JOGOS CASUAIS
Ana Moraes
 Os jogos podem ser casuais, mas não as intenções
Dança contemporânea. O Núcleo Artístico Marcos Moraes está em cartaz com Jogos Casuais no Teatro Coletivo Fábrica, em São Paulo. Além de assinar concepção e direção, Moraes atua ao lado das intérpretes-criadoras Soraya Sabino e Teresa de Toledo. Real e virtual se misturam na montagem, que explora o universo dos jogos eletrônicos e da internet. O diretor explica que a montagem não é dirigida exclusivamente para jovens. “É para todo tipo de público, até para crianças. Temos duas sessões fechadas para escolas.”
“Investigar a relação das pessoas através das mídias”, conta Moraes, é a intenção. A pesquisa partiu da idéia de jogar, o que inclui o chamado jogo social. “Começamos a pensar em paralelos na cidade de São Paulo e chegamos à saturação da informação e à aceleração do tempo e, então, aos jogos eletrônicos e à internet”, diz.
A fim de tornar mais clara a relação entre real e virtual, o espetáculo utiliza o recurso do vídeo – há momentos em que os intérpretes-criadores interagem com ele. “A relação com o computador foi a disparadora da pesquisa de movimento. A construção cênica foi pensada a partir da fragmentação e da velocidade do computador. Há algumas distorções visuais que criam um espaço que reproduz algo da tela do computador, mas não de maneira direta”, relata o diretor.
“Sem entregar respostas porque elas são diferentes para cada um ou sequer existem”, diz Moraes, Jogos Casuais lida com a organização da sociedade contemporânea e especula sobre “como as pessoas mantêm a consciência dentro do âmbito social.” “Há uma tendência alienante no sentido da redução da pessoa em uma coisa só: consumidor.” O espetáculo discute a influência do “bombardeio de informações” e questiona “até onde há autonomia quanto às escolhas pessoais, o que tem a ver com a construção do espaço da consciência”.
O diretor investe na perspectiva crítica: “Colocamos questões para o público construir significados. Queremos que algo se transforme nas pessoas, que elas percebam que somos sujeitos da nossa vida. Mas esse discurso não é explícito. O público completa o diálogo, expande sentidos”.
JOGOS CASUAIS. Concepção e direção de Marcos Moraes. Com o Núcleo Artístico Marcos Moraes. No Teatro Coletivo Fábrica. Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Sextas e sábados, às 21h30, e domingos, às 20h. R$ 15. Até 7/12.
Escrito por Mauro Fernando às 10h48
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