TITO
Divulgação
 Na interpretação de Cássio Castelan, Frei Tito com seus carrascos: resistir é preciso
“Fidelidade aos princípios assumidos”, escreveu Frei Betto em Batismo de Sangue, o livro que narra o envolvimento de dominicanos nos episódios que culminaram na morte do líder revolucionário Carlos Marighella, combatente da ditadura militar brasileira. Entre os freis que participaram das ações estava o cearense Tito de Alencar Lima, torturado que resistiu e não entregou companheiros nas sessões de suplício a que foi submetido.
Montagem em temporada no Centro Cultural São Paulo, Tito traz como objeto central uma discussão sobre a necessidade de resistir e o preço que se paga pela manutenção da integridade pessoal. Produção do Teatro da Conspiração, a peça escrita por Solange Dias e dirigida por Cássio Castelan entra em cartaz no Teatro Elis Regina, em São Bernardo do Campo (SP), neste sábado (21/7).
O espetáculo aborda questionamentos como a fé a que recorre Tito e o conduz ao silêncio diante da tortura mas que não impede o fim trágico e uma antiga querela das esquerdas (recorrer à luta armada ou apostar na tomada de consciência do povo). Mas a questão principal é a resistência, o que abre o leque de possibilidades de leitura – das opções individuais que se toma em função da lealdade aos próprios ideais à disposição de aplainar diferenças sociais.
A autora tomou o cuidado de deixar chavões ideológicos em segundo plano, de lembrar-se deles apenas para definir personagens com mais precisão e com os traços da época, de não atirar palavras de ordem a esmo, de não entupir de sectarismo as bocas dos atores. A honestidade com que o assunto é tratado e a coragem de emitir juízo de valor, ainda que possam pairar dúvidas sobre a utilização de recursos maniqueístas – o bem puro contra o mal absoluto –, constituem o ponto alto da peça.
Só isso, porém, não alimenta uma grande obra de arte. Há problemas a incomodar em Tito. A presença desnecessária de alguns elementos cênicos, por exemplo, revela uma certa falta de concisão – ainda mais para uma montagem que se apóia na limpeza de palco – e retira funcionalidade da encenação.
Quanto à interpretação, o elenco (Cássio Castelan, Alessandra Moreira, Renata Bonadio, André di Peroli, Emerson Santana e Marcio Ribeiro) está mais regular e seguro em relação à temporada do segundo semestre do ano passado no Teatro Conchita de Moraes, em Santo André (SP). Mas ainda não atingiu a maturidade, o que torna algumas passagens da peça carentes de verdade cênica.
TITO. De Solange Dias. Direção de Cássio Castelan. Com o Teatro da Conspiração. No Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo, SP. Fone: (11) 3383 3401. Terças a quintas, às 21h. R$ 15 e R$ 1,90 (em 24/7). Até 9/8. No Teatro Elis Regina. Rua João Firmino, 900, São Bernardo do Campo, SP. Fone (11) 4351-3479. Sábados e domingos, às 20h. R$ 10. Até 29/7.
Escrito por Mauro Fernando às 22h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|