ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS e PINÓQUIO
João Caldas 
Grilo e Pinóquio: a missão é evitar o maniqueísmo O menino Calvin, personagem do quadrinista Bill Watterson, aparece em uma tira rogando, ajoelhado, à TV: “Oh, divindade do entretenimento passivo... Derrama sobre mim tuas imagens conflitantes em velocidade tal que torne o raciocínio impossível!”. É justamente isso que as fundadoras da Cia. Le Plat du Jour, Alexandra Golik e Carla Candiotto, garantem evitar nas duas peças infantis que estreiam dirigidas por elas em São Paulo neste fim de semana.
Sob a livre adaptação de Alexandra e Carla, Alice no País das Maravilhas ganha o tablado do Teatro do Colégio Santa Cruz no sábado (22/8) e Pinóquio, o do Teatro Imprensa no domingo (23/8). Os dois espetáculos são recomendados para crianças acima de 5 anos.
A agilidade das encenações, característica marcante das montagens infantis da Le Plat du Jour, nada tem a ver com a velocidade em que as informações são oferecidas pela chamada babá eletrônica, diz Carla: “Nunca pensamos na TV, mas no prazer, na brincadeira”. “A diferença básica é que a TV fornece tudo pronto e na linguagem de Alexandra e Carla nada está pronto, a criança tem de completar (o pensamento)”, reforça o gestor cultural do Centro Cultural Grupo Silvio Santos (que assina a realização de Pinóquio), Wilton Ormundo.
Permitir que a criança elabore o próprio raciocínio, desgarrando-se de qualquer possibilidade de maniqueísmo, é a intenção de Alexandra e Carla. “Evitamos dizer o que é certo ou errado”, afirma Carla.
A versão da companhia para As Aventuras de Pinóquio, o clássico de Carlo Collodi (1826-1890) inicialmente publicado em episódios em jornal e que surgiu em livro em 1883, tem seis atores no elenco. Ana Saguia, Carol Bezerra, Carolina Parra, Daniel Costa, Igor Miranda e Romulo Bonfim interpretam 30 personagens. Concebida por Fábio Namatame, a cenografia traz elementos móveis que entram e saem do palco, formando os ambientes de cada cena – a sala de aula, a casa de Gepeto, um bosque, o mar.
A montagem parte de uma concepção metalinguística – alunos de uma escola e a professora resolvem encenar a história de Pinóquio. Há uma mistura de linguagens – teatro físico, de bonecos e de sombras – que confere à trajetória do boneco desobediente e mentiroso, porém ingênuo, um forte tom lúdico.
A adaptação da Le Plat du Jour para As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, o clássico de Lewis Carroll (1832-1898) publicado em 1865, tem três atrizes no elenco. Adriana Telg, Helena Cerello e Paula Flaiban se desdobram em 24 personagens.
“Alice mora num prédio e não tem ninguém para brincar. Encontra uma boneca dentro de um contêiner e entra em sua imaginação”, relata Alexandra. “Alice é uma menina que vive uma fase de muitas indagações, que está se encontrando e se entendendo com as coisas”, conta Carla. Assinada pela Le Plat du Jour e por Paula de Paoli, a cenografia remete ao circo. “A estrutura circense reflete a cabeça de Alice”, diz Carla. Alexandra e Carla asseguram que não se guiam por preocupações psicanalíticas e que não há moral da história.
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. De Lewis Carroll. Adaptação livre, criação e direção de Alexandra Golik e Carla Candiotto. Com Adriana Telg, Helena Cerello e Paula Flaiban. No Teatro do Colégio Santa Cruz. Rua Orobó, 277, São Paulo, SP. Fone (11) 3024-5191. Sábados e domingos, às 16h. R$ 12. Até 11/10.
PINÓQUIO. De Carlo Collodi. Concepção, livre adaptação e direção de Alexandra Golik e Carla Candiotto. Com Ana Saguia, Carol Bezerra, Carolina Parra, Daniel Costa, Igor Miranda e Romulo Bonfim. No Teatro Imprensa. Rua Jaceguai, 400, São Paulo, SP. Fone (11) 3241-4203. Sábados e domingos, às 16h. R$ 10. Até 29/11.
Escrito por Mauro Fernando às 20h54
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