ROTUNDA


BOSSA NOVA

Divulgao

Coisas do Brasil sob a lente do Ballet Stagium



A origem da bossa nova est na batida de violo inventada por Joo Gilberto em 1958 e apresentada no LP Cano do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, no qual o msico toca em duas faixas, uma delas Chega de Saudade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes). O espetculo Bossa Nova, que estria em 13/11 no Teatro Itlia, TD Teatro de Dana, em So Paulo, representa mais um captulo do Ballet Stagium na definio de uma dana de sotaque brasileiro.

A montagem coreografia de Dcio Otero e direo teatral de Marika Gidali, fundadores do Stagium traz na trilha canes como guas de Maro (Tom Jobim). No significa, porm, mais uma homenagem neste ano em que se comemora o cinqentenrio da bossa nova. Trata-se de mais um momento em que o Stagium resgata coisas nossas (brasileiras). Mas no uma coisa pretensiosa nem tendenciosa. Tem a ver com a liberdade de expresso que eles (os msicos) tinham, diz Marika.

O espetculo conta com 13 intrpretes no palco e segue alguns princpios da bossa nova. Os movimentos no so explosivos. So muito interiorizados e no esteriotipados, delicados e serenos como a prpria msica. H um casamento com cantores de voz micro como Nara Leo, Joo Gilberto e Tom Jobim, relata Otero. Marika conta que o Stagium no tem a pretenso de inovar a dana contempornea com a montagem: Queremos ser coerentes com nossos passos filosficos.

Bossa Nova sucede outros trabalhos em que a companhia se debruou sobre a msica e o imaginrio brasileiros. Por exemplo: Stagium Dana o Movimento Armorial, de 2003 (com msicas de Antonio Nbrega e Antonio Jos Madureira), Stagium Dana Chico Buarque, de 2005, e Man Gostoso, de 2007 (com o Quinteto Violado na execuo ao vivo de msicas de Luiz Gonzaga). Como explica Otero, o embrio esttico dessa vertente est em Diadorim, de 1972 (sobre a obra-prima de Guimares Rosa, Grande Serto: Veredas), que tem Villa-Lobos, Quinteto Violado e cantos de pssaros brasileiros na trilha.

Encontrar a simbiose entre dana e teatro a tarefa de Marika. Isso faz parte da vida do Stagium. Teatralizamos porque no enxergamos a dana sem uma proposta. No fazemos arte pela arte, afirma. Marika est acostumada com conceitos teatrais desde antes a fundao da companhia, em 1971. Trabalhou com o diretor Ademar Guerra em espetculos como Oh! Que Delcia de Guerra, de 1966, Hair, de 1969, e Tom Paine, de 1970. Um dos grandes encenadores brasileiros, Guerra apoiou o Stagium em montagens como Quebradas do Mundaru, de 1975, inspirada na pea Navalha na Carne, de Plnio Marcos.


BOSSA NOVA. Coreografia de Dcio Otero. Direo Teatral de Marika Gidali. Com o Ballet Stagium. No Teatro Itlia, TD Teatro de Dana. Avenida Ipiranga, 344, So Paulo, SP. Fones (11) 2189-2555 e 2189-2557. Quartas e quintas, s 16h, sextas e sbados, s 20h, e domingos, s 18h. R$ 4. De 13 a 30/11.


Escrito por Mauro Fernando s 15h23
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MOSTRA PAULISTA DE DRAMATURGIA NORDESTINA

Lucas Sancho

Lesados: cacos humanos



O propsito colocar uma dramaturgia de tima qualidade em contato com produtores culturais de So Paulo, ligar dois universos historicamente separados, define o curador da Mostra Paulista de Dramaturgia Nordestina, Sebastio Milar. O evento, que comea nesta tera, 4/11, e se estende at 3/12, engloba espetculos, leituras dramticas, debates, palestras, demonstraes de trabalho e lanamentos de livros.

Iniciativa da Associao dos Dramaturgos do Nordeste, a Semana do Teatro Nordestino pela primeira vez realizada fora de Natal (RN) est contida na Mostra. O Centro Cultural Banco do Brasil e o Centro Cultural So Paulo so as sedes da programao, que gratuita. Os dramaturgos paulistas Lus Alberto de Abreu e Marcio Aurelio e o pernambucano (radicado em So Paulo) Newton Moreno participam dos debates.

A Mostra se configura tambm como um espao de reflexo sobre questes culturais. A dramaturgia nordestina, desde Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho (1917-1976) e Luiz Mendona (1931-1995), voltada para a cultura popular tradicional, que usada como alimento pelos autores contemporneos, afirma Milar. E a questo sociolgica tem uma implicao grande na elaborao da dramaturgia nordestina.

Alm disso, destaca o curador, h a presena da cultura ibrica na formulao dessa obra. A dramaturgia nordestina contempornea vai buscar razes na Pennsula Ibrica, assim como a msica de Elomar. possvel ligar pontos com autores como (o espanhol) Lope de Vega (1562-1635) e (o portugus) Gil Vicente (1465?-1537?). A cultura ibrica ficou incrustada no Nordeste, indica.

Mas isso no significa que todos os dramaturgos nordestinos trabalham em cima da cultura popular, aponta Milar, embora sempre exista um trao da tradio, o que inclui o folclore do bumba-meu-boi, das marujadas, dos folguedos. H resduos do inconsciente coletivo da regio.

Outra discusso em que o curador toca a semelhana entre as companhias de teatro contemporneas do Nordeste e as do Sudeste: No trato tcnico, elas so parecidas. Grupos como o Piollin, que ficou conhecido com (a pea) Vau da Sarapalha, hoje encenam (o dramaturgo russo Anton) Tchekhov (1860-1904) de uma maneira semelhante, por exemplo, da (carioca) Cia. dos Atores. H uma preocupao com a atualizao. O que diferencia o tom, o sotaque.

Conforme Milar, a dramaturgia nordestina vai bem, obrigado. A forma potica nordestina avassaladora, grandiloqente. H obras surpreendentes. Nem tudo prima pela excelncia, existem comdias de costumes convencionais. Mas quando h ousadia, encontra-se um universo potico raro.

As dificuldades do teatro do Nordeste so similares s do Sudeste, relata o curador. Basicamente, h uma crise de liquidez. Para viver de teatro, para ter renda, os artistas tm de dar aulas, fazer outras coisas. Os grupos profissionais no fazem temporadas grandes, mas viajam muito, tm disposio para se apresentar em vrias cidades.

O que poderia ser feito para melhorar essa situao? Falta vontade poltica. A Lei do Fomento, que mudou a face do teatro em So Paulo, deveria se espalhar pelo Brasil. O teatro no pode ser tratado como mercadoria, no pode ser guiado pela lei da oferta e procura.

O critrio que determinou a escolha das trupes que se apresentam na Mostra: Espetculos que representam bem as variaes dramatrgicas do Nordeste contemporneo. A paraibana Agitada Gang comparece com Como Nasce um Cabra da Peste, do alagoano Altimar Pimentel (1936-2008); o cearense Grupo Bagaceira, com Lesados, do cearense Rafael Martins; o pernambucano Grupo Arte-em-Cena, com Deus Danado, do potiguar Joo Denys; a paraibana Cia. Srius, com Sinh Flor, do paraibano Elizer Rolim.

Abaixo, a programao completa da Mostra.


Escrito por Mauro Fernando s 17h58
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MOSTRA PAULISTA DE DRAMATURGIA NORDESTINA

Altair Castro

Como Nasce um Cabra da Peste: crendices e supersties



Espetculos

Como Nasce um Cabra da Peste. De Altimar Pimentel. Direo de Elizer Rolim. Com a Agitada Gang Trupe de Atores e Palhaos da Paraba. O texto faz um apanhado de crendices, supersties, costumes e mgicas empregadas no serto durante a gestao e o parto de uma criana. Dias 4 e 5/11, s 21h, no Centro Cultural So Paulo. De 6 a 8/11, s 19h30h, e 9/11, s 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Lesados. De Rafael Martins. Direo de Yuri Yamamoto. Com o Grupo Bagaceira. Quatro personagens no conseguem conviver juntos nem ficar sozinhos cacos humanos que se misturam na tentativa de suportar a prpria existncia em meio ao tdio. Dias 7 e 8/11, s 21h, e 9/11, s 20h, no Centro Cultural So Paulo. De 13 a 15/11, s 19h30, e 16/11, s 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Deus Danado. De Joo Denys. Direo de Nildo Garbo. Com Grupo Arte-em-Cena. Com a seca como pano de fundo, a pea fala de uma relao familiar que envolve amor e poder e coloca o ser humano diante de questes como o vazio da existncia. De 20 a 22/11, s 19h30h, e 23/11, s 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil. Dias 25 e 26/11, s 21h, no Centro Cultural So Paulo.

Sinh Flor. Texto e direo de Elizer Rolim. Com a Cia. Srius. Duas velhas se encontram num asilo. Uma foi dona-de-casa e a outra, prostituta. Bem-humoradas, fogem da morte e esperam visitas que nunca chegam. De 27 a 29/11, s 19h30h, e 30/11, s 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil. Dias 2 e 3/12, s 21h, no Centro Cultural So Paulo.


6 Semana do Teatro Nordestino
No Centro Cultural So Paulo

Formas da Cultura Popular na Dramaturgia Contempornea. Palestra. Com Lus Alberto de Abreu, Oswald Barroso e Racine Santos. Mediao de Sebastio Milar. Dia 5/11, s 16h.

Lanamento de peas publicadas por autores convidados. Dia 5/11, s 18h.

Razes da Moderna Dramaturgia Nordestina. Palestra. Com Joo Denys, Newton Moreno e Paulo Vieira. Mediao de Sebastio Milar (SP). Dia 6/11, s 16h.

A Encenao Contempornea e Formas Tradicionais. Palestra. Com Lindolfo Amaral, Marcio Aurelio e Tcito Borralho. Mediao de Sebastio Milar. Dia 7/11, s 16h.

Lanamento do livro A Gargalhada de Ulisses A Catarse da Comdia. De Cleise Furtado Mendes. Dia 7/11, s 18h.


Leituras dramticas
No Centro Cultural Banco do Brasil

O Romance do Conquistador. De Lurdes Ramalho. Com a Agitada Gang Trupe de Atores e Palhaos da Paraba. A autora resgata a leitura dos cordis trazendo cena o universo sobrenatural das feiras nordestinas na figura do ambulante Joo. Dia 8/11, s 16h.

Meire Love Uma Tragdia Ldica. De Suzy Elida. Com Grupo Bagaceira. O tema a explorao infantil; por meio de uma atmosfera sufocante construda aos poucos, um ambiente cruel se firma. Dia 15/11, s 16h.

Apario e Vagabundo. De Vital Santos. Com Grupo Arte-em-Cena. Dois marginais recolhem-se para dormir nos escombros de uma igreja e iniciam um dilogo na tentativa descobrir a verdadeira identidade um do outro. Dia 22/11, s 16h.

Luz da Lua os Punhais. De Racine Santos. Com a Cia. Srius. Poema dramtico centrado num dos temas mais explosivos do serto, o cangao e suas conseqncias sociais, que traz de volta a figura de Lampio. Dia 29/11, s 16h.


Demonstraes de trabalho
No Centro Cultural Banco do Brasil

Agitada Gang Trupe de Atores e Palhaos da Paraba. Dia 9/11, s 16h.

Grupo Bagaceira. Dia 16/11, s 16h.

Grupo Arte-em-Cena. Dia 23/11, s 16h.

Cia. Srius. Dia 30, s 16h.


Centro Cultural Banco do Brasil. Rua lvares Penteado, 112, So Paulo, SP. Fones (11) 3113-3651 e (11) 3113-3652.

Centro Cultural So Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, So Paulo, SP. Fone (11) 3277-3651.


Escrito por Mauro Fernando s 17h46
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