ROTUNDA


TRANQUEIRAS FRASEADAS





Aquele trivial variado de uma gente simples que parece perdido no tempo, mas ainda existe tanto na vila como na cidade grande. Esse o assunto do espetculo solo Tranqueiras Fraseadas, que estria neste sbado (7/10) no Teatro Brincante, em So Paulo. Dor Cross Silva interpreta Maria Guilhermina, que preenche seu cotidiano com as coisas simples da vida.

O projeto nasceu no ano passado, quando a atriz percorreu pequenas cidades de Gois para entrevistar pessoas para a montagem. Fui para Gois buscar relaes humanas essenciais, no mascaradas, no importa se a pessoa pobre ou rica, urbana ou rural. Ela revela que, na volta, encontrou o mesmo tipo de pensamento em entrevistas feitas na Zona Sul paulistana: Fiz, ento, um paralelo entre a cultura popular da periferia e a da roa.

Dor ouviu muitas mulheres, mas tambm homens. Eles comeavam as entrevistas meio inibidos, mas aos poucos iam se soltando, virava um bate-papo. E terminavam em outro estado de alma, davam-se conta do valor que tm. So pessoas mais simples, autnticas, que no tm mscaras, no tm um papel [social] a cumprir, conta. A pea no traz mensagem nem moral da histria, no julga o que certo ou errado.

Esse o esprito que a atriz d montagem. "Guilhermina partiu de Gois para So Paulo com a famlia inteira e alegre, de bem com a vida, espontnea, descontrada. Conta causos da roa, alguns meio fantsticos, e histrias urbanas. So coisas simples mas essenciais, so os vnculos emocionais que se criam, mas sem romantizar nada nem apelar para o saudosismo. Faz docinhos. Senta ao lado das pessoas, conversa olhando no olho. Mas a interao no obrigatria, no h invaso. Apenas as convida para entrarem no clima.

Alm de Dor, assinam a dramaturgia de Tranqueiras Fraseadas Marlia Risi (que tambm dirige), Rubens Rewald e Quelany Vicente. Eu e Marlia separamos as histrias mais interessantes e depois convidamos Rubens, que trabalha com temas urbanos, para o projeto. No queria fazer a histria da caipirinha que veio para So Paulo. Quelany entrou para dar um tratamento mais delicado, sutil, afirma a atriz.

O pano de fundo o casamento da filha de Guilhermina. A platia so os convidados, diz Dor. O cho do espao cnico forrado de arroz, que tem a ver com a roa, com casamento, com fartura. Por sinal, Guilhermina no farta de dinheiro, mas de outras coisas.


TRANQUEIRAS FRASEADAS. Dramaturgia de Dor Cross Silva, Marlia Risi, Quelany Vicente e Rubens Rewald. Direo de Marlia Risi. Com Dor Cross Silva. No teatro Brincante. Rua Purpurina, 428, So Paulo, SP. Fone (11) 3816-0575. Sbados, s 21h, e domingos, s 20h. R$ 20. At o dia 29.


Escrito por Mauro Fernando s 12h40
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OS CRIMES DO PRETO AMARAL





Com Os Crimes do Preto Amaral, sua stima montagem em nove anos de existncia, a Cia. Pessoal do Faroeste inaugura a Sede Luz do Faroeste no bairro dos Campos Elseos, na capital paulista. Paulo Faria assina a dramaturgia e a direo do espetculo, que estria nesta sexta (6/10).

A pea mistura fico a acontecimentos reais relacionados a Jos Augusto do Amaral, o Preto Amaral, a quem foram imputados assassinatos na So Paulo da virada de 1926 para 1927 a cor da pele influenciou na sua captura. A montagem discute a eugenia, conjunto de procedimentos que visa pretensa melhoria do patrimnio gentico de populaes, entre eles a esterilizao de pessoas de raas consideradas inferiores.

Eugenia significa limpeza tnica, racismo velado, afirma o autor e diretor. Ao associar os crimes a um negro, a sociedade o condenou sem dar-lhe oportunidade de defender-se. Ele confessou sob tortura e morreu na priso antes de ser julgado. O texto no assegura a inocncia de Preto Amaral, mas sim seu direito defesa. Faria escreveu a partir da tese de doutoramento de Paulo Fernando de Souza Campos, defendida na Unesp.

Os crimes tiveram muita repercusso na poca, conta. A pea, pois, mexe com a questo da mdia. Aquele o momento no Brasil em que a imprensa comea a fabricar verdades para vend-las nas bancas. Segundo o autor e diretor, Preto Amaral foi vtima tambm desse processo, que condena antes de julgar.

A fim de fazer uma crtica direta tica do jornalismo, Faria lembra dois casos: o da Escola Base e o do empresrio Ablio dos Santos Diniz. Os proprietrios da escola foram acusados de pedofilia e inocentados depois de perderem a honra e o negcio por conta do pr-julgamento da sociedade. A mdia sugeriu que o seqestro de Diniz, s vsperas da eleio presidencial de 1989, foi obra de simpatizantes do PT.

A trama inspirada no mito grego de Orfeu, que foi morada de Hades, deus do mundo subterrneo, o reino dos mortos, em busca de sua amada Eurdice. Usei a mitologia, que est no inconsciente coletivo e, por isso mesmo, guia muitos roteiros em Hollywood, como apoio para escrever a histria, diz Faria.

Aos personagens principais, ento. Herdeiro do dono da Tribuna Paulista, Hermineu de Carvalho (lvaro Franco) escreve uma novela de suspense baseado nas informaes que chegam redao do jornal sobre os crimes atribudos a Preto Amaral (Ado Filho). Eurdice (Erika Altimeyer), advogada recm-chegada da Sorbonne, noiva de Orfeu de Freitas (Charles Braun). Este filho de Apollo de Freitas (nio Gonalves), que defende a eugenia. As tendncias humanistas de Eurdice se chocam com as opinies do futuro sogro.


OS CRIMES DO PRETO AMARAL. Dramaturgia e direo de Paulo Faria. Com a Cia. Pessoal do Faroeste. Na Sede Luz do Faroeste. Alameda Cleveland, 677, So Paulo, SP. Fone (11) 3362-8883. Sextas e sbados, s 20h30, e domingos, s 18h. R$ 20 e R$ 30. At 25/02/2007.


Escrito por Mauro Fernando s 18h12
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LISSTRATA: SEXO, DROGAS E GREVE





Das 40 peas de Aristfanes (446? a.C.-335? a.C.), consideradas crnicas histricas por conta de ser a sociedade grega a matria-prima do comedigrafo, somente 11 chegaram a ns. Uma delas Lisstrata, que carrega o subttulo A Greve do Sexo. A convite da diretora Dbora Dubois, o escritor e rapper Ferrz (autor de Capo Pecado, Manual Prtico do dio e Ningum Inocente em So Paulo e colaborador da revista Caros Amigos) redigiu Lisstrata: Sexo, Drogas e Greve.

Produo do Grupo J, o espetculo estria nesta sexta (6/10) no Teatro Fbrica So Paulo. uma atualizao, diz Dbora, convidada pela companhia para dirigir a montagem. No original, a ateniense Lisstrata lidera as mulheres gregas em uma greve de sexo a fim de forar a paz em um tempo no qual conflitos espicaavam a Grcia. Chegam a apoderar-se do tesouro da cidade para evitar novas campanhas militares.

A histria foi transplantada para os dias de hoje. Lisstrata (Rennata Airoldi) uma jovem lder comunitria que leva as mulheres dos Morros do Maluf e do Lalau a uma greve de sexo para chegar paz. Elas confiscam as drogas de traficantes, obrigando-os a negociar. Aristfanes escreveu uma comdia pacifista, mas Dbora revela que a montagem no tem compromisso com a comdia, embora haja momentos de humor. O problema que a brincadeira com a realidade. No h muito sentido em rir disso, completa Rennata.

Quando decidiu colocar a trama na periferia, o grupo procurou algum que entendesse desse universo, tivesse propriedade para falar dele, conta a atriz. evidente que o escritor e rapper d ao texto tons de crtica social: Estamos trazendo o morro para refletir sobre essa realidade. Como diz Ferrz, no morro no tem s gente se drogando e se prostituindo, ladro no enche nibus. No queramos a viso da classe mdia sobre esse assunto. Poderia ficar caricato.

Um certo idealismo ingnuo percorre a pea. Ferrz pegou idias prontas e as colocou no texto. uma crtica a uma determinada postura. ingenuidade achar que acabar com o trfico vai mudar o mundo, afirma Dbora. Mas ele usou a estrutura original. Quem leu Aristfanes reconhecer. Ferrz, porm, encerra seu texto de maneira diferente do comedigrafo grego.

A inteno provocar o pblico, despert-lo para uma mudana social? Rennata reponde: Talvez estejamos abrindo uma janela para pessoas que no tm interesse em ver esse universo possam refletir um pouco sobre questes sociais. Para que tanto consumismo, por exemplo?

Para construir o personagem, a atriz se apoiou em duas caractersticas: Lisstrata possui um sonho algo inocente, a paz, mas adota uma atitude radical, bota a boca no mundo. Atualmente as pessoas no tm tempo para palavras como paz e amor, que soam meio piegas pela maneira como so ditas. A fragilidade de Lisstrata est nesse fundinho meio piegas. Ela passa por uma transformao. No comeo defende uma bandeira mas no meio titubeia.


LISSTRATA: SEXO, DROGAS E GREVE. De Ferrz. Direo de Dbora Dubois. Com Rennata Airoldi, Charles Geraldi, Ndia De Lion, Paula Lopez, Maurcio Tessariolli, Pedro Paulley, Joice Jane Teixeira e Drcio de Oliveira. No Teatro Fbrica So Paulo. Rua da Consolao, 1.623, So Paulo, SP. Fone (11) 3255- 5922. Sextas e sbados, s 21h, e domingos, s 20h30. R$ 20. De 6/10 a 26/11.


Escrito por Mauro Fernando s 12h15
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TODA NUDEZ SER CASTIGADA





As obsesses rodriguianas novamente em pauta. Dirigido por Paulo de Moraes, o Armazm Cia. De Teatro estria nesta quarta (4/10), no Centro Cultural So Paulo, a tragdia carioca Toda Nudez Ser Castigada, a 15 das 17 peas escritas por Nelson Rodrigues (1912-1980). A montagem do Armazm levou o Prmio Shell de Teatro Rio de Janeiro nas categorias direo e iluminao (Maneco Quinder). O texto foi levado ao palco pela primeira vez em 1965, sob a direo de Zbigniew Ziembinski (1908-1978).

Quando chega em casa, Herculano (Thales Coutinho) no encontra sua mulher, a ex-prostituta Geni (Patrcia Selonk), que sara e deixara com a empregada uma fita. Na gravao, Geni avisa: Herculano, quem te fala uma morta. Eu morri. Me matei. O autor usou o recurso do flash-back, fazendo com que o passado ganhe a fora de ao presente. Assim surgem Patrcio (Fabiano Medeiros) e Serginho (Srgio Medeiros), irmo e filho de Herculano, alm de suas tias (Simone Mazzer, Vernica Rocha e Isabel Pacheco).

Essa estrutura de flash-back a caracterstica da pea o que mais seduziu o diretor. Essa estrutura narrativa d a possibilidade de uma montagem ousada. No se trata de uma pea realista, ela comea pelo fim. Nelson abre mo da maior surpresa, mas nos pega por outros pontos. como se a histria se passasse dentro da cabea de Herculano, como se puxssemos gavetas que trazem pedaos da memria dele, diz.

Moraes e Carla Berri conceberam a cenografia conforme esse princpio. Para dar a idia de que as coisas acontecem dentro da cabea de Herculano, para dar a impresso de gavetas que contm a memria do personagem, h uma espcie de caixa de acrlico e ferro com portas abrindo e fechando. Junto com o cenrio, que lembra um vitral de igreja, a iluminao em tom vermelho, que lembra uma zona, consegue construir o clima que oscila ente o sagrado e o profano, conta o diretor.

H no espetculo o embate entre o puritanismo e a sexualidade exacerbada, analisa Moraes: Herculano fez sexo ruim durante toda a vida. Quando encontra uma prostituta, desperta para as coisas que o tolhiam. A partir de ento torna-se um heri meio trgico. Na tragdia grega, a desmedida faz os personagens comearem a cair. E ele no um personagem slido, no consegue se defender por si s.

Rodrigues incluiu o texto no gnero obsesso em trs atos, criado por ele. Vivo que se mantinha casto antes de conhecer Geni, Herculano rico mas deixou Patrcio ir falncia. Aos 18 anos, Serginho no conhece o sexo e cultiva o complexo de dipo. Obsesses percorrem todos os personagens, afirma o diretor. A da Geni a santidade, ela quer reencontrar algo que nunca teve. A de Herculano a sexualidade tardia. A de Serginho a castidade absurda. A das tias a moral hipcrita. A de Patrcio ser maior que o irmo.

A montagem pende ora para o cmico ora para o trgico, ora para o humor cnico ora para o desespero sombrio. H duas coisas de Nelson que prevalecem em Toda Nudez: o frasista genial, engraadssimo, e o moralismo. Os personagens beiram o pattico. Quando se trabalha nesse patamar, as situaes so to intensas que voc chora e ri da mesma coisa.


TODA NUDEZ SER CASTIGADA. De Nelson Rodrigues. Direo de Paulo de Moraes. Com o Armazm Cia. de Teatro. No Centro Cultural So Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, So Paulo, SP. Fone (11) 3383-3402. Quartas a sbados, s 21h, e domingos, s 20h. R$ 12. At 12/11.


Escrito por Mauro Fernando s 22h12
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ABRE AS ASAS SOBRE NS





O ator e produtor Andr Fusko mostra a partir desta segunda (2/10) no Espao dos Satyros 2, em So Paulo, a segunda parte do projeto Brbara ao Quadrado: sob a direo de Luiz Valcazaras, estria Abre as Asas Sobre Ns, de Srgio Roveri. Assim como O Anjo do Pavilho Cinco (texto de Aimar Labaki e direo de Emilio Di Biasi), que ficou em cartaz no primeiro semestre, a pea inspirada no conto Brbara, de Drauzio Varella.

Brbara ao Quadrado um projeto de dramaturgia, explica Fusko. O importante a liberdade de criao, no precisava ser fiel ao original. Queria que cada dramaturgo se alimentasse do universo original mas imprimisse seu estilo. Brbara tem como protagonista um travesti encarcerado no Carandiru. Enquanto as aes de O Anjo se passam na deteno, as de Abre as Asas tm seu tempo antes de os personagens irem para o presdio. Eles tm seus prprios encarceramentos fora da priso, diz.

Paulo Preto (Fusko) atropela Brbara (Emerson Rossini). Comea, ento, uma amizade. Quando Brbara revela coisas comprometedoras sobre o travesti Galega (Rodrigo Gaion), desencadeia-se uma necessidade de limpeza de arquivo e o enfrentamento entre Xal (Walmir Pinto) e Paulo Preto.

Uma atmosfera de mistrio perpassa a montagem. O texto fragmentado. O espetculo comea com um pedao do desfecho. Depois surgem as situaes anteriores, e o quebra-cabea vai se formando at que o final se complete. As coisas, como o assassino e a vtima, so reveladas aos poucos, afirma o ator e produtor. Tambm como em O Anjo, Abre as Asas no tem um protagonista. Brbara conduz a histria, mas como se esta se passasse na cabea de Paulo Preto, conta.

Os personagens esto literalmente engaiolados Valcazaras responde pela concepo cenogrfica. Os 40 espectadores ficam em volta da gaiola, grudados na cena, como voyers. A interpretao cinematogrfica, tudo o que fazemos pequeno, diz Fusko. Kalau assina a trilha original, executada em som surround 5.1 so seis caixas, cinco que circundam o viveiro onde ficam os atores e uma colocada no cho. A trilha sustenta o clima e ambientaliza cenas como a do atropelamento, indica o ator e produtor.

Fusko revela que O Anjo e Abre as Asas nasceram de estilos opostos de trabalho: O Emilio no mudou uma vrgula do texto do Aimar, foi generoso com o dramaturgo. J o Roveri, que esteve presente em quase todos os ensaios, fez algumas alteraes no texto e teve a generosidade de emprest-lo para a encenao do Valcazaras, que possui uma criatividade compulsiva.


ABRE AS ASAS SOBRE NS. De Srgio Roveri. Direo de Luiz Valcazaras. Com Andr Fusko, Emerson Rossini, Rodrigo Gaion e Walmir Pinto. No Espao dos Satyros 2. Praa Roosevelt, 214, So Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Segundas a quartas, s 22h30. R$ 20. At 6/12.


Escrito por Mauro Fernando s 15h30
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