AS TRÊS GRAÇAS – UMA SÁTIRA MENIPÉIA
Arnaldo Pereira
 Processo colaborativo: compartilhamento da criação
O universo feminino na ótica da Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. As Três Graças – Uma Sátira Menipéia estréia neste sábado (9/8) no Teatro Célia Helena, em São Paulo. Ednaldo Freire assina a direção e Luís Alberto de Abreu, o texto.
O elenco (Aiman Hammoud, Edgar Campos, Fernando Paz, Isadora Petrin, Luciana Viacava, Márcia de Oliveira, Marcio Castro e Mirtes Nogueira) se encarrega de três histórias – três mulheres que acreditam em seus próprios sonhos.
A primeira mulher possui em sua memória cinco lembranças. A segunda é enganada pelo marido bígamo. A terceira se recusa a aceitar as intempéries da vida e vislumbra um improvável reencontro com sua mãe verdadeira.
Comédia, drama, narrativa mítica e música se misturam em uma sátira menipéia, uma miscelânea de gêneros embasada pela cultura popular. Uma especialidade da trupe, acostumada a trabalhar com elementos que rejeitam o lugar-comum do popularesco. Abaixo, entrevista com o diretor concedida por e-mail.
Escrito por Mauro Fernando às 07h51
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AS TRÊS GRAÇAS – UMA SÁTIRA MENIPÉIA
Arnaldo Pereira
 Narrativa épica: interação inteligente com o público
ROTUNDA – De onde partiu a idéia de montar As Três Graças – Uma Sátira Menipéia? EDNALDO FREIRE – Partiu da necessidade de investigar o universo cômico feminino, depois da pesquisa. O plano inicial foi se modificando até chegarmos ao formato final: uma sátira menipéia.
ROTUNDA – Como se deu a pesquisa? FREIRE – Aproveitando a metodologia utilizada em Borandá (espetáculo que a companhia estreou em 2003). As atrizes do grupo se encarregaram de colher relatos de algumas mulheres, indicadas por suas ricas experiências de vida.
ROTUNDA – Quem são as três mulheres? FREIRE – Por nós denominadas de “Graças”, correspondem à síntese de todas as entrevistadas.
ROTUNDA – O que elas têm em comum? FREIRE – Os pontos convergentes correspondem à questões de afetividade, maternidade, relacionamentos difíceis com o mundo patriarcal masculino e desejos matriliniares.
ROTUNDA – A peça incorpora o discurso feminista? FREIRE – Não tem essa pretensão, nem a peça nem a pesquisa.
ROTUNDA – São histórias independentes, como em Borandá? Como elas se ligam? FREIRE – São três histórias independentes, ligadas por uma grande narrativa cômica: “A Saga da Grande Vulva”.
ROTUNDA – Há uma mistura de gêneros teatrais? FREIRE – Sim, há uma mistura de gêneros e estilos (dramáticos/cômicos/absurdos/farsescos/narrativos, etc.), no melhor estilo do filósofo satírico Menepo.
ROTUNDA – O que a companhia discute com a montagem? FREIRE – Discutimos um mundo que sempre se impôs pela tradição do herói guerreiro, que resultou na cultura patriarcal. Mas no qual, nos relatos das mulheres, surgem às vezes desejos de um mundo matrilinear.
ROTUNDA – Que preocupações sociais e estéticas movem o grupo? FREIRE – O que determina para o grupo a vontade de se expressar por meio do teatro é a crença de que o Homem é um projeto em construção e que suas relações sociais podem e devem ser discutidas, questionadas, avaliadas, revistas e modificadas, por que não, também pelo filtro da arte. A estética é referendada pela cultura popular, pois a arte do povo é a voz de todos.
ROTUNDA – A companhia segue trabalhando dentro do processo colaborativo? Por quê? FREIRE – Por ser a forma mais democrática de compartilhar a criação.
ROTUNDA – A Fraternal segue trabalhando com a narrativa épica? Por quê? FREIRE – É uma forma de interagir com a inteligência e a imaginação da platéia.
ROTUNDA – As Três Graças – Uma Sátira Menipéia se conecta com o projeto Comédia Popular Brasileira ou esse ciclo está definitivamente encerrado? FREIRE – Como a pergunta bem observa, é um outro ciclo, diferente, mas totalmente coerente com o processo de buscar uma “comédia”, aqui com o sentido não só de gênero dramático mas de uma poética popular universal a partir das referências encontradas na cultura brasileira.
AS TRÊS GRAÇAS – UMA SÁTIRA MENIPÉIA. De Luís Alberto de Abreu. Direção de Ednaldo Freire. Com a Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. No Teatro Célia Helena. Rua Barão de Iguape, 113, São Paulo, SP. Fone (11) 3209-0470. Sextas e sábdos, às 21h, e domingos, às 19h. R$ 20. Até 28/9.
Escrito por Mauro Fernando às 07h47
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