ROTUNDA


NAMBIA, NO!

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Contradições sociais movem personagens

 

 

Dois primos, negros, estão confinados em um apartamento porque o governo brasileiro baixou uma medida segundo a qual as pessoas de “melanina acentuada” são obrigadas a deixar o País rumo à África. Os dois imaginam que estão protegidos no apartamento por causa de artigo da Constituição que garante a inviolabilidade do lar. As ações – que tocam o absurdo – passam-se em 13 de maio de 2016. Essa é a sinopse de Namíbia, não!, peça em cartaz no Teatro de Arena Eugênio Kusnet que discute o racismo e marca a estreia de Lázaro Ramos na direção teatral.

O texto, de Aldri Anunciação, expõe com ironia e inteligência as contradições que movem os primos André (Sérgio Menezes) e Antônio (Fernando Santana). Um opta pela resistência, mas o outro não considera a deportação, um movimento contrário ao dos antepassados trazidos à força da África, uma ideia ruim. O autor não toma partido de um ou de outro personagem: explora as razões de cada um. E provoca uma reflexão sobre todos os tipos de discriminação e sobre as relações sociais no Brasil.

Namíbia, não! examina em diversos aspectos, da dramaturgia à encenação, oposições presentes na sociedade. O cenário, de Rodrigo Frota, cria um interessante contraste: o branco é a única cor. Todas as peças do xadrez disputado pelos primos – uma metáfora das posições que defendem –, assim, são brancas. A direção discreta de Ramos deixa os atores à vontade para desenvolver o jogo teatral, o que confere dinamismo ao espetáculo. Embora falte um pouco de concisão ao texto, a montagem possui virtudes cativantes, como o bom humor e a capacidade de promover um pensamento crítico.

Menezes substitui Flávio Bauraqui nesta temporada – Namíbia, não! estreou em São Paulo em novembro. Também ator, Anunciação deverá voltar à cena. A montagem integra o projeto Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada, coordenado por Anunciação e composto por espetáculos, leituras dramáticas e palestras-debate. O objetivo do projeto, que ocupa o Teatro de Arena Eugênio Kusnet até 7/4, é dar visibilidade a dramaturgos negros, brasileiros e contemporâneos.

NAMÍBIA, NÃO!. De Aldri Anunciação. Direção de Lázaro Ramos. Com Sérgio Menezes e Fernando Santana. No Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Rua Dr. Teodoro Baima, 94, São Paulo, SP. Fone (11) 3256-9463. Quinta a domingo, às 20h. R$ 20. Até 17/2.



Escrito por Mauro Fernando s 16h26
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O TEXTO NO TEATRO

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Crítico e pesquisador analisa peças com a profundidade típica de um historiador

 

 

 

Nascido em Belo Horizonte (MG) em 1927, Sábato Magaldi é um dos maiores críticos e pesquisadores do teatro brasileiro. Possui vários livros publicados – entre eles O Texto no Teatro e Panorama do Teatro Brasileiro –, lecionou na Universidade de São Paulo (USP) e em duas universidades francesas e é membro da Academia Brasileira de Letras. A Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) concedeu a ele, pela contribuição às artes e à cultura brasileira, o prêmio especial de 2012.

Magaldi organizou os quatro volumes de Teatro Completo de Nelson Rodrigues, trabalho realizado a pedido do próprio autor. Dividiu a obra rodrigueana em três blocos: peças psicológicas (como Vestido de Noiva), peças míticas (como Álbum de Família) e tragédias cariocas (como Boca de Ouro). Ressaltou que essas categorias são interligadas, ou seja, características de uma estão presentes nas outras, o que amplia a riqueza da obra do dramaturgo.

O Texto no Teatro, lançado em 1989 pela Editora Perspectiva, é uma coletânea de 53 artigos que abordam os autores mais importantes do teatro mundial, do poeta trágico grego Ésquilo (525/524-456/455 a.C.) ao alemão Heiner Müller (1929-1995), herdeiro do também alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Magaldi analisa peças escritas, não encenações.

O livro (que pode ser encontrado em www.estantevirtual.com.br por preços que variam entre R$ 18,00 e R$ 55,25) é relevante para quem aprecia e estuda teatro. Magaldi escreve com elegância e clareza, iluminando aspectos que passam despercebidos até mesmo por olhos já acostumados às artes cênicas. Pode, também, servir como bússola para quem pretende montar um espetáculo. Além disso, é uma fonte abundante para quem escreve sobre teatro.

O Texto no Teatro contém, por exemplo, seis artigos sobre o inglês William Shakespeare (1564-1616) e quatro sobre o francês Jean-Baptiste Poquelin (1622-1673), mais conhecido como Molière. Ao escrever sobre Macbeth, uma das obras-primas de Shakespeare, Magaldi reproduz um trecho da peça: “Quanto à luxúria, a bebida incita-a e reprime-a ao mesmo tempo: provoca o desejo, mas impede-lhe a execução”.



Escrito por Mauro Fernando s 07h51
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ANTOLOGIA DO TEATRO ANARQUISTA

Reprodução

Teatro engajado quer mudanças sociais

 

 

A Martins Fontes Editora lançou Antologia do Teatro Anarquista, edição preparada por Maria Thereza Vargas, em 2009. O livro traz três peças (O Semeador, de Avelino Fóscolo, A Bandeira Proletária, de Marino Spagnolo, e Uma Mulher Diferente, de Pedro Catallo) e pode ser encontrado em www.estantevirtual.com.br por preços que variam entre R$ 30,00 e R$ 47,14.

A relevância de Antologia do Teatro Anarquista está no resgate de um teatro de feições populares e de importância histórica. A originalidade dos temas em relação à época em que os textos foram redigidos é um trunfo do livro. A luta contra as injustiças cometidas pela classe dominante está na raiz da dramaturgia libertária.

O anarquismo, que se notabiliza pelo combate revolucionário às desigualdades sociais, exerceu grande influência sobre o movimento operário brasileiro em fins do século XIX e no início do século XX. O teatro libertário, realizado por trabalhadores para trabalhadores, caracteriza-se pela defesa didática dos ideais anarquistas.

As peças reunidas no livro são de um farmacêutico (Fóscolo), de um alfaiate (Spagnolo) e de um sapateiro (Catallo). Os textos, escritos por militantes-artistas, ou projetam um futuro socialmente harmonioso ou desenham um panorama extremo da condição desfavorável do operariado – sempre com o objetivo de promover a conscientização da classe trabalhadora.

O Semeador, peça redigida entre 1905 e 1906, é ambientada em uma propriedade rural em Minas Gerais. Júlio, filho do fazendeiro, retorna da Europa com ideias novas na bagagem, que contrastam com a ordem arcaica reinante. Com a ajuda de Laura, filha do antigo feitor, pretende transformar as terras em um bem comum.

A Bandeira Proletária é um texto de 1922. O operário Paulo, que enfrenta a rispidez do cotidiano, é o protagonista. A prisão de Paulo, acusado de encabeçar uma greve, fornece a senha para o agiota Fernandes seduzir Rosa, namorada do operário. Fernandes a abandona quando Paulo é solto. A bandeira do título emerge quando as forças repressoras fazem de um trabalhador uma vítima fatal.

Uma Mulher Diferente estreou em 1947. O industrial Ricardo forja provas de um crime inexistente, o que leva Tomás, pai da jovem Elena, à cadeia. Ricardo, então, chantageia a jovem, que se entrega fisicamente a ele, sem nenhum envolvimento, para tirar o pai da prisão. Marginalizada, Elena não abaixa a cabeça.



Escrito por Mauro Fernando s 11h00
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