 22/11/2008
09/11/2008 a 15/11/2008
02/11/2008 a 08/11/2008
26/10/2008 a 01/11/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
03/08/2008 a 09/08/2008
25/05/2008 a 31/05/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
30/03/2008 a 05/04/2008
23/03/2008 a 29/03/2008
16/03/2008 a 22/03/2008
09/03/2008 a 15/03/2008
30/12/2007 a 05/01/2008
11/11/2007 a 17/11/2007
02/09/2007 a 08/09/2007
26/08/2007 a 01/09/2007
19/08/2007 a 25/08/2007
15/07/2007 a 21/07/2007
08/07/2007 a 14/07/2007
01/07/2007 a 07/07/2007
03/12/2006 a 09/12/2006
05/11/2006 a 11/11/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006