ROTUNDA


O INVISÍVEL





O Homem (Helio Cicero), que se diz invisível, é enxergado pelo Jovem (Daniel Warren) em um parque de uma metrópole. Esse homem de meia idade, então, pede para o publicitário levar uma carta ao seu filho, com quem há muito não tem contato. Nono texto de Samir Yazbek (autor de, por exemplo, O Fingidor, de 1999, A Terra Prometida, de 2001, e A Entrevista, de 2004) a ganhar o tablado, O Invisível estréia neste sábado (2/9) no Sesc Santana, em São Paulo, sob a direção de Maucir Campanholi.

Trata-se de uma fábula, “uma história inventada a partir de mitos ancestrais”, conta o dramaturgo. “A grande questão da peça é o processo de esvaziamento do sentido da vida na sociedade urbana capitalista contemporânea, a incapacidade de olharmos para nós mesmos e vermos como somos. Mais que a questão da pressa, do trabalho insano, do dinheiro, vejo uma fuga permanente, um isolamento, por não estarmos agüentando o convívio, por estarmos cansados de tanta vertigem, de tanta informação. Quando a tendência é o isolamento, a capacidade de enxergar o outro diminui.”

No palco há uma discussão de idéias, “o embate entre o altruísmo e o individualismo”, diz Yazbek. “A solidariedade é cultural, passa de uma geração a outra, mas no atual momento o egoísmo é apresentado como qualidade. Vivemos em uma era em que há uma insensibilidade maior em relação a quem está ao lado. E a vida fica mais rica quando a experiência alheia é levada em conta”, afirma Campanholi.

Para fintar as armadilhas do maniqueísmo, Yazbek explora “o fato de a peça trabalhar em chave poética, fabular, de colocar os conflitos em um patamar arquetípico”. “Há contradições nos personagens. O percurso do Homem é o da tomada de consciência, ele é responsável por se tornar invisível mas no início culpa o mundo. Lanço os lados das questões para o público ponderar, não quero condicioná-lo à minha visão.”

“Enquanto o Jovem é extremamente contemporâneo, símbolo de um novo movimento cultural, o Homem pertence a um universo anterior”, destaca o diretor. Os personagens têm de lidar com a dificuldade de comunicação: “É o encontro entre duas formas de ver o mundo, no que há de positivo e negativo em ambas. O autor reflete sobre o que vai ficar. Ninguém sabe o que vai acontecer com o mundo”.

Os personagens se revelam paulatinamente. “O encadeamento sutil de situações revela a verdadeira face deles à medida que a dificuldade de entendimento se acirra”, relata o dramaturgo. Questões cotidianas, “que o espectador encontra na namorada, no irmão”, se misturam a arquetípicas, “a solidão, o passar a existência procurando o sentido da vida e depositar no outro essa busca”. É, portanto, “uma investigação sobre o homem de hoje e de sempre”.

Esse amálgama permite diversas possibilidades de leitura. Assim, o espetáculo pode ser visto como suspense: o homem é mesmo invisível? Também está nas entrelinhas do texto o problema da invisibilidade social, uma metáfora dos “excluídos, dos humilhados de todos os tipos”, diz Yazbek. Para Campanholi, há ainda uma questão “que toca diretamente o teatro, a arte do ator que se coloca no lugar do outro e necessita enxergar o alheio”.


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Escrito por Mauro Fernando s 12h03
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O INVISÍVEL





Burilar as palavras é o trabalho do dramaturgo Samir Yazbek. Suas peças não resultam de uma enxurrada criativa, daquelas que produzem um texto em duas ou três noites passadas em claro, mas de um trabalho que demanda certo tempo de maturação – os textos são depurados ao longo dos ensaios, e o autor costuma aprimorá-los para reestréias. A fama de perfeccionista o acompanha. “A dramaturgia exige reflexão e aprofundamento para que haja consistência e se estabeleça um nível de diálogo com o público”, afirma.

“Tenho uma necessidade imperiosa de escrever, e a dramaturgia é o elo com minha paixão pelo teatro”, revela. “Gosto de fazer perguntas e, eventualmente, obter respostas. Procuro lançar questões sobre o homem e a sociedade, preocupo-me com o outro e com o mundo.” Suas peças tratam de discussões diferentes, mas um arraigado sentimento humanista, ético, se faz presente em toda sua produção. Entretenimento mentecapto e conformista, de cômoda digestão, não é o que ele oferece.

O Invisível representa o embrião de uma nova companhia teatral. “Com essa peça repetimos o núcleo básico de O Fingidor”, diz. Helio Cicero protagonizou a peça (dirigida por Yazbek e remontada neste ano) e Maucir Campanholi trabalhou como dramaturgista, colaborando quanto ao levantamento e à solução de problemas relacionados ao comportamento dos personagens e à época em que se desenrolam as ações.

“Entendemo-nos bem, e ficou no ar o desejo de trabalharmos juntos novamente. Ainda não há nada formalizado [em relação ao novo grupo], mas demos mais um passo à frente”, explica o autor. “Temos visões similares sobre teatro, que encaramos como arte”, depõe Campanholi.

O diretor não nega haver embutida no trabalho do dramaturgo uma vontade de mudar o mundo, da qual compartilha. “Qualquer ser humano que seja idealista, como nós, tem a intenção de melhorar a sociedade.” É uma pretensão, no entanto, que o fazer teatral, por si só, não pode abraçar: “O teatro é um instrumento poderoso e contundente de ampliação de consciências, mas de alcance restrito. Dá, quem sabe, para transformar alguns núcleos”.


O INVISÍVEL. De Samir Yazbek. Direção de Maucir Campanholi. Com Helio Cicero e Daniel Warren. No Sesc Santana. Avenida Luiz Dumont Villares, 579, São Paulo, SP. Fone (11) 6971-8700. Sábados e domingos, às 21h. (Apresentação extra no dia 7, às 19h.) R$ 5 a R$ 15. Até o dia 30.


Escrito por Mauro Fernando s 11h57
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CAMARADAGEM





O duelo entre os sexos, no que concerne à mudança de paradigmas dos papéis sociais, é recorrente na obra teatral do sueco August Strindberg (1849-1912), autor de Senhorita Júlia, Credores e A Mais Forte, entre outras peças. Dirigido por Eduardo Tolentino de Araújo, o Grupo Tapa volta suas baterias para esse tema com a estréia de Camaradagem neste sábado (2/9) no Viga Espaço Cênico, em São Paulo.

Um casal de jovens pintores da segunda metade do século XIX parte da Suécia para Paris com um trato na bagagem: a camaradagem a nortear o casamento. Axel (Tony Giusti) deve conceber a esposa, Bertha (Patricia Pichamone), não somente como uma mulher, mas também como um amigo. Quando, porém, os dois concorrem a uma vaga no Salão de Pintura de Paris, são questionados esse casamento e, conseqüentemente, as novas posições do homem e da mulher na sociedade.

“A peça fala sobre um assunto pertinente aos dias de hoje, quando há disputas profissionais, competição, briga por poder e dificuldade de relacionamento e a mulher quer ser igual nos direitos mas não nos deveres. Em Camaradagem as relações são superficiais, baseadas em interesses. Bertha é diabólica, um furacão”, diz Patricia.

A peça contrapõe o casamento antigo, em que a mulher é dependente, ao novo, em que os papéis sociais se embaralham. “Strindberg escreveu há quase cem anos, mas essa é uma questão atual, a do homem mais fragilizado e da mulher mais virilizada. Em Camaradagem aparece a perplexidade do homem diante da nova mulher”, afirma o diretor.

A própria questão feminista é colocada em xeque por Abel (Nicole Cordery), amiga do casal. “Sou de uma geração da qual mulheres queimaram sutiãs. Hoje temos uma banalização assustadora disso, com meninos chamando meninas de cachorras”, diz Tolentino. Além do confronto central, existem outros, personificados por outros amigos do casal: “Há Lulu [Zé Henrique de Paula], um escritor sensível, e Carl [Sergio Mastropasqua], um militar protofascista” .


[Mais informações abaixo.]


Escrito por Mauro Fernando s 19h57
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CAMARADAGEM





“Strindberg é o pai da modernidade do teatro, constitui uma mudança radical na dramaturgia. Ele responde à Nora [protagonista de Casa de Bonecas] de [Henrik] Ibsen [1828-1906]. Strindberg diz que Nora é uma personagem romântica e sai um pouco do mundo burguês para cair no mundo artístico. Sua dramaturgia já é recortada. Não há continuidade lógica, a explicação de cada fato como em Ibsen, nem o diálogo cartesiano, de causa e conseqüência”, afirma o diretor Eduardo Tolentino de Araújo.

Camaradagem – “Adaptamos duas peças de Strindberg com os mesmos personagens, Camaradas e Saqueadores”, assinala o diretor –, marca uma fase de transição do dramaturgo. “As tintas são pré-expressionistas. Depois ele enveredaria pelo expressionismo. São pinceladas fortes fora do campo do realismo; não a vida como ela é, mas o que está por dentro dela. Já se começa a ver a alma das pessoas, não só o lado externo.”

Os pintores expressionistas alemães Edvard Munch (1863-1944) e Otto Dix (1891-1969), o cinema mudo, o cineasta sueco Ingmar Bergman são influências que Tolentino carrega para a montagem. Como o texto não se reporta ao naturalismo puro, “a ficção não se passa no tempo da representação”, “não dá para montar [Camaradagem] de maneira naturalista”. “Mas não estamos inventando a pólvora, usamos coisas que já existem.” O diretor ressalta ainda o humor sutil do texto: “Não é para rir a cada dois segundos, mas há situações engraçadas”.


CAMARADAGEM. De August Strindberg. Direção de Eduardo Tolentino de Araújo. Com o Grupo Tapa. No Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1.323, São Paulo, SP. Fone (11) 3801-1843. Quintas a sábados, às 21h, e domingos, às 19h. R$ 20 e R$ 30. Até 29/10.


Escrito por Mauro Fernando s 19h52
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OS MEIRINHOS (MARTINS PENA)


Martins Pena



ATO ÚNICO


O teatro, na antecena, representa uma sala. Portas laterais, mesas de um e de outro lado; no fundo, três portas que deitam para outra sala, onde se vê um bilhar em que jogam diferentes pessoas, e outras sentadas em bancos ao redor, diversamente vestidas – tudo como se observa nessas casas de jogo.


CENA I

MANUEL e JOÃO. JOÃO PATAQUINHA, sentado à mesa da esquerda, escrevendo. MANUEL PIABA, sentado à direita, bebendo. Na sala de bilhar jogam.

JOÃO, escrevendo – “... que tão injustamente lhe foi delapidada, pertencendo-lhe estas propriedades como em Juízo mostrará. Portanto pede a V.S.ª se digne mandar citar o suplicado para comparecer na primeira audiência deste Juízo. E.P.M. Citei ao supli[cado] hoje, 20 de julho de 1845, do que dou fé e passei esta por me ser pedida. Rio de Janeiro, 20 de julho de 1845. João da Assunção Amor Divino, Oficial de Justiça do Juízo Municipal.” (Falando:) – Está pronta a contra-fé... Bom, tenho os meus dez tostões ganho[s]. Vai bem o dia... (Chamando:) Manuel Piaba?

MANUEL – O que queres, João Pataquinha?

JOÃO – Que horas são?

MANUEL – Não sei.

JOÃO – O teu relógio?

MANUEL – Empenhei-o antes de ontem na Rua da Cadeia por quatro mil-réis, e desta enormíssima quantia estou bebendo os últimos vinténs... (Olhando para a garrafa:) Quero dizer, já bebi...

JOÃO – Estás com a onça?

MANUEL – O que queres? Deus pôs o homem no mundo para beber e comer; é preceito católico. Enquanto há, bebe-se; e quando não há, bebe-se ainda e come-se dos amigos. Para isso é [que] se inventaram os amigos.


Escrito por Mauro Fernando s 13h44
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UM ASSOVIO (QORPO-SANTO)


Qorpo-Santo



ATO PRIMEIRO


CENA PRIMEIRA


FERNANDO (passeando e batendo na testa) – Não sei que diabo tenho nesta cabeça! Nem São Cosme, que é da minha particular devoção, é capaz de adivinhar o que se passa dentro deste coco! O que, porém, é verdade é que todos os dias, todas as horas faço novas preces; e todas as horas e todos os dias transgrido os deveres que em tais protestos me imponho! (Chama.) Gabriel, Gabriel, que diabo estás fazendo nesse fogão em que estás pregado há mais de duas horas! Querem ver que estás a roer os tijolos, julgando serem de goiabada! Cruzes! Cruzes! Que gastrônomo! É capaz..., já estou com medo! É capaz de roer até a minha casaca velha! (Pegando de repente no nariz, tira um pedaço; olha e grita:) Oh! Diabo! Até já me roeu um pedaço do nariz quando eu ontem dormia! Gabriel! Gabriel!

GABRIEL – Pronto! Então (de dentro) que tanto me chama!? Diabos te levem! É o amo mais impertinente que tenho visto! Cruzes! Ave-Maria! Já vou, já vou! Deixe-me tomar o meu quinhão de café; e tomo, porque estou transido de frio! Estou gelo! Quer derreter-me!? Espere, espere!

FERNANDO – Diabos te levem para as profundas do maior inferno! Está este diabo a tomar café desde que amanhece, até que anoitece! Vai-te, diabo!

GABRIEL (aparecendo) – Ora, graças a Deus e a meu amo! Já que com o diabo cortei de todo as minhas relações. (Apalpando e levantando a barriga.) Tenho esta pança mais pequena que a de um jumento ou de um boi lavrador! Não é nada (caminhando para o lado do amo), existe aqui... quem sabe já quanto estará! (Rindo-se.) Duas chaleiras de café; quatro libras de açúcar... já se sabe – do mais fino refinado. Três libras, não! Seis libras de pão de rala e duas de fina manteiga inglesa. (Andando para uma e outra parte.) Troleró, troró! Agora sei que sou mesmo um Manuel José Taquarião! Só me faltam as cartas e as parceiras! (Apalpa as algibeiras e tira um baralho.)

FERNANDO (à parte) – Estou otimamente servido de criado e companheiro! Não tenho, sinto, um guindaste para lhe suspender a pança!

GABRIEL (depois de haver examinado o baralho com atenção; para o amo) – Pensei que não tinha trazido. Está ótimo! Vamos a uma primeirinha? (Batendo no baralho.) Heim? Heim? (Tocando-lhe no braço.) Então? Vamos ou não vamos!?

FERNANDO – Tu és o diabo em figura de bicho. (Batendo-lhe na pança.)

GABRIEL – Ai! Não me fures, que eu tenho um filho de seis meses arranjado pela senhora dona Ludovina, aquela célebre parteira que o senhor meu amo, melhor que eu conhece..., visto que passou as mais apreciáveis noites com... ou... etc., etc.

FERNANDO (batendo-lhe na boca) – Ó diabo! Não descubras esse segredo! Senão, são capazes os amigos dela de me porem na cadeia!

GABRIEL (à parte) – Por isso é que muitas vezes eu chupo-lhe o dinheiro, e faço de amo! Tem segredos, que eu sei; e que ele não quer que sejam revelados!


Escrito por Mauro Fernando s 13h40
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