LABIRINTO REENCARNADO
Lucas Albin
 Neusa Velasco e Isadora Ferrite: isolamento, exclusão e extermínio
Está prevista para 14/6 a estréia de Labirinto Reencarnado, a última parte da trilogia da Cia. Pessoal do Faroeste – Re-bentos (2002) e Os Crimes do Preto Amaral (2006) são os espetáculos anteriores. Ciclo de palestras sobre temas que nortearam a pesquisa contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo começa nesta segunda (2/6), no Museu da Energia, na capital paulista. A trupe ainda promove pré-estréias da montagem em sua sede.
A eugenia, conjunto de procedimentos racistas que visa à pretensa melhoria do patrimônio genético de populações, com os conseqüentes isolamento e extermínio de negros, judeus, etc., amarra os três textos, assinados pelo dramaturgo e diretor Paulo Faria. Labirinto Reencarnado retoma o mito grego de Dédalo e Ícaro – o vôo desmedido – a fim de investigar a questão. A eclosão do nazismo e a 2ª Guerra Mundial também são ferramentas utilizadas na discussão.
O engenheiro eugenista Dédalo, judeu português convertido ao cristianismo no Brasil para fugir da perseguição anti-semita na Europa, tem um surto psicótico em 1944 e é internado numa casa de repouso. Seu filho Ícaro, membro da Aeronáutica brasileira, pertence à juventude hitlerista e se engaja na guerra no lado da Alemanha nazista.
O espetáculo, portanto, traz à tona contradições que aguçam o senso crítico do público. “Existe o cuidado de não julgar ninguém, mas sim o de discutir onde está a guerra. Ela está dentro da gente”, afirma Faria. “Colocamos os prós e os contras para que se possa entender melhor a questão.”
Para apimentar a situação, Dédalo tem uma filha com uma negra – a menina nasce branca, o que inspira conclusões sobre a suposta superioridade de uma raça sobre outra. Ananda, uma jovem enfermeira enviada ao front pela Força Expedicionária Brasileira, acompanha os acontecimentos rodeados pela noção de limpeza étnica.
Segundo Faria, Labirinto Reencarnado se move pelo terreno do realismo fantástico. O texto é fragmentado, mas é possível acompanhar a história sem dificuldades. Quatro atores formam o elenco. Graciana Magnani, Isadora Ferrite e Neusa Velasco dão corpo e voz a Dédalo em diferentes momentos – e também interpretam, respectivamente, as enfermeiras Ananda, Florence Nightingale e Sarey. Ícaro fica por conta de Eduardo Gomes.
LABIRINTO REENCARNADO. Texto e direção de Paulo Faria. Com a Cia. Pessoal do Faroeste. Pré-estréias: Dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13/6, às 20h30 Na Sede Luz do Faroeste. Alameda Cleveland, 677, São Paulo, SP. Entrada franca. Reservas pelo fone (11) 3362-8883. Ciclo de Palestras: 2/6, às 15h: Juliana Fiocca – O Rádio e os Signos de Labrinto Reencarnado 9/6, às 15h: Ciça Ribeiro – Psicanálise em Lacan: O Espelho em Labirinto Reencarnado 16/6, às 15h: Paulo Souza Campos – Enfermagem e Guerra: Questões de Interdependência. Uma Visão Histórica e Iconográfica 23/6, às 15h: Paulo Faria – O Mito de Dédalo e Ícaro e a Construção do Texto Teatral 30/6, às 15h: Roney Cytrynowicz – Paralelo Entre a Obra Literária Guerra sem Guerra e Labirinto Reencarnado No Museu da Energia. Alameda Cleveland, 601, São Paulo, SP. Entrada franca. Reservas pelo fone (11) 3362-8883.
Escrito por Mauro Fernando às 13h29
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