FLORES BRANCAS
Lenise Pinheiro
 Sutilezas com Zeza Mota e Luciana Caruso
Com um fundo niilista – há pouco espaço para a esperança quando a iniqüidade se impõe de forma avassaladora –, João Fábio Cabral desenvolve sua dramaturgia atento ao esfumaçar da ética como mola propulsora da violência (psíquica, sexual, social, etc.). Um exemplo recente de peça cujos personagens Cabral não poupa: Delicadeza (2007, direção de Marcos Loureiro).
Desta vez, porém, o autor ataca os males contemporâneos em outra frente. Sob a direção de Fabiana Carlucci e Rogério Harmitt, Flores Brancas estréia neste sábado (5/4) no Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, e trata liberdade e preconceito com uma sutileza que não há em Delicadeza.
Vitória (Luciana Caruso) e Luísa (Zeza Mota) se esbarram numa estréia de teatro. Casual, o encontro desperta desejo, paixão, sedução. Por meio da internet, planejam então um reencontro que sedimente essa relação afetiva que se inicia. Vitória aceita o convite para jantar na casa de Luísa. O conflito das personagens está “no receio de se mostrar, no medo de se entregar”, afirma Cabral. “É aquela velha história: você conhece uma pessoa bacana mas não tem certeza de que ela corresponderá.”
Além das incertezas do coração, Flores Brancas trata de, na opinião do autor, um tabu ainda presente nos dias de hoje: o lesbianismo. “Enxergo, sim, que existe esse tabu para a sociedade. Há preconceito e hipocrisia. Preconceito de todo tipo. Caráter e princípios estão em outro patamar”, diz.
A montagem aponta a tolerância como uma saída. Cabral, porém, descarta a idéia de fazer do texto um manifesto: “A peça fala de encantamento e não levanta bandeiras. As personagens falam da vontade de realizar o que estão a fim. Toco num sentimento, o amor, que é universal e serve para homossexuais, heterossexuais, bissexuais”.
FLORES BRANCAS. De João Fábio Cabral. Direção de Fabiana Carlucci e Rogério Harmitt. Com Luciana Caruso e Zeza Mota. No Teatro Crowne Plaza. Rua Frei Caneca, 1.360, São Paulo, SP. Fone (11) 3289-0985. Sábados , às 21horas, e domingos, às 20h. R$ 30. Até 31/5.
Escrito por Mauro Fernando às 20h35
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