ROTUNDA


VAGAR NÃO É PRECISO





O ator Osvaldo Costa Jr. relata que a recepção à Cia. Estável no Arsenal da Esperança (Zona Leste de São Paulo), onde ela desenvolve o projeto Vagar não É Preciso, foi boa. “A administração nos acolheu bem, deu idéias, é uma parceira nossa.” O Arsenal, que abriga cerca de 1,1 mil homens que não têm onde morar, ajudando-os a retomar atividades que exerciam, mostrou-se o local ideal para a companhia “refletir sobre quem não tem espaço, como nós”.

Quando saiu do Teatro Flávio Império, em Cangaíba [Zona Leste paulistana], no fim de 2004, o grupo se viu em situação difícil, sem sede. No Flávio Império, um dos teatros distritais pertencentes ao Município de São Paulo, a trupe implementou o projeto Amigos da Multidão, que arregimentou a comunidade da região por intermédio de cursos e oficinas, e deu vida nova a um espaço público que estava praticamente abandonado. Ficou lá por três anos.

Já a recepção dos moradores do Arsenal “começou tímida”. “Como se trata de um lugar onde só vivem homens, há um bloqueio natural do universo masculino. Mas aos poucos isso está sendo mudado por conta das cenas [que estão previstas no projeto, contam com a participação das pessoas residem lá e são uma forma de integrá-las a ele] no espaço. Não temos a pretensão de atingir todos os moradores, mas o diálogo agora está mais horizontal.”

A companhia acredita no poder de modificação do teatro, tanto em relação aos artistas como quanto aos moradores. “A transformação é uma premissa do trabalho do grupo à medida que refletimos sobre a realidade. Essa é a nossa vontade. E é um trabalho de mão dupla. Temos a clareza de que se trata de uma opção ideológica e estética. A valorização do cidadão é o nosso presente”, diz o ator. Três pessoas que participaram do Amigos da Multidão agregaram-se ao Vagar não É Preciso.


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 13h28
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VAGAR NÃO É PRECISO





Rotunda acompanhou no domingo (20/8) um exercício da turma da oficina de dramaturgia (chamada de conto/história), coordenada pela atriz Jhaíra no Arsenal da Esperança. Os encontros se dão sempre aos domingos. Os aprendizes observaram na semana anterior uma parte da oficina de circo (ministrada pelo ator Nei Gomes, também aos domingos) e tinham como tarefa apresentar um texto ficcional inspirado no que viram. Além de moradores do Arsenal, participam pessoas do bairro.

Fábio, Helena, Glauco e Ricardo apresentaram seus textos – Max esqueceu de levar o seu, mas participou das discussões que se seguiram às leituras. Não debates acadêmicos, evidentemente, mas que ultrapassavam o senso comum. São sugeridas, por exemplo, soluções cênicas para cada texto lido – mas as discussões partiam também para além do teatro. Jhaíra recusa a postura de professora sabe-tudo, incentiva-os a falar, estimula o pensamento e retoma o tema da oficina quando alguém se afasta muito da proposta original.

“Através da análise dos outros vejo os meus defeitos e posso incrementar [o texto] sem tirar o frescor”, disse Glauco. Ele escreveu uma cena curta com um humor típico da crítica comportamental, apontando características como ambição, futilidade e inveja mas carregando um pouco no linguajar. Antes de ler, fez uma ressalva: padece de um tipo de “anemia cultural” por não ir freqüentemente a espetáculos. “Quando a pessoa não come, fica anêmica”, comparou.

Fábio revelou um monólogo lírico e viu na cena de Helena, que remete à fábula moderna, um efeito metafórico a fim de driblar uma hipotética censura. Ricardo apresentou um conto ambientado em uma fictícia cidadezinha do interior, desenhando personagens com personalidades próprias e revolvendo assuntos como o patriarcado. Quatro textos bem diferentes produzidos a partir da observação de um mesmo fenômeno, o que demonstra a complexidade e a riqueza do ser humano.

A certa altura do encontro, Glauco indicou sua predileção pelo entretenimento descompromissado com a realidade: “O papel da arte é mexer com a emoção, não precisa se prender ao acúmulo social. Mostrar a pobreza é papel do jornalismo. Tem gente que gosta de ver fome e chorar. Eu não, já passei fome”.


Escrito por Mauro Fernando s 13h24
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CIA ESTÁVEL


O Auto do Circo



Vagar não É Preciso. Esse é o projeto que a Cia. Estável, com o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, desenvolve no Arsenal da Esperança, na Zona Leste paulistana. “O projeto consiste na nossa história”, afirma a atriz Jhaíra. Ao lado dela, Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Maria Dressler, Nei Gomes e Osvaldo Costa Jr. formam o núcleo artístico do grupo, criado em 2000 a partir de encontros após concluído o curso de teatro na Fundação das Artes, de São Caetano do Sul.

Mantido pelo Servizio Missionario Giovani (Sermig), de Turim (Itália), e pela Associação Internacional para o Desenvolvimento – Núcleo São Paulo (Assindes-SP) graças a convênio com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, o Arsenal da Esperança abriga cerca de 1,1 mil homens em situação de rua. Desempregados, com problemas familiares, procuram-no para estadia de no máximo seis meses enquanto não solucionam as equações que a vida apresenta.

A Cia. Estável – que está em cartaz no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca, com O Auto do Circo (dramaturgia de Luís Alberto de Abreu e direção de Renata Zhaneta) – passou no ano passado pelo mesmo problema que aflige quem procura o Arsenal. “Em 2005 houve coisas que não conseguimos executar. Depois que saímos do [Teatro] Flávio Império [em Cangaíba, Zona Leste de São Paulo], tentamos circular com O Auto, que foi pouco visto”, diz Gomes.

A trupe colocou em prática no Flávio Império o projeto Amigos da Multidão, que aglutinou por meio de cursos e oficinas a comunidade da região em torno de um teatro público que vivia praticamente abandonado. Além de O Auto do Circo, montou Flávio Império – Uma Celebração de Vida, o infantil Incrível Viagem e Quem Casa, Quer Casa nos três anos em que ocupou o teatro. “O projeto deu origem a oito grupos de teatro”, revela a atriz.

“Aproveitamos a situação de vagar impreciso por que passamos no ano passado e bolamos o Vagar não É Preciso pensando na questão de não ter um lugar ao qual pertencer, da errância, uma característica circense”, conta Gomes. Jhaíra descobriu no Arsenal da Esperança o local ideal para o projeto: “As pessoas estão no Arsenal, que é um lugar de passagem, por causa de situações temporárias, difíceis. Ou seja, a nossa. Faríamos o projeto mesmo que não fôssemos contemplados pelo Fomento”.


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 10h49
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CIA. ESTÁVEL


O Auto do Circo



Oficinas e debates com a participação dos moradores do Arsenal da Esperança, mas abertos também a quem se interessar, compõem o projeto Vagar não É Preciso. Três oficinas, às quais cerca de 80 pessoas se integraram, estão em andamento: técnicas circenses (com Nei Gomes), conto/história (com Jhaíra) e iniciação ao teatro (com Daniela Giampietro). A Cia. Estável, que também programa a exibição de filmes como A Estrada, de Federico Fellini, reside no Arsenal desde abril.

O primeiro encontro do ciclo de seis palestras, que tem curadoria de Mário Bolognesi (autor de Palhaços, livro que desnuda palhaços brasileiros, seus tipos e repertórios e resultou de ampla pesquisa de campo), está marcado para 31/8, às 19h. Pesquisador de andarilhos e trecheiros e professor do Departamento de Psicologia Evolutiva, Social e Escolar da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (campus de Assis), José Sterza Justo falará – o trecheiro é o tema. A entrada é franca – rua Dr. Almeida Lima, 900.

Georgette Fadel (direção), Charlez Raszl (pesquisa musical), Erminia Silva (produção e pesquisa de texto histórico) e Luis Ferron (pesquisa corporal) também estão envolvidos no projeto e ministram oficinas e workshops para os membros do grupo. “São cursos de capacitação para a companhia”, explica Gomes. Além desses, há o de dramaturgia, sem titular definido.

Ainda não se sabe o que será feito do material que vem sendo recolhido. Embora uma peça seja conseqüência natural do trabalho no Arsenal da Esperança, “trata-se de um projeto de pesquisa”, como define Gomes. “Não há um compromisso de montar um espetáculo agora. Recolheremos material até maio do ano que vem.” Segundo Costa Jr., “o foco agora está no processo”.


Escrito por Mauro Fernando s 10h44
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TIMÃO DE ATENAS





Renato Borghi é um dos atores mais importantes do teatro brasileiro. Um dos fundadores, ao lado de Amir Hadad, Carlos Queiroz Telles e José Celso Martinez Corrêa, de um grupo de teatro amador na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1958 – o embrião do Teatro Oficina –, é citação obrigatória em livros que perscrutam o teatro brasileiro recente.

O ator protagoniza Timão de Atenas, de William Shakespeare, que estréia nesta quinta (24/8) no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo, sob a direção de Elcio Nogueira Seixas. O programa do espetáculo indica: idealização do Teatro Promíscuo (companhia criada por Borghi e Seixas em 1995) e produção e realização de Fiesp/Sesi/Senai/IRS. Vadim Nikitin assina tradução e adaptação.

Timão de Atenas é uma das peças mais pertinentes de Shakespeare. Analisa a complexidade do ser humano em todos os seus aspectos, dos melhores aos piores”, diz Borghi. “E é uma discussão sobre o dinheiro. Shakespeare escreveu na época do surgimento do capitalismo, antevendo a perversidade do desejo de retenção de dinheiro, de acumulação de capital. É uma peça profética.”

O texto mostra a trajetória de mecenas a mendigo, com direito a bajuladores nas duas situações, do ateniense Timão. No primeiro momento, em Atenas, oferece banquetes históricos e banca artistas, políticos, prostitutas e quem quer que se diga seu amigo. No segundo, em uma floresta, Timão convive com as dores da traição.

Sobre o personagem, Borghi diz que “Timão não é um inocente” por receber presentes mas recompensá-los com doações muito mais grandiosas que as recebidas – promessas que vão além de suas posses. “Ele é bondoso entre a alta sociedade, lordes e senadores, onde há um lobby geral. Possui uma crença nada ingênua, cria dívidas absolutas com as pessoas porque tem a certeza de que no momento que precisar poderá resgatá-las pela amizade. Acredita em uma sociedade fraterna que o capitalismo nega.”

A cenografia, de Simone Mina, ilustra bem essa história. “Na primeira parte do espetáculo, ela é moderna, meio Oscar Niemeyer, tudo geométrico. O primeiro ato é o da ordem, Timão se julga poderoso. Na segunda parte, é como se caísse uma bomba atômica. Timão cai em si a respeito da humanidade e a vê sem compaixão”, conta o ator.

Crítico ácido da vida ateniense, Apemanto (Mauricio Paroni) mantém com Timão uma relação “de espelho”. “Ele é o Timão que não se revela no primeiro ato. Diz coisas que Timão pensa, e seu aspecto crítico agrada, apesar de Timão reprová-lo. No segundo, revelados os equívocos e os enganos, ele provoca o encontro de Timão com si mesmo”, afirma Borghi.


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 15h47
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TIMÃO DE ATENAS




Trecho do primeiro ato de Timão de Atenas, de William Shakespeare. Tradução e adaptação de Vadim Nikitin.


O POETA (mostrando o seu poema a Timão) - Permita-me apresentar a minha obra, e vida longa a Timão!
TIMÃO - Muito obrigado. Já falo com o senhor, não vá embora. (Para o Pintor.) E o senhor, meu amigo, o que é que tem aí?
O PINTOR - Um pouco de pintura. Suplico ao senhor que aceite este quadro.
TIMÃO - Quadros são muito bem-vindos. Uma pintura é quase o homem como ele é; desde que a desonra passou a traficar com a sua natureza, o homem é mera aparência. Mas essas figuras pintadas são exatamente o mostram ser. Gosto do seu trabalho, o senhor vai ver o quanto. Espere um pouco, já lhe digo mais.
O PINTOR - Que os deuses o abençoem.
TIMÃO - Muito prazer, cavalheiro. Me dê a sua mão. Precisamos jantar juntos. (Para o Joalheiro.) Meu senhor, a sua jóia sofre de um excesso de apreço.
O JOALHEIRO - Como assim, meu senhor – desprezo?
TIMÃO - Apreço...! A sua jóia está farta de elogios. Se eu tiver que lhe pagar na cotação da exaltação, vou ficar devendo a roupa do corpo.
O JOALHEIRO - Meu senhor, essa jóia vale o preço que está na praça. Mas duas coisas de igual valor mudam de preço de acordo com quem as possui. Acredite em mim, meu caro senhor: usando essa pedra, o senhor vai torná-la ainda mais preciosa.
TIMÃO - Essa é boa!
O NEGOCIANTE - Não, meu senhor, é sério. O que ele diz é senso comum, é o que dizem todos os homens.

Entra Apemanto.

TIMÃO - Vejam só quem está aí. Querem levar uma coça?
O JOALHEIRO - Queremos! Só que junto com o senhor.
O NEGOCIANTE - Ele não poupa ninguém.
TIMÃO - Bom dia, querido Apemanto.
APEMANTO - No dia em que eu for querido, Timão, você vai ser o teu próprio cachorro e esses canalhas vão ser honestos.
TIMÃO - Canalhas? Você nem conhece esses homens…
APEMANTO - Não são atenienses?
TIMÃO – São.
APEMANTO - Então não me arrependo.
O JOALHEIRO - O senhor me conhece, Apemanto?
APEMANTO - Conheço. Já te chamei pelo nome, canalha.
TIMÃO - Você é orgulhoso, Apemanto.
APEMANTO - Orgulhoso, mais que tudo, de não ser igual a Timão.
TIMÃO - Aonde você quer chegar?
APEMANTO - Ao ponto de arrancar os miolos de um ateniense honesto.
TIMÃO - Você pode ser condenado à morte por isso.
APEMANTO - E desde quando não fazer nada dá pena de morte?
TIMÃO - O que você me diz desse quadro, Apemanto?
APEMANTO - Ótimo. É inocente.
TIMÃO - Não trabalhou bem o pintor que o fez?
APEMANTO - Trabalhou melhor aquela que fez o pintor, e no entanto o pintor não passa de uma obra de quinta.
O PINTOR – Cachorro...
APEMANTO - A tua mãe é da minha raça. Se eu sou um cachorro, a tua mãe é o quê?
TIMÃO - Janta comigo, Apemanto?
APEMANTO - Estou de dieta. Não como nobres.
TIMÃO - Se comesse, as senhoras ficariam escandalizadas.
APEMANTO - Ah, mas elas comem muitos nobres. É por isso que as barrigas delas crescem.
TIMÃO - É uma visão um tanto lasciva.
APEMANTO - É você que vê assim.
TIMÃO - Você gosta dessa jóia, Apemanto?
APEMANTO - Não mais do que a “transparência”, que não vale um tostão pra ninguém.
TIMÃO - E quanto você pensa que ela vale?
APEMANTO - Ela nem vale que eu pense nisso. Como vai, poeta?
O POETA - Como vai, filósofo?
APEMANTO - Você mente.
O POETA - O senhor não é filósofo?
APEMANTO – Sou.
O POETA - Então eu não minto.
APEMANTO - Você não é poeta?
O POETA - Sou.
APEMANTO - Então você mente. Na sua obra mais recente, você forjou um Timão digno.
O POETA - Não forjei nada, ele é digno.
APEMANTO - Sim, ele é digno de você, e digno de lhe pagar pelo seu trabalho. Quem ama que lhe puxem o saco é digno do puxa-saco. Ai, meus deuses, se eu fosse um lorde!
TIMÃO - O que é que você faria, Apemanto?
APEMANTO - A mesma coisa que Apemanto faz agora: odiar um lorde do fundo do coração.
TIMÃO - Odiar a si mesmo?
APEMANTO – Sim.
TIMÃO - Por quê?
APEMANTO - Por não enxergar um palmo adiante do meu narigão de lorde. - Você não é negociante?
O NEGOCIANTE - Sou, Apemanto.
APEMANTO - Que os negócios te danem, se os deuses não te danarem antes!
O NEGOCIANTE - Se os negócios me danam, são os deuses que me danam.
APEMANTO - Então os negócios são o teu deus, e o teu deus te dana!


TIMÃO DE ATENAS. De William Shakespeare. Direção de Elcio Nogueira Seixas. Com Renato Borghi, Alvise Camozzi, Ariel Borghi, Augusta Ruiz, Guilherme Santana, Luciano Gatti, Marcelo Marcus Fonseca, Mauricio Paroni, Nilton Bicudo, Pedro Vicente, Regina França, Renato Dobal. No Teatro Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, SP. Fone (11) 3146-7405. Quintas a sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Entrada franca (quintas e domingos, com retirada de ingressos três horas antes do início da apresentação). R$ 15 (sextas e sábados). Até 15/12.


Escrito por Mauro Fernando s 15h43
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FAMÍLIA MUDA-SE





Família Muda-se é uma comédia de costumes feita à moda tradicional. Escrita e dirigida por Odilon Wagner, a peça estréia nesta quarta (23/8), às 21h30, no Teatro Fecomercio, em São Paulo. Além de Wagner, estão no elenco Tânia Bondezan, Etty Fraser, Mario Schoemberger, Olívia Araújo, Taiguara Nazareth, Paula Weinfeld, Hermano Moreira e Tereza Pitter.

O reajuste familiar é o mote do espetáculo. Arquiteto e músico frustrado, Jacques (Wagner) volta à casa onde morou com a família depois de dois anos de ausência, motivada pela separação de Fernanda (Tânia). Na porta, depara-se com uma placa: “Família muda-se e vende tudo”. E encontra tudo mudado.

Sua ex-mulher, uma concertista que por sua causa largou promissora carreira, namora Edu (Nazareth), que conheceu em uma academia de dança de salão. Sua filha Ana (Paula) já é uma adolescente rebelde e namora Biu (Moreira), filho de um zelador. Cecília (Etty) é a desmemoriada tia de Jacques. A empregada Diva (Olívia) é rainha de gafieira. Dono da maioria dos objetos à venda, Marco Antônio (Schoemberger) é um amigo da família.

“São mudanças de vida, de hábitos. A comédia aborda relacionamentos e tem um lado emocional forte. Fala sobre as relações entre pais e filhos e entre marido e mulher. E também sobre como o homem não entende o universo feminino e como a mulher vê isso”, diz Wagner.

A dificuldade de entendimento entre home e mulher inclui a competição entre os sexos, já que a montagem trata também do “homem que não consegue suportar uma mulher mais forte, bem sucedida”. “De maneira divertida, a peça ainda mistura religiões e raças e quebra barreiras.” Jacques é judeu e Regina, que namora um jovem negro, é cristã.

Wagner e Tânia desenvolveram o argumento da peça. “Coletamos várias histórias. De nossas famílias, de amigos e até da família do [diretor Antonio] Abujamra. Grande parte das histórias foram tiradas de fatos reais, o que trouxe um colorido grande”, afirma Wagner.

Objetos e móveis do cenário estão à venda – como na ficção. Ao fim do espetáculo, o público pode subir no palco e adquirir “discos de vinil raros, máscara veneziana, luminária, móveis rústicos e levar para casa na hora”. “É uma estratégia de marketing”, reconhece.


FAMÍLIA MUDA-SE. Texto e direção de Odilon Wagner. Com Odilon Wagner, Tânia Bondezan, Etty Fraser, Mario Schoemberger, Olívia Araújo, Taiguara Nazareth, Paula Weinfeld, Hermano Moreira e Tereza Pitter. No Teatro Fecomercio. Rua Dr. Plínio Barreto, 285, São Paulo, SP. Fone 3188-4141. Sextas, às 21h30, sábados, às 21h, e domingos, às 18h. R$ 50 e R$ 60.


Escrito por Mauro Fernando s 16h56
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