CANTO PARA UM PAI AUSENTE
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Samir Yazbek: compreender, expressar e partilhar O dramaturgo Samir Yazbek (O Fingidor, A Terra Prometida, A Entrevista) embarca neste sábado (3/10) para o Líbano, onde fica por um mês. Parte a fim de recolher subsídios para Canto para um Pai Ausente, peça da Cia. Arnesto nos Convidou, que fundou ao lado do ator Helio Cicero e do diretor Maucir Campanholi. “O texto está praticamente pronto”, conta Yazbek. Mas o mergulho em suas origens – conhecerá a aldeia onde seus pais nasceram – é essencial para enriquecer a peça, cuja estreia está prevista para abril do ano que vem.
O enredo de Canto para um Pai Ausente enfoca a recomposição da identidade da Filha, que após uma separação conjugal traumática se projeta na trajetória da Mãe e do Pai, que trabalhou na construção da Transamazônica, e se conscientiza das consequências trazidas pela ausência dele. A imigração libanesa, que remete aos grandes deslocamentos de populações pela Terra, e a rodovia entram na história como pano de fundo.
O primeiro título que o dramaturgo deu ao texto: Raízes. “É a volta para as origens, para recomeçar (a vida) de outra maneira, para construir um caminho mais sólido”, explica. “A Filha reconstitui, a partir da memória e da imaginação, um episódio de vida que a ajuda a entender a formação de seu caráter e a reconstituir a própria identidade.”
Ao seguir esse raciocínio, o do mergulho nas raízes, chega-se à importância da “busca de um porquê, de um entendimento para o estado de desorientação em que o homem contemporâneo se encontra”. E, assim, efetivar a possibilidade de “construir um mundo mais digno e justo”. Yazbek recorre ao escitor russo Lev Tolstoi (1828-1910), autor de Guerra e Paz e Anna Karênina, para defender o “alcance universal” da peça, descortinado nas duas leituras públicas realizadas neste ano. “Tolstoi disse que falar da própria aldeia é falar do mundo.”
O dramaturgo trabalha em Canto para um Pai Ausente com seis personagens: Filha, Mãe, Pai, Empreiteiro, Amante e Gerente. A Filha, no tempo presente, narra a história, que acontece na década de 1970. A maior parte das ações se passa em um hotel rústico à beira da Transamazônica em construção. A peça, portanto, combina os gêneros narrativo e dramático.
Ainda há lacunas a preencher no elenco – Cicero, Sandra Corveloni (melhor atriz em Cannes/2008 por Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas) e Douglas Simon estão confirmados, mas há vagas para três atrizes. A Campanholi cabe a direção. A última versão do texto ganhará edição da Terceiro Nome. Existe a intenção de levar a montagem para o Líbano.
“Compreender, expressar e partilhar são as três necessidades que movem a arte em geral e a minha dramaturgia”, revela Yazbek, que pretende colher na viagem material para nova peça, sobre o escritor libanês Khalil Gibran (1883-1931). Para o dramaturgo, que ganhou o Prêmio Shell/1999 por O Fingidor e consegue agregar razão e emoção em sua obra marcada pela forma poética-filosófica, o desafio do teatro contemporâneo é “não fazer concessões sem ser hermético”.
Escrito por Mauro Fernando às 23h28
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