ROTUNDA


INOCÊNCIA





A Cia. Os Satyros não se cansa de refletir sobre a sociedade contemporânea – e contestá-la. “O que cansa é o mundo ser tão injusto. Trabalhamos temas que nos incomodam. Cosmogonia – Experimento Nº 1 [que especula sobre a existência humana], por exemplo, não tem nada a ver com a questão social. Mas, no caso da sociedade brasileira, não falar sobre isso [a falta de perspectivas, o vácuo ideológico e a sufocante tutela do capital] é uma atitude conservadora”, afirma o diretor Rodolfo García Vásquez.

Nesta quinta (19/10), o grupo estréia Inocência no Espaço dos Satyros Um, em São Paulo. Assina o texto a alemã Dea Loher, que escreveu A Vida na Praça Roosevelt, um retrato ao mesmo tempo poético e social de pessoas cuja vida está ligada à praça paulistana onde se localiza a sede da trupe fundada em 1989 por Vázquez e pelo ator Ivam Cabral.

Em Inocência, à maneira de A Vida na Praça Roosevelt, várias histórias paralelas se entrelaçam. “Dea utiliza o mesmo recurso estilístico”, reconhece o diretor. “Mas as temáticas são diferentes e retratam bem duas realidades diversas, a brasileira e a alemã. A falta de sentido do mundo – com cada um, individualmente, tentando dar sentido a ele, uma tarefa quase inglória – é mais explícita em Inocência.” Há, porém, pontos em comum: “O desconforto diante do mundo contemporâneo, a angústia que nos consome e nos devora”.

A peça é ambientada em uma cidade grande e portuária. “Imaginamos Hamburgo, apesar de isso não ser dito”, afirma Vázquez. Isso, no entanto, não restringe o alcance da montagem: “Há no texto uma singularidade que se transporta para a universalidade. Como são personagens arquetípicos, não existe uma situação específica”.

Os 13 atores interpretam personagens cujo traço de ligação é a falta de compaixão. Como Fadoul (Ivam Cabral) e Elísio (Fabiano Machado), dois imigrantes ilegais que assistem, paralisados pelo medo da deportação, ao afogamento de uma mulher. Como Absoluta (Cléo de Páris), jovem cega que trabalha como stripper em uma boate decadente e se apaixona por Fadoul. Ou como Rosa (Nora Toledo), que vive às turras com a mãe diabética.


INOCÊNCIA. De Dea Loher. Tradução, adaptação e direção de Rodolfo García Vázquez. Com a Cia. Os Satyros. No Espaço dos Satyros Um. Praça Roosevelt, 214, São Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Quintas a sábados, às 21h, e domingos, às 20h30. R$ 25. Até 17/12.


Escrito por Mauro Fernando s 12h23
[ ] [ envie esta mensagem ]


ZONA DE GUERRA





Com André Garolli à frente do timão, a Cia. Triptal coloca em cartaz nesta sexta (20/10), na Unidade Provisória Sesc Paulista, a segunda parte da tetralogia Homens ao Mar, projeto inspirado na dramaturgia do estadunidense Eugene O’Neill (1888-1953). Depois de Cardiff – três indicações para o Prêmio Shell (direção para Garolli, cenário para a companhia e música para André Luis Lima) –, é a vez de Zona de Guerra. Longa Viagem de Volta para Casa e Luar Sobre o Caribe não têm data de estréia marcada.

Escritos entre 1914 e 1917, quando a principal preocupação do autor (cujas obras mais conhecidas são O Imperador Jones, Electra e os Fantasmas e Longa Jornada Noite Adentro) eram questões sociais, os quatro textos tratam do universo dos marinheiros, proletários do mar. “É a primeira fase de O’Neill [ganhador do Nobel de Literatura de 1936], em que ele aborda a questão do homem oprimido em luta contra a sociedade. Nessas peças não existem heróis, são todos fracassados”, explica Garolli.

E o universo de Homens ao Mar também está ligado ao da burguesia, garante o diretor. “O’Neill foi criticado por colocar aspirações burguesas no universo proletário. Para o burguês, pobres não podem sonhar, têm de se contentar com prato de comida. Para O’Neill, o homem tem de ter desejos, mesmo sabendo que dificilmente serão alcançados. Você deixa de existir se perder seu sonho.”

Em Zona de Guerra, Smitty (Roberto Leite) se engaja em um cargueiro inglês que contrabandeia armamento durante a 1ª Guerra Mundial. Ele carrega uma caixa preta, levantando a suspeita, principalmente de Davis (Bruno Feldman) e Scotty (Kalil Jabbour), de que seja um espião a soldo da Alemanha. A situação fica mais tensa quando o navio entra na zona de guerra e os colegas de mar resolvem abrir a tal caixa. Além de transportarem seus sonhos e ilusões, os marinheiros transpiram medo e solidão.

Os nove atores – Alexsandro Santos, Denis Goyos, Guilherme Lopes, João Bourbonnais, Uryas de Garcia e Wagner Menegare também estão no elenco – ficam restritos ao espaço cênico de aproximadamente 10m². “A sala [de exibição] tem pé-direito baixo, o que reforça a sensação de confinamento”, revela o diretor. Cada sessão acolhe 40 espectadores.

O início do projeto remonta a 2003, quando Garolli dirigiu o exercício cênico Rumo a Cardiff com alunos do curso de iniciação teatral montado pelo Grupo Tapa no Teatro Arthur Azevedo – Tony Giusti e Zecarlos Machado reforçaram o elenco. “Havia uma grande quantidade de homens, que disseram que gostariam de fazer uma peça. Começamos a procurar textos com essa característica [para quase 30 homens em cena] e chegamos na primeira fase de O’Neill, que trabalha o universo de marinheiros”, afirma.


ZONA DE GUERRA. De Eugene O’Neill. Tradução de Fernando Paz. Adaptação e direção de André Garolli. Com a Cia. Triptal. Na Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista. Avenida Paulista, 119, São Paulo, SP. Fone: (11) 3179-3700. Sextas e sábados, às 22h, e domingos, às 18h. R$ 7,50 a R$ 15. Até 19/11.


Escrito por Mauro Fernando s 15h48
[ ] [ envie esta mensagem ]


PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS





A pintora Lisa e o escritor Gilberto são casados há 15 anos. Atualmente vivem sua maior crise conjugal. Depois de um misterioso acidente que lhe custou a memória, ele volta para casa e tenta reconstituir, ao lado da mulher, sua vida. Paira no ar, entretanto, uma desconfiança mútua. O relacionamento está por um fio.

Pequenos Crimes Conjugais, do francês Eric-Emmanuel Schmmit, estréia nesta quarta (18/10) para convidados e nesta sexta (20/10) para o público no Teatro Jaraguá, em São Paulo. Marcio Aurelio dirige Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo. Paulo Autran assina a tradução.

“O espetáculo é simples, direto, objetivo”, afirma o diretor. “A relação acabou sufocando essa mulher”, conta a atriz: “Isso fica claro à medida em que tenta montar esse quebra-cabeça. Ela percebe que se transformou”. De acordo com o ator, Gilberto “supõe que a amnésia venha, de alguma forma, da dificuldade da relação”. “Eles têm a intuição de mexer em alguma coisa que nem sabem o que é. São dois jogadores”, diz Gontijo.

Para o ator, o texto discute a parcela de responsabilidade que cabe a cada um dos vértices nos relacionamentos, seja no casamento, no trabalho ou “com o verdureiro”: “A peça tira um pouco a responsabilidade do outro nas relações. Não é outra pessoa que vai resolver as suas dificuldades”.

Gontijo ainda destaca a convivência do cômico e do dramático na montagem: “A vida é feita dessas duas coisas. É mais legal quando você se reconhece engraçado dentro de uma situação dramática. Há essas oscilações entre os dois personagens o tempo todo, o que revela uma humanidade grande. Eles não dizem verdades sobre a vida, estão em busca delas, divertindo-se com a própria tragédia”.


PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS. De Eric-Emmanuel Schmitt. Direção de Marcio Aurelio. Com Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo. No Teatro Jaraguá. Rua Martins Fontes, 71, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-4380. Sextas, às 21h30, sábados, às 21h, e domingos, às 19h. R$ 60. Até 17/12.


Escrito por Mauro Fernando s 18h35
[ ] [ envie esta mensagem ]


KEROUAC





“Jack Kerouac está chegando em casa de madrugada do dia de Natal, depois da derradeira aventura de sua vida na estrada. Está sem grana nenhuma e precisa relembrar os fatos da viagem para escrever um novo livro e vender rápido para fazer dinheiro. Jack já não é mais o velho viajante solitário. Está detonado, batido pelo peso dos anos, pelo fracasso literário, pela solidão, pelo álcool e pelas drogas. (...) Ele é basicamente introspectivo e seus estados de ânimo ficam variando entre inocência, entusiasmo, paranóia e fúria alcoólica.”

Assim, em linhas gerais, o dramaturgo Maurício Arruda Mendonça indica para o ator Mário Bortolotto como é o Jack Kerouac do espetáculo solo Kerouac, que reestréia nesta segunda (16/11) no Espaço dos Satyros Dois, em São Paulo. Mendonça escreveu o monólogo especialmente para Bortolotto, que atua sob a direção de Fauzi Arap, em 2002. A produção é do Grupo Cemitério de Automóveis.

Autor de Pé na Estrada, Jack Kerouac (1922-1957) é um dos expoentes da geração beat, formada por um grupo de intelectuais estadunidenses inconformados com a monotonia expressa pelo american way of life. E uma das influências assumidas de Bortolotto, tanto em sua dramaturgia (Diário das Crianças do Velho Quarteirão e Fica Frio – Uma Road Peça, por exemplo) quanto em sua literatura.

Mendonça coloca no papel um Kerouac já em seus últimos dias, solitário e amargo, revivendo amizades (principalmente a mantida com Neal Cassady) e histórias – a própria vida, enfim –, lançando vitupérios contra críticos e vagando entre a angústia e a desilusão. Evita dar-lhe contornos heróicos, apresentando-o em sua humanidade.

O ator se entrega à cena com a mesma voracidade com que um beatnik põe o pé na estrada, o que confere credibilidade à montagem. Aliada às alterações de humor do personagem, a quebra da quarta parede (sugestão de Arap, não explícita no texto) impede que o monólogo ganhe tom monocórdio.

Bortolotto confesa que Kerouac é um dos espetáculos que mais lhe dá prazer de fazer, ao lado de Homens, Santos e Desertores, A Frente Fria que a Chuva Traz e Efeito Urtigão. Acostumado a escrever e a dirigir as peças da companhia, não estranha atuar sob batuta alheia: “Acho até confortável, quando confio no diretor”.


KEROUAC. De Maurício Arruda Mendonça. Direção de Fauzi Arap. Com Mário Bortolotto. No Espaço dos Satyros Dois. Praça Roosevelt, 124, São Paulo, SP. Fone (11) 3258-6345. Segundas, às 21h. R$ 20. Até 13/11.


Escrito por Mauro Fernando s 13h03
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histrico
08/11/2015 a 14/11/2015
01/11/2015 a 07/11/2015
18/10/2015 a 24/10/2015
11/10/2015 a 17/10/2015
04/10/2015 a 10/10/2015
27/09/2015 a 03/10/2015
20/09/2015 a 26/09/2015
13/09/2015 a 19/09/2015
21/06/2015 a 27/06/2015
05/04/2015 a 11/04/2015
22/03/2015 a 28/03/2015
15/03/2015 a 21/03/2015
09/11/2014 a 15/11/2014
19/10/2014 a 25/10/2014
21/09/2014 a 27/09/2014
14/09/2014 a 20/09/2014
27/07/2014 a 02/08/2014
29/06/2014 a 05/07/2014
22/06/2014 a 28/06/2014
15/06/2014 a 21/06/2014
08/06/2014 a 14/06/2014
01/06/2014 a 07/06/2014
25/05/2014 a 31/05/2014
18/05/2014 a 24/05/2014
11/05/2014 a 17/05/2014
04/05/2014 a 10/05/2014
27/04/2014 a 03/05/2014
13/04/2014 a 19/04/2014
06/04/2014 a 12/04/2014
30/03/2014 a 05/04/2014
23/03/2014 a 29/03/2014
16/03/2014 a 22/03/2014
09/03/2014 a 15/03/2014
17/03/2013 a 23/03/2013
03/02/2013 a 09/02/2013
20/01/2013 a 26/01/2013
13/01/2013 a 19/01/2013
23/12/2012 a 29/12/2012
16/12/2012 a 22/12/2012
09/12/2012 a 15/12/2012
25/11/2012 a 01/12/2012
18/11/2012 a 24/11/2012
26/08/2012 a 01/09/2012
27/05/2012 a 02/06/2012
31/07/2011 a 06/08/2011
05/06/2011 a 11/06/2011
15/05/2011 a 21/05/2011
01/05/2011 a 07/05/2011
20/03/2011 a 26/03/2011
06/02/2011 a 12/02/2011
16/01/2011 a 22/01/2011
07/11/2010 a 13/11/2010
24/10/2010 a 30/10/2010
15/08/2010 a 21/08/2010
01/08/2010 a 07/08/2010
25/07/2010 a 31/07/2010
18/07/2010 a 24/07/2010
04/07/2010 a 10/07/2010
27/06/2010 a 03/07/2010
10/01/2010 a 16/01/2010
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
27/09/2009 a 03/10/2009
16/08/2009 a 22/08/2009
02/08/2009 a 08/08/2009
14/06/2009 a 20/06/2009
03/05/2009 a 09/05/2009
22/03/2009 a 28/03/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
08/03/2009 a 14/03/2009
01/03/2009 a 07/03/2009
22/02/2009 a 28/02/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
08/02/2009 a 14/02/2009
18/01/2009 a 24/01/2009
04/01/2009 a 10/01/2009
14/12/2008 a 20/12/2008
07/12/2008 a 13/12/2008
30/11/2008 a 06/12/2008
23/11/2008 a 29/11/2008
16/11/2008 a 22/11/2008
09/11/2008 a 15/11/2008
02/11/2008 a 08/11/2008
26/10/2008 a 01/11/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
03/08/2008 a 09/08/2008
25/05/2008 a 31/05/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
30/03/2008 a 05/04/2008
23/03/2008 a 29/03/2008
16/03/2008 a 22/03/2008
09/03/2008 a 15/03/2008
30/12/2007 a 05/01/2008
11/11/2007 a 17/11/2007
02/09/2007 a 08/09/2007
26/08/2007 a 01/09/2007
19/08/2007 a 25/08/2007
15/07/2007 a 21/07/2007
08/07/2007 a 14/07/2007
01/07/2007 a 07/07/2007
03/12/2006 a 09/12/2006
05/11/2006 a 11/11/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006