KASULO ESPAÇO DE CULTURA E ARTE
Divulgação 
Elizandro Carneiro em cena de Bent - O Canto Preso A inauguração está marcada para sexta-feira (27/2). Sede da Cia. Borelli de Dança, o Kasulo Espaço de Cultura e Arte abre suas portas oficialmente às 21h, com palestra do crítico e pesquisador Marcos Bragato. Presidente da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), Bragato falará sobre a dança contemporânea paulista dos anos 1980 aos dias de hoje.
“O espaço pretende ser mais um polo cultural da metrópole”, define o coreógrafo Sandro Borelli, fundador e diretor da companhia, que completará 12 anos em junho. Além de abrigar as atividades do grupo, portanto, o Kasulo se apresenta como um local de diálogo com outros núcleos de criação artística. “Não queremos discursar para o próprio umbigo.” O espaço recebeu o espetáculo Cabeça de Orfeu, da J.Garcia&Cia, no dia 15 e o lançamento do livro O Nó da Cana Também Dá Garapa, de Helvio Tamoio, em 23 de dezembro.
Cursos e oficinas também estão em pauta. Quatro cursos, que começam no próximo mês, ainda estão com inscrições abertas. São eles: balé clássico (para bailarinos de nível intermediário) e consciência corporal por meio da dança clássica (para bailarinos contemporâneos e atores), com Valéria de Mattos, dança contemporânea, com Borelli, e teatro gestual, com Dudu Oliveira.
O Sesc Santana, em março, recebe a Cia. Borelli para duas apresentações de Kafka in off (14 e 15/3). Na Galeria Olido, também no mês que vem, a companhia dá sequência ao Projeto Cantos Malditos, que reúne três remontagens e uma coreografia nova. Jardim de Tântalo (19 e 20/3), Bent – O Canto Preso (21 e 22/3) e Senhor dos Anjos – O Lamento das Coisas (26 a 29/3) voltam ao cartaz.
Che (título provisório) é o novo espetáculo. A estreia está decidida: no início de julho, no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso. “É um lugar meio inadequado para Che Guevara”, ironiza Borelli. O mito o levou à pesquisa: “O que Che representa até hoje, a persistência em manter um ideal acima de tudo. Não é um mito inventado como um super-heroi de quadrinhos. É importante rever isso e falar sem demagogia, sem vestir uma camiseta com a figura dele estampada e sair por aí dizendo que é revolucionário”.
Os quatro trabalhos têm em comum a investigação sobre o pensamento que resiste à massificação, que se contrapõe à transformação da vida em mercado e do ser humano em mercadoria. “O que amarra (as montagens) é o discurso da companhia. Procuramos não sair dessa linha”, afirma Borelli.
O nome do projeto indica que “malditos” devem ser entendidos como marginais. E marginais não como pessoas procuradas pela polícia, mas como aquelas que vivem à margem da ditadura do pensamento hegemônico nos campos artístico, econômico, ideológico, intelectual, político, sexual, social – humano, enfim.
Senhor dos Anjos aborda a poética de Augusto dos Anjos (1884-1914), autor singular que não obteve reconhecimento em vida. Bent, tradução coreográfica do texto de Martin Sherman, trata da perseguição nazista a homossexuais, bem como do esmagamento da condição humana e da violência institucional própria dos regimes totalitários. Jardim de Tântalo reflete sobre a insanidade, sobre outro estado de segregação social, aquele em que se encontra quem não se ajusta aos padrões formais de comportamento.
Depois de concluído Che, Borelli decidiu retornar a Franz Kafka (1883-1924): A Colônia Penal. A pesquisa começará no ano que vem. Será o oitavo espetáculo da companhia inspirado em obras do escritor – A Metamorfose, Kasulo, O Abutre, O Processo, Carta ao Pai, Kafka in off e Artista da Fome são os anteriores. “Kafka é sempre atual e muito inspirador. Se você quiser fazer uma sátira política, por exemplo, pode buscar em Kafka”, diz.
KASULO ESPAÇO DE CULTURA E ARTE. Inauguração em 27/3. Palestra de Marcos Bragato. Rua Souza Lima, 300, 2ª sobreloja, São Paulo, SP. Fones 3825-2711 e 9852-7222.
Escrito por Mauro Fernando às 10h34
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