VITRINE CULTURAL
Alexandre Caetano 
Okamoto e o universo dos rabequeiros nordestinos As montagens que entram em cartaz no Teatro Imprensa pelo Projeto Vitrine Cultural 2009 no primeiro trimestre são Comunicação a uma Academia, Eldorado, Cachorro Morto e Bartleby. Cachorro Morto e Bartleby estiveram em temporada no Sesc Avenida Paulista no ano passado.
Para o segundo trimestre, estão previstas Quase Nada (proposta de Alain Brum), Frozen (de Rachel Ripani), Music-Hall (de Gabriela Flores) e Amanhã É Natal (de Cinthia Maria Zaccariotto Ferreira). Para o terceiro: Festa de Separação (de Janaina Leite), Ensaio Sobre Carolina (de Gal Quaresma), Henfil já! (de Nena Inoue) e O Livro dos Monstros Guardados (de Zé Henrique de Paula).
Comunicação a uma Academia é o quarto espetáculo do Club Noir, companhia fundada pelo diretor Roberto Alvim e pela atriz Juliana Galdino. O conto escrito em primeira pessoa por Franz Kafka (1883-1924), traduzido também como Informação para uma Academia, é a base da peça: um macaco relata para uma academia como se tornou humano.
“Ao observar as pessoas, o macaco aprendeu a se comportar como homem. Quando consegue dominar a fala, ingressa na comunidade humana”, diz Alvim. Para o diretor, trata-se de uma metáfora das formas de adestramento, colonização e dominação que aplainam diferenças culturais na era da globalização: para ser aceita e sobreviver, a pessoa deixa de ser o que é e passa a ser outra.
“Entre o zoológico e o teatro de variedades, o macaco escolhe este. E passa a viver a sociedade do espetáculo. A peça mostra a nossa condição humana, no que nos tornamos. O mundo espetacular, globalizado, nos faz mal quando nos esquecemos do que somos”, arremata Juliana.
Eldorado é um solo do argentino Santiago Serrano escrito para o ator Eduardo Okamoto. Marcelo Lazzaratto assina a direção. A pesquisa, realizada pelo ator, partiu do universo dos rabequeiros nordestinos. “O material bruto foi organizado dramaturgicamente pelo Serrano”, conta Okamoto. “A montagem trata da trajetória de um cego do sertão em busca do Eldorado, um lugar paradisíaco, de plenitude, de redenção”, afirma Lazzaratto.
Cachorro Morto estreou em junho do ano passado. “A dramaturgia é inspirada nos livros A Música dos Números Primos (de Marcus du Sautoy), Em Defesa de um Matemático (de G. H. Hardy) e O Estranho Caso do Cachorro Morto (de Mark Haddon)”, conta o autor e diretor Leonardo Moreira.
A pesquisa inclui observações realizadas na Associação de Amigos do Autista (AMA). A intersecção entre raciocínio lógico e relações afetivas está em cena. “A peça fala sobre o quanto podemos ser inadequados num mundo adequado”, diz Moreira. Resumo do enredo: um cachorro morto desperta a curiosidade da vizinhança.
Bartleby é uma adaptação do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra para o conto Bartleby, o Escriturário, de Herman Melville (1819-1891). A obra original traz cinco personagens; a adaptação, duas. “O texto se concentra na polaridade entre um advogado bem sucedido e um copista que, de repente, começa a negar pedidos com a frase bombástica ‘Prefiro não’. Bartleby abala todo um sistema de normas e valores”, afirma a atriz Cácia Goulart.
A montagem, do Núcleo Caixa Preta, remete ao vazio existencial típico dos nossos tempos e estreou em fevereiro de 2008 – Cácia foi indicada ao Prêmio Shell. Para a atriz, há diversas possibilidades de leitura: “Há quem diga que Bartleby é um esquizofrênico, um revolucionário passivo ou um artista”. A direção é de Joaquim Goulart.
COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA. De Franz Kafka. Tradução de Ênio Silveira. Direção de Roberto Alvim. Com Juliana Galdino e Gê Viana. Na Sala Vitrine. Terças e quartas, às 21h. De 3/3 a 20/5. Ingressos: uma lata de leite em pó (de 3/3 a 31/3); R$ 10 (de 1º/4 a 20/5).
ELDORADO. Concepção, pesquisa e atuação de Eduardo Okamoto. Dramaturgia de Santiago Serrano. Direção de Marcelo Lazzaratto. Na Sala Imprensa. Quartas e quintas, às 21h. De 4/3 a 21/5. Ingressos: uma lata de leite em pó (de 4/3 a 26/3); R$ 10 (de 1º/4 a 21/5).
CACHORRO MORTO. Texto e direção de Leonardo Moreira. Com Aline Filócomo, Bruno Freire, Luciana Paez, Maria Amélia Farah e Thiago Amaral. Na Sala Vitrine. Quintas e sextas, às 21h. De 5/3 a 22/5. Ingressos: uma lata de leite em pó (de 5/3 a 27/3); R$ 10 (de 2/4 a 22/5).
BARTLEBY. De Herman Melville. Dramaturgia de José Sanchis Sinisterra. Tradução de Vadim Nikitin. Direção de Joaquim Goulart. Codireção de Daniela Carmona. Com Cácia Goulart e Rodrigo Gaion. Na Sala Vitrine. Sábados, às 21h, e domingos, às 19h30. De 7/3 a 24/5. Ingressos: uma lata de leite em pó (de 7/3 a 29/3); R$ 10 (de 4/4 a 24/5).
No Teatro Imprensa. Rua Jaceguai, 400, São Paulo, SP. Fone (11) 3241-4203.
Escrito por Mauro Fernando às 18h13
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