A VIDA QUE EU PEDI, ADEUS
João Caldas 
Ailton Graça, Vera Mancini e as contradições da vida A 13ª peça de Sérgio Roveri entra em cartaz no Teatro Cosipa Cultura, em São Paulo, nesta sexta-feira (19/6). A comédia A Vida que Eu Pedi, Adeus tem Ailton Graça, Vera Mancini, Paulo Américo e Antonela Canto no elenco. A cineasta Eliane Caffé (dos premiados longas Kenoma e Narradores de Javé, roteirizados com o dramaturgo Luís Alberto de Abreu) assume a direção de um espetáculo teatral pela primeira vez.
Armando (Graça) e Eurides (Vera) formam um casal de trambiqueiros. Desempregados, caíram na escala social e aderiram à informalidade: em nome da sobrevivência, abriram uma “firma” e “empregam” crianças que vendem balas e fazem malabarismo em faróis em função de trocados que se avolumam no fim do mês. Vasques (Américo) ajuda (e também atrapalha) o casal na empreitada. A arquiteta Mariana (Antonela) aparece depois de desconfiar de uma atitude dos dois.
“Armando e Eurides levam rasteiras da vida, mas não perdem a esperança de contornar situações adversas. E não se desgrudam, agarram-se como boias de salvação”, afirma Graça. “A comédia humaniza esses personagens. Os dois têm uma ética muito fragmentada. É difícil exercer um julgamento sobre eles, pois não possuem consciência do que fazem e são vítimas do mesmo sistema (que faz menores buscarem dinheiro nos faróis)”, diz Eliane.
Trata-se de texto que especula sobre a “ética da sobrevivência”, informa Roveri, que procura mostrar a realidade por meio do riso e se preocupa em não julgar os personagens. A plateia define se Armando e Eurides exploram crianças ou dão oportunidade de renda a elas. “Os dois também têm uma faceta boa. Quando, por exemplo, uma criança não fatura o suficiente porque cresceu demais (e não sensibiliza as pessoas), ela não perde a comissão. Eles fazem coisas condenáveis e nobres.”
Ridendo castigat mores – “Corrige os costumes rindo”, proclama o lema latino. Há um tom de denúncia em A Vida que Eu Pedi, Adeus? “Um pouco, porém não no sentido de que a peça defende uma causa. Mas, só de tocar nesse assunto (social), é meio automático que isso aconteça”, responde Roveri. “A peça é centrada na comédia de erros que é a vida do casal, que tenta progredir e não consegue. É para o público pensar sobre do que está rindo.”
Graça e Eliane compartilham as ideias do autor. “O casal reproduz o que vê. Com uma certa crueldade e humor, o texto discute a questão social”, assinala Graça. “A peça traz pontos de questionamento que estão nos próprios personagens. Eles expõem questões para a plateia. Quando eles refletem, ela também”, conclui Eliane.
A VIDA QUE EU PEDI, ADEUS. De Sérgio Roveri. Direção de Eliane Caffé. Com Ailton Graça, Vera Mancini, Paulo Américo e Antonela Canto. No Teatro Cosipa Cultura. Avenida do Café, 277, São Paulo, SP. Fone (11) 5070-7018. Sextas, às 21h30, sábados, às 21h, e domingos, às 19h. R$ 40 e R$ 50. Até 2/8.
Escrito por Mauro Fernando às 21h42
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