COREOLÓGICAS V
Fábio Brazil
 Dançar para não dançar
O Caleidos Cia. de Dança inicia a temporada de Coreológicas V neste sábado (29/3). “O nome vem de ‘coreologia’, termo cunhado por Laban, que quer dizer uma forma de estudar a dança”, explica a diretora Isabel Marques. Rudolf von Laban (1879-1958) foi quem começou as experiências corporais que resultaram na dança-teatro.
O projeto, que chega à quinta edição amparado pelo Programa de Municipal de Fomento à Dança de São Paulo, surgiu em 1995 ligado ao doutorado de Isabel, A Dança no Contexto – Uma Proposta para a Educação Contemporânea, concluído na USP em 1996. “Um dos pontos da pesquisa é a questão artista-docente”, afirma. “A idéia de Coreológicas é como ensinar a dança dançando” e não a partir da teoria. A primeira coreografia da série estreou em 1996.
Coreológicas V pressupõe que a platéia interceda na cena. “Não é um espetáculo para ser visto ou cultuado. Ele se coloca mais como uma proposição artística”, conta a diretora. “Há dois momentos não dissociados que se fundem. O elenco dança, e esse dançar já é um convite à participação do público. A proposição tem continuidade com o público.” São momentos intercalados – durante a encenação o elenco retoma algumas vezes o roteiro original a partir da intervenção da platéia.
E se o público não embarcar no jogo? “Entrar não é obrigatório”, diz Isabel. “Mas nunca tive um público que não entrou, somente casos pontuais, uma ou outra pessoa. A idéia é ver e perceber no próprio corpo o que viu. O público vai criando com base no que assistiu.” Assim, a entrada da platéia complementa a montagem. “A proposição do espetáculo já é feita a partir do convite ao público”, revela.
As pessoas têm de se sentir à vontade e com vontade de entrar em cena, e entre elas incluem-se “crianças, idosos, não-dançantes”. “Às vezes há bailarinos profissionais na platéia”, diz. “Para mim, a entrada do público é prazerosa e criativa, há o elemento lúdico, do prazer, do estar com.”
“A base dramatúrgica é a própria dança”, relata. “Não há uma dramaturgia no sentido da narrativa”. Os questionamentos sociais são inerentes ao fazer artístico. “O foco é a linguagem, mas sempre há um subtexto no corpo. O corpo é um corpo social. As discussões estão embutidas no corpo, o subtexto está implícito na coreografia. O tema do movimento traz o subtexto dramatúrgico.” Por exemplo: uma bailarina que carrega outra faz emergir questões como passividade e interdependência.
A pesquisa para a montagem começou em agosto. Em setembro houve a audição que definiu o elenco de intérpretes-criadoras: Luciana Nunes, Renata Baima, Samanta Roque e Sheila Alvarenga. Fábio Brazil responde pela identidade visual do espetáculo, inspirada em linhas e formas arquitetônicas (e artísticas) desenvolvidas pela chamada Escola Bauhaus.
COREOLÓGICAS V. Direção e concepção de Isabel Marques. Com o Caleidos Cia. de Dança. No Caleidos Arte e Ensino. Rua Pio XI, 1.497, São Paulo, SP. Fone (11) 3021-7510. Sábados, às 17h (exceto nos dias 26/4, 3/5 e 24/5). R$ 10. Até 31/5.
Escrito por Mauro Fernando às 20h59
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