O COPO DE LEITE
Divulgação
 Sandra Vargas em cena: as angústias adolescentes
Recomendação: a partir de 12 anos. Desta vez o Grupo Sobrevento não se dedica, especificamente, nem a crianças nem a adultos. E, surpresa, não utiliza bonecos em O Copo de Leite, que estréia neste sábado (14/7) no Sesc Ipiranga, em São Paulo. É a primeira vez que a companhia, fundada por Luiz André Cherubini, Miguel Vellinho e Sandra Vargas, se arrisca longe da linguagem pela qual se tornou conhecida.
“Gostamos de trabalhar não somente com o aperfeiçoamento técnico de uma mesma coisa, mas de outras coisas. E com a exploração de diferentes formas de relacionamento com o público”, explica Cherubini, que assina a direção da montagem. Assim, há outras novidades em relação à trajetória de 21 anos do grupo: o espetáculo é um solo com Sandra – prêmio APCA de melhor atriz em teatro infantil de 1999 por O Anjo e a Princesa – em que o público se acomoda sobre o palco em configuração de arena.
À história: uma mãe encontra o filho desesperado e se dá conta de que passou pela mesma situação. A peça aborda questões como o “reconhecimento por si mesmo e pelo outro, a inclusão, a identificação”, informa o diretor. “Verificamos que há muitas idéias datadas associadas a jovens, como rock, velocidade, fragmentação, iconoclastia. Eles não andam somente em turma, também há solidão. Não são apenas ímpeto, mas também fragilidade.”
Além de destinar-se ao público adolescente, O Copo de Leite traz a literatura do portenho, radicado no Chile, Manuel Rojas (1896-1973). “É um renovador da literatura chilena. Retrata pessoas em situação de marginalidade. Fala de artistas, marinheiros, prostitutas, gente que vive um pouco à margem do universo burguês. O protagonista de sua tetralogia da aprendizagem é um jovem em processo de formação”, afirma Cherubini.
O Sobrevento, porém, não se afasta completamente do teatro de bonecos. Conforme o diretor, o ponto que liga O Copo de Leite a trabalhos anteriores é “o desenho de movimentos no corpo da atriz”. “São movimentos controlados, como quem controla bonecos. E não existem movimentos casuais, como em relação a bonecos.”
A Mostra Sobrevento para Crianças acompanha O Copo de Leite no Sesc Ipiranga. O repertório da trupe recebe modificações constantes, conta Cherubini: “Mudamos cenas porque nosso nosso ferramental técnico se modifica. Os espetáculos não são filmes que se congelam, eles mudam conosco”. O Anjo e a Princesa (15/7 e 22/7), Mozart Moments (29/7) e O Theatro de Brinquedo (5/8) ficam em cartaz, sempre às 16h.
Cherubini ainda anuncia a chegada, em agosto, da companhia espanhola La Casa Incierta, dirigida por Carlos Laredo, para apresentações, oficinas e palestras. O trabalho de pesquisa e criação cênica para a primeira infância dos espanhóis encanta Cherubini. “A idéia do teatro para bebês é que a construção poética vá além da coisa codificada, desmonte academicismos e certezas. É construir não recreação, mas obras de arte. Apesar de não dominarem as linguagens escrita e falada, bebês são plenos, não são projetos de gente.”
O COPO DE LEITE. De Manuel Rojas. Adaptação de Sandra Vargas. Direção de Luiz André Cherubini. Com Sandra Vargas. No Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822, São Paulo, SP. Fone (11) 3340-2000. Sábados, às 20h. R$ 4,00 a R$ 12,00. Até 8/9.
Escrito por Mauro Fernando às 15h41
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